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Ceratocone além da visão embaçada: o alerta de Arthur Costa

Oftalmologista especialista em córnea explica como reconhecer alterações visuais e evitar fatores ligados à progressão.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

20/07/2026 • 12:16 • Atualizado em 20/07/2026 • 12:16

Ceratocone além da visão embaçada: o alerta de Arthur Costa

Ceratocone além da visão embaçada: o alerta de Arthur Costa

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Alterações frequentes no grau dos óculos, visão embaçada, imagens duplicadas e dificuldade para enxergar à noite podem indicar mais do que uma mudança refrativa comum. Esses sinais também estão associados ao ceratocone, doença que modifica o formato da córnea e pode comprometer progressivamente a qualidade da visão.

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A condição costuma surgir na juventude e exige atenção especial em crianças e adolescentes, período em que o avanço pode ser mais rápido. O diagnóstico precoce permite acompanhar as alterações da córnea, identificar uma possível progressão e avaliar, de forma individualizada, o momento adequado para cada intervenção.

O receio de perder a visão ajuda a dimensionar o impacto emocional das doenças oculares. Em uma pesquisa global sobre a percepção do glaucoma, divulgada pela Novartis em 2017, 85% dos participantes afirmaram que, entre os cinco sentidos, a visão era o que mais temiam perder. O levantamento também apontou uma distância entre reconhecer a importância dos exames e realizá-los regularmente.

O oftalmologista Arthur Costa observa que esse temor costuma estar relacionado à possibilidade de perder autonomia, capacidade de trabalho e independência. Para ele, no entanto, a preocupação deve ser transformada em atenção preventiva, com acompanhamento adequado e busca por avaliação antes que uma limitação importante se estabeleça.

“A perda da visão pode comprometer o trabalho, a mobilidade, a independência e diferentes aspectos da vida familiar. Por isso, o acompanhamento não deve começar apenas quando o paciente percebe uma limitação importante. Algumas alterações precisam ser identificadas antes que provoquem consequências mais graves.”

O Ministério da Saúde também orienta a adoção de cuidados regulares com os olhos, uma vez que a avaliação periódica pode favorecer a prevenção e o diagnóstico de doenças capazes de comprometer a visão.

O que é ceratocone

A córnea é a estrutura transparente localizada na parte anterior do olho. Ela participa do direcionamento da luz para a retina e precisa manter curvatura e transparência adequadas para que a imagem seja formada com nitidez.

No ceratocone, essa estrutura se torna progressivamente mais fina e irregular. Em vez de preservar uma curvatura regular, a córnea adquire um formato mais cônico, o que modifica a maneira como a luz chega à retina e pode provocar distorções visuais.

“A deformação da córnea provoca uma formação irregular da imagem. O paciente pode perceber embaçamento, redução da qualidade visual e maior dificuldade para enxergar em ambientes escuros, mesmo quando ainda consegue realizar parte das atividades cotidianas.”

Nas fases iniciais, os óculos podem proporcionar uma correção satisfatória. Com a progressão, porém, a visão pode continuar comprometida mesmo após a atualização do grau, o que exige uma investigação mais detalhada da córnea.

Mudanças frequentes no grau podem ser um sinal

O aumento recorrente da miopia ou do astigmatismo pode levantar a suspeita de ceratocone, especialmente quando o paciente sente que os óculos já não proporcionam a mesma nitidez ou precisam ser substituídos em intervalos cada vez menores.

Imagens duplicadas, distorções e piora da visão noturna também merecem atenção. Esses sintomas não confirmam isoladamente o diagnóstico, pois podem aparecer em outras condições oftalmológicas, mas justificam uma avaliação especializada.

“Um sinal relevante é a percepção de que a visão nunca fica totalmente nítida, mesmo com os óculos atualizados. Quando a irregularidade da córnea se torna mais acentuada, a correção convencional pode deixar de atender às necessidades visuais do paciente.”

A confirmação depende do exame clínico e da análise do formato, da curvatura e da espessura da córnea. A comparação entre exames realizados em diferentes momentos também pode mostrar se a doença permanece estável ou apresenta sinais de progressão.

Coçar os olhos pode favorecer o avanço da doença

O hábito de esfregar os olhos está entre os principais fatores associados à progressão do ceratocone. A prática é comum em pessoas com alergia ocular e pode ocorrer de forma quase automática durante crises de coceira, sobretudo entre crianças e adolescentes.

Pacientes com rinite, asma ou bronquite também podem apresentar maior tendência a sintomas alérgicos nos olhos. Nesses casos, tratar a origem da irritação é tão importante quanto orientar a pessoa a evitar o atrito frequente sobre a córnea.

“Não basta dizer ao paciente que ele precisa parar de coçar os olhos. É necessário compreender o motivo da coceira e controlar a alergia quando ela está presente. A redução desse estímulo faz parte do cuidado para diminuir fatores que podem contribuir para a progressão.”

Esfregar os olhos ocasionalmente não significa que a pessoa tenha ceratocone. A atenção deve ser maior quando o comportamento é repetitivo e aparece acompanhado de mudanças no grau, imagens duplicadas ou perda persistente de nitidez.

