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Cildo Meireles em Guará: obra ganha versão digital e imersiva na cidade

Renomado escultor e pintor carioca une alta tecnologia e arte sensorial em evento gratuito neste final de semana.

LUCCAS DE JESUS - UNIFATEA

15/05/2026 • 10:04 • Atualizado em 15/05/2026 • 10:04

Cildo Meireles em Guar

Cildo Meireles em Guar

Fonte: Divulgação/Latina Estudio

​A Secretaria de Cultura de Guaratinguetá recebe, nos dias 15 e 16 de maio, o projeto Alto, desenvolvido pelo artista plástico Cildo Meireles, que chega à cidade com uma adaptação digital de sua instalação mais recente, exibida originalmente na Fondation Beyeler, em Basel, na Suíça. A mostra utiliza tecnologia de imagens em 360º e áudio espacial para recriar o ambiente da obra original no formato de Realidade Estendida (XR).

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Como parte do cronograma, o autor participará de uma coletiva de imprensa no dia 15, das 11h às 12h30, no local do evento para discutir sobre os bastidores da obra e como foi desenvolver a transição do físico para o digital.

“Trazer a obra “Alto”, do Cildo Meireles, para Guaratinguetá em realidade estendida é uma forma de democratizar o acesso à arte contemporânea através da tecnologia. A obra já provoca uma experiência sensorial muito forte, e no formato imersivo isso ganha uma dimensão ainda maior, aproximando principalmente os jovens e novos públicos. Além disso, é uma oportunidade de colocar a cidade em diálogo com inovação cultural, arte e educação de uma maneira muito atual.” — afirma Priscilla Cabett, cineasta e produtora local, responsável pela divulgação do projeto na cidade.

A lógica invertida de "Alto"

A instalação original de Meireles consiste em quatro caixas de som de tamanhos diferentes espalhadas pelos quatro cantos de uma sala. Onde o cérebro espera um som estrondoso vindo da caixa maior, recebe um sussurro quase inaudível; já a caixa menor emite um som agudo e volumoso.

As vozes emitidas pelas caixas descrevem as medidas físicas dos próprios objetos. Desta forma, o artista propõe um exercício de percepção sobre a relação entre o espaço ocupado pelo objeto e o estímulo auditivo gerado por ele, buscando provocar uma desconexão física entre o que os olhos veem e o que os ouvidos processam.

A tecnologia como ponte sensorial

Para a exibição, o público utilizará óculos de Realidade Virtual (VR), possibilitando navegar por uma réplica digital da galeria. A experiência conta com a tecnologia de áudio espacial (som 3D), que sincroniza o som com a posição do usuário no espaço virtual.

Ao movimentar a cabeça ou se aproximar das caixas de som dentro do ambiente digital, o visitante percebe a variação da intensidade e da direção do áudio em tempo real. O sistema permite que o espectador circule fisicamente pela sala enquanto interage com a instalação simulada.

Sobre Cildo Meireles

Nascido em 1948, o carioca é um pioneiro da arte contemporânea, que transformou objetos cotidianos — como garrafas de Coca-Cola ou notas de dinheiro — em potentes críticas políticas durante a ditadura militar.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão as "Inserções em Circuitos Ideológicos" (1970), e a torre de rádios “Babel”, exibida permanentemente na Tate Modern, em Londres. O trabalho do artista é frequentemente associado a discussões sobre estruturas sociais e a análise dos sentidos humanos.

O evento, que é realizado com recursos do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo (ProAC), acontecerá nos dias 15 e 16 de maio, das 10h às 20h, na Secretaria de Cultura da Guaratinguetá, localizada na Praça Conselheiro Rodrigues Alves, número 48, Centro. A entrada é gratuita.

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