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Caso Banco Master: saiba quem é Daniel Vorcaro, preso na P2 de Potim

O banqueiro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4); transferência para o presídio de Potim ocorreu nesta quinta-feira (05)

REDAÇÃO BAND VALE
REDAÇÃO BAND VALE

05/03/2026 • 13:52 • Atualizado em 05/03/2026 • 13:52

Daniel Bueno Vorcaro nasceu em 6 de outubro de 1983, em Belo Horizonte (MG), pertence a uma geração de empreendedores que ampliou sua atuação para setores financeiros, tecnológicos e corporativos.

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Formado em Economia, com MBA em Finanças pelo IBMEC de Belo Horizonte, Vorcaro construiu sua trajetória profissional atuando em diferentes negócios e investimentos antes de assumir posições de destaque no sistema financeiro. Essa experiência prévia o preparou para liderar operações de maior porte e complexidade.

Daniel Vorcaro é presidente do Banco Master, instituição financeira que ganhou projeção no mercado brasileiro após um processo de reestruturação iniciado em 2018.

Prisão

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A prisão foi realizada durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que apura a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Além disso, também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

Transferência para P2 de Potim

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5), para o presídio de Potim, no interior de São Paulo, após decisão judicial que manteve, em audiência de custódia, as quatro prisões relacionadas ao caso.

A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). “A Secretaria da Administração Penitenciária informa que os presos referidos estão custodiados na Penitenciária de Potim II atualmente.”

Na tarde desta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, após decisão judicial que manteve sua prisão.

Investigação da Polícia Federal

Segundo as investigações da Polícia Federal, a organização era liderada por Vorcaro e dividida em quatro núcleos distintos. O primeiro, o núcleo financeiro, era responsável por estruturar fraudes contra o sistema financeiro nacional. O segundo, de corrupção institucional, tinha como objetivo corromper servidores do Banco Central para obter vantagens indevidas.

O terceiro núcleo era dedicado à lavagem de dinheiro. As apurações da PF indicam que mais de R$ 2 bilhões teriam sido movimentados para uma conta em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Por fim, o quarto núcleo, de intimidação, era encarregado de realizar o monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

De acordo com o inquérito, a organização mantinha uma milícia privada, apelidada de "A Turma". Este grupo era financiado para obter informações sigilosas, monitorar pessoas e intimidar qualquer um que contrariasse os interesses de Daniel Vorcaro. O líder operacional desse braço armado foi identificado como Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, que cometeu suicídio na cadeia em Minas Gerais. Mourão era tratado como "sicário", termo usado para designar um assassino de aluguel. Em trocas de mensagens interceptadas, Mourão afirmava que Vorcaro enviava um "mensal" que era dividido entre os membros do grupo.

As investigações também revelaram ameaças diretas a profissionais da imprensa. Em uma das conversas, Daniel Vorcaro manifestou o desejo de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, afirmando que queria "quebrar todos os dentes" dele. Para a Polícia Federal, os diálogos demonstram uma clara tentativa de calar a imprensa e intimidar vozes contrárias.

A decisão do ministro André Mendonça também destaca que há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, através de seu cunhado, Fabiano Zettel. Além dos dois, foi preso um policial federal aposentado, Maurício Roseno da Silva, acusado de coordenar a vigilância clandestina dos alvos, utilizando sua experiência e aparatos da corporação para auxiliar o esquema.