A Polícia Civil confirmou, na manhã deste sábado (18), que o corpo encontrado em uma área de mata de difícil acesso em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, que estava desaparecida desde o dia 30 de junho, após sair do restaurante onde trabalhava, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
A identificação foi feita pelo filho da vítima. O corpo foi localizado no fim da tarde de sexta-feira (17), na localidade de Serra d'Água, às margens da Estrada de Lídice, em um trabalho conjunto da Polícia Civil de São Paulo e do 3º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Segundo a polícia, o cadáver estava preso a uma árvore em um trecho íngreme e de difícil acesso, sendo necessário o apoio do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro para a retirada. De acordo com os investigadores, há indícios de que o corpo tenha sido lançado de um ponto mais elevado da mata. Agora, exames necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro devem ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Seccional de São Sebastião informa que, durante diligências no município de Angra dos Reis-RJ, com apoio do 3º BAEP de São José dos Campos e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o corpo da mulher de 60 anos, desaparecida em Ubatuba no último dia 30, foi localizado. A perícia foi acionada junto às autoridades policiais do estado fluminense. Demais diligências prosseguem para o total esclarecimento dos fatos. A suspeita do crime permanece detida à disposição da Justiça, informou a Secretaria de Segurança Pública
O desaparecimento
Berenice trabalhava como cozinheira em um restaurante e morava em uma pousada no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. O desaparecimento foi registrado pelo filho da vítima, que informou à polícia que o último contato com a mãe ocorreu em 29 de junho.
Segundo a investigação, no dia 30 de junho, entre 15h e 16h, Berenice recebeu uma carona da proprietária do estabelecimento onde trabalhava. A empresária afirmou ter deixado a cozinheira no trevo da rodovia, em Ubatumirim. Desde então, ela não foi mais vista.
Prisão da empresária
A principal suspeita do crime é a empresária de 46 anos, presa temporariamente desde o último dia 10 durante a Operação Último Rastro, deflagrada pela Polícia Civil.
Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam dois veículos, telefones celulares, um passaporte e três armas de fogo na residência da suspeita. A defesa informou que não irá se manifestar até a conclusão do inquérito.
Segundo a Polícia Civil, a prisão foi decretada após a investigação apontar contradições nos depoimentos da empresária e reunir diversos elementos considerados relevantes para o caso.
Imagens de câmeras de segurança e registros de radares apontam que a caminhonete preta da empresária deixou Ubatuba pela Rodovia Rio-Santos em direção a Paraty (RJ) no dia do desaparecimento da cozinheira. Segundo a investigação, o veículo retornou ao município apenas horas depois, informação que integra o conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil

Reprodução
Dívida trabalhista é apontada como possível motivação
A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por um conflito envolvendo o pagamento da rescisão trabalhista da cozinheira. Berenice havia sido dispensada do trabalho devido à baixa temporada e pretendia retornar para sua casa, em Igaratá, assim que recebesse os valores que alegava ter direito.
Em entrevista à Band Vale, o filho da vítima afirmou que a mãe vinha discutindo frequentemente com a empregadora nos dias que antecederam o desaparecimento.
Era de trabalho. Ela morava lá, inclusive pagava por isso. A gente ficou sabendo que elas estavam em discussões nos últimos dias porque minha mãe queria sair e voltar para Igaratá. Minha mãe tem casa em Igaratá.
Ele também relatou que testemunhas presenciaram uma discussão entre as duas no próprio dia do desaparecimento.
A gente descobriu que teve brigas e, no dia do desaparecimento, também teve uma briga bem séria. Pessoas viram. Enfim, e aí aconteceu o que aconteceu.

Reprodução
Vestígios de sangue no carro
Outro ponto considerado importante pela investigação são os vestígios de sangue encontrados na caminhonete da empresária.
Cães farejadores da Polícia Militar identificaram sinais que levaram os peritos a realizar exames com luminol no veículo. O reagente químico revelou a presença de sangue, com maior concentração no banco do passageiro.
O luminol é utilizado pela Polícia Científica para detectar vestígios de sangue invisíveis a olho nu. Quando entra em contato com resíduos de sangue, o produto emite um brilho azul fluorescente.
Os exames periciais ainda não foram concluídos. Segundo a polícia, os laudos laboratoriais devem confirmar se o material encontrado pertence à vítima.

Itens apreendidos na casa da principal investigada | Créditos: Polícia Civil
Investigação continua
Com a localização e identificação do corpo, a Polícia Civil concentra agora os esforços na conclusão dos laudos periciais e na reconstituição da dinâmica do crime.
Os investigadores também trabalham para esclarecer como o corpo foi transportado de Ubatuba até Angra dos Reis e se outras pessoas participaram da ação. A empresária segue presa temporariamente por suspeita de homicídio, enquanto o inquérito continua em andamento.
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