Ceratocone em crianças pode passar despercebido

Uma das dificuldades do diagnóstico durante a infância é que a criança nem sempre reconhece ou consegue explicar que enxerga mal. Quando a redução visual está presente há muito tempo, ela pode considerar aquela percepção como normal e não relatar qualquer incômodo.

“Muitas crianças só entendem que a visão estava reduzida quando recebem a correção adequada durante o exame. Até aquele momento, enxergar daquela forma era a única referência que possuíam.”

O diagnóstico pode ser levantado durante a consulta diante de graus elevados de astigmatismo, aumento recorrente da miopia e sinais de alergia ocular. A presença desses fatores não confirma a doença, mas pode levar o oftalmologista a avaliar a córnea com maior atenção.

Nesse grupo, o acompanhamento ganha importância porque a doença tende a exigir mais vigilância em pacientes jovens. Quando uma progressão é identificada cedo, o médico pode analisar medidas destinadas a evitar que a alteração avance de forma significativa.

Histórico familiar não determina o diagnóstico

O ceratocone pode apresentar um componente familiar, mas a presença da doença em pais ou irmãos não significa que outros parentes necessariamente desenvolverão a condição. O histórico representa um fator a ser considerado durante a avaliação, e não uma confirmação antecipada.

Pessoas com casos na família, principalmente entre parentes de primeiro grau, podem se beneficiar de um acompanhamento mais atento. A necessidade e a frequência dos exames devem considerar idade, sintomas, alterações no grau e características individuais da córnea.

Tratamento tem dois objetivos diferentes

O cuidado com o ceratocone segue duas linhas principais. A primeira busca melhorar a qualidade da visão e permitir que o paciente desempenhe suas atividades com maior autonomia. A segunda procura conter a progressão da doença e preservar a estrutura da córnea.

Para a correção visual, a conduta costuma começar pelas alternativas menos invasivas. Os óculos podem ser suficientes nos quadros iniciais. Quando a irregularidade da córnea impede uma correção satisfatória, lentes de contato especiais podem ser consideradas.

“O tratamento precisa considerar não apenas o resultado dos exames, mas também a realidade do paciente. A melhor conduta é aquela que oferece segurança, possibilidade de adaptação e benefício para a rotina, dentro das condições clínicas e pessoais de cada caso.”

Essa preocupação com a realidade individual faz parte da forma como Costa conduz o atendimento. Segundo o oftalmologista, a recomendação considerada ideal do ponto de vista técnico nem sempre é a alternativa mais viável para determinada pessoa. Condições financeiras, rotina, capacidade de adaptação e possibilidade de seguir o tratamento também precisam ser consideradas.

Quando óculos e lentes não proporcionam visão adequada, o implante de anel intracorneano pode ser avaliado em situações específicas. A indicação depende do formato da córnea, do estágio da doença e dos objetivos estabelecidos para cada paciente.

Crosslinking busca conter a progressão

Quando exames realizados em momentos diferentes demonstram que o ceratocone está avançando, o crosslinking pode ser indicado. O procedimento busca aumentar a rigidez da córnea e reduzir a possibilidade de continuidade da deformação.

A técnica não deve ser apresentada como uma forma de eliminar o grau ou garantir melhora visual. Embora alguma alteração positiva possa ocorrer em determinados pacientes, essa não é sua finalidade principal.

“O objetivo do crosslinking é estabilizar a doença. Uma eventual melhora da visão não deve ser tratada como promessa, porque a indicação é feita para tentar conter a progressão da córnea.”

Nem toda pessoa diagnosticada precisa realizar o procedimento imediatamente. A decisão considera idade, velocidade de evolução, características da córnea e resultados dos exames de acompanhamento. Por isso, a conduta deve ser estabelecida após avaliação individual.

Transplante de córnea não é um destino inevitável

O diagnóstico de ceratocone costuma despertar medo de perda visual e de transplante. No entanto, os recursos disponíveis permitem acompanhar e controlar muitos quadros sem a necessidade de substituir a córnea.

Lentes de contato especiais podem oferecer visão funcional quando os óculos deixam de ser suficientes. Outros procedimentos também podem ser considerados antes do transplante, conforme as características clínicas e a resposta às alternativas anteriores.

“O transplante costuma ser considerado quando os recursos disponíveis não proporcionam visão satisfatória ou quando existe uma sequela importante, como a perda de transparência da córnea. Ele não representa o caminho obrigatório para todos os pacientes com ceratocone.”

Mesmo quando a cirurgia é necessária, existem técnicas diferentes. Em alguns casos, apenas determinadas camadas da córnea podem ser substituídas. Em outros, a extensão das alterações exige uma abordagem mais ampla. A escolha depende das estruturas comprometidas e da avaliação do cirurgião.

Diagnóstico precoce pode preservar a autonomia

O ceratocone não interfere apenas na capacidade de identificar letras ou objetos. A perda de nitidez pode afetar os estudos, o trabalho, a direção de veículos, a mobilidade e a independência do paciente, especialmente quando a doença compromete os dois olhos de maneiras diferentes.

A prevenção envolve reconhecer sinais, controlar alergias, evitar o hábito de esfregar os olhos e manter o acompanhamento recomendado. A avaliação individual também é indispensável para diferenciar uma mudança comum de grau de uma alteração estrutural da córnea.

Quanto antes uma possível progressão é reconhecida, maior é a possibilidade de avaliar medidas destinadas a preservar a qualidade visual e reduzir o impacto da doença sobre a rotina. Ao mesmo tempo, informações claras ajudam a diminuir a ansiedade, pois nem toda alteração representa uma ameaça imediata, embora sintomas persistentes não devam ser ignorados.

“Quando o paciente é acompanhado desde cedo, torna-se possível identificar mudanças e agir no momento adequado. Com controle e tratamento individualizado, a doença pode ter um impacto muito menor sobre a visão e a autonomia.”

Acesso à saúde ocular ainda é desigual

A importância da prevenção torna-se ainda mais evidente em lugares onde o acesso ao oftalmologista, aos exames e aos equipamentos necessários é limitado. Nessas regiões, alterações que poderiam ser identificadas ou tratadas precocemente podem permanecer sem acompanhamento durante anos.

Arthur Costa participou de uma missão da Mogoyah em Moçambique. A Mogoyah é uma organização não governamental que desenvolve ações de assistência e prevenção em saúde, acesso e capacitação em educação e iniciativas voltadas à geração de renda em comunidades vulneráveis.

Durante a missão, o oftalmologista realizou atendimentos e participou de uma avaliação das necessidades locais para o planejamento de novas ações. Parte das pessoas examinadas nunca havia passado por uma consulta oftalmológica, enquanto outras conviviam havia anos com limitações visuais.

Alguns pacientes receberam prescrição de óculos ou indicação de tratamento clínico. Outros apresentavam condições que exigiam acompanhamento ou planejamento cirúrgico. Para Costa, a experiência reforçou como uma intervenção aparentemente simples pode modificar a capacidade de estudar, trabalhar, deslocar-se e realizar atividades cotidianas.

“Em muitos lugares, a dificuldade não está apenas na disponibilidade de profissionais. A oftalmologia depende de equipamentos de alto custo financeiro que nem sempre são fáceis de transportar. Quanto mais portáteis e acessíveis forem essas tecnologias, maior será a possibilidade de levar à avaliação ocular a populações distantes dos grandes centros.”

A participação na missão também evidencia uma dimensão presente em sua atuação: a compreensão de que o atendimento começa pela escuta. Diante de pacientes que nunca haviam recebido assistência especializada, o desafio não era apenas identificar doenças, mas compreender a realidade local e definir quais recursos poderiam gerar benefícios concretos.

Tecnologia pode ampliar o alcance do atendimento

A oftalmologia depende de exames capazes de observar estruturas muito pequenas e identificar alterações que nem sempre produzem sintomas imediatos. Essa precisão contribui para o diagnóstico e o planejamento terapêutico, mas a dependência de equipamentos também pode dificultar ações em regiões sem infraestrutura adequada.

Equipamentos menores e portáteis podem ampliar o alcance das avaliações oftalmológicas, principalmente em missões de saúde, comunidades rurais e localidades distantes de serviços especializados. Para Arthur Costa, o avanço tecnológico deve ser acompanhado de uma análise criteriosa sobre sua utilidade clínica.

“A inovação precisa responder a uma necessidade clínica. Um exame muito moderno, mas que não modifica o diagnóstico ou a conduta, pode representar apenas um custo adicional. A tecnologia deve apoiar a decisão médica e trazer benefício real ao paciente.”

Esse critério também orienta o acompanhamento do ceratocone. A escolha dos exames e procedimentos precisa estar relacionada às características da córnea, ao risco de progressão e às necessidades de cada pessoa, sem transformar a tecnologia em uma finalidade isolada.

Quem é Arthur Costa

Arthur Costa nasceu em Belém, no Pará, e ingressou no curso de Medicina aos 17 anos. Graduou-se pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos, o ITPAC Porto Nacional, no Tocantins, e realizou residência médica em Oftalmologia no Hospital das Clínicas da Bahia, em Salvador.

Posteriormente, mudou-se para São Paulo, onde concluiu a subespecialização em córnea e doenças externas da superfície ocular no Hospital do Servidor Público Estadual. Atualmente, atua principalmente nas áreas de córnea, superfície ocular e cirurgia refrativa, além de participar da formação de médicos residentes como preceptor.

Na CINOFT, clínica que estruturou em São Paulo, Costa procura manter consultas com tempo suficiente para ouvir o paciente, compreender sua rotina, explicar o diagnóstico e apresentar as razões de cada conduta. A proposta nasceu de sua experiência em serviços nos quais o tempo reduzido de atendimento dificultava uma comunicação mais detalhada.

Para o oftalmologista, a decisão clínica não deve considerar apenas os exames, mas também as condições, as limitações e as necessidades de quem procura atendimento. Essa visão orienta uma prática que busca conciliar conhecimento técnico, recursos disponíveis, comunicação clara e cuidado humanizado.

CRM 177663 • RQE 94260Instagram: @arthurcscosta