
Salto de baleia jubarte no litoral de Ilhabela
Reprodução: Projeto Baleia Jubarte
Com a aproximação do inverno, o litoral norte de São Paulo se prepara para receber visitantes muito especiais: as baleias. Segundo dados da Associação Pró Baleia e da Secretaria de Turismo de Ilhabela, 836 baleias da espécie jubarte foram vistas em 2025.
De 2012 a 2021, o Projeto Baleia à Vista registrou 312 episódios de avistamento, mas foi a partir de 2016 que esses mamíferos começaram a visitar a costa de Ilhabela e São Sebastião com mais frequência.
Rafaela Souza, bióloga e coordenadora do Projeto Baleia Jubarte Litoral Norte, explica que as jubartes são uma espécie migratória que tem áreas de alimentação e reprodução muito bem definidas. “A população que a gente observa aqui no Brasil se reproduz na costa brasileira e se alimenta na região das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul”. Essas ilhas são um território ultramarino britânico no Oceano Atlântico Sul, e ficam a cerca de 1.500 km da costa da Antártida.
“A gente tem baleias que passam pelo litoral de São Paulo e seguem viagem até Abrolhos (BA), e outras baleias que ficam na região. E aí podemos observar diversos comportamentos, como saltos e batidas de peitorais”, completa Rafaela.
Além das jubartes, também são vistas pela região orcas, baleias tropicais (baleia-de-bryde), baleias francas-austrais e golfinhos. Com o aumento de registros de avistamentos de baleias, principalmente jubartes, surgiu o turismo de observação de baleias, que movimenta cidades como Ilhabela e São Sebastião fora da temporada de verão.
Preservação

Recuperação da população de jubartes no litoral do Brasil. Gráfico: Projeto Baleia Jubarte.
Para a bióloga, o turismo de observação é uma evolução em relação à antiga interação entre homens e baleias, quando esses animais eram caçados. Da gordura era extraído um óleo que foi amplamente utilizado na iluminação pública (lamparinas e faróis), na construção civil, assim como lubrificante de máquinas e matéria-prima para diversos produtos, como sabão, velas e até margarina.
A caça às baleias foi proibida no Brasil em 1987, mas desde os anos 1960 restrições à prática já entraram em vigor. “Hoje, a gente vê no turismo uma alternativa para a preservação desses animais, porque o turismo tem a capacidade de sensibilizar e conscientizar as pessoas da importância que as baleias têm, tanto no ecossistema quanto para a economia”, reforça Rafaela.
Turismo fora de temporada
Em 2025, Ilhabela recebeu cerca de 25 mil turistas embarcados nas operadoras de turismo de observação. Em comunicado à imprensa, a Prefeitura de Ilhabela diz se preparar para a próxima temporada de avistamento de cetáceos com ações voltadas à preservação ambiental que devem ser realizadas ao longo dos próximos meses, em parceria com o Instituto Baleia Jubarte.
Dentre as ações previstas estão: sensibilização nas marinas, vídeos educativos, monitoramento embarcado para educação ambiental, treinamento voltado ao setor do turismo, principalmente agências de turismo e profissionais de embarcações.
Já a Prefeitura de São Sebastião, através da Secretaria de Turismo, informou que acompanha de forma contínua a atividade de avistamento de baleias, considerada uma “vertente do turismo sustentável na região”.
Segundo dados do Observatório Municipal de Turismo, cerca 15 mil pessoas participaram de passeios de avistamento no Canal de São Sebastião ao longo de 2025, gerando um impacto econômico de mais de R$ 4 milhões, com reflexos diretos nos setores de hospedagem, alimentação e serviços turísticos.
Neste ano, São Sebastião investiu na qualificação de cerca de 200 profissionais e operadores náuticos por meio da Oficina de Boas Práticas para Observação de Baleias, reforçando o compromisso com a segurança, a preservação ambiental e a qualidade da experiência turística.
“O Projeto Baleia Jubarte acredita que o turismo é esse instrumento que movimenta a economia da cidade, os restaurantes, hotéis e operadoras de turismo no inverno, antes considerado período de baixa temporada, mas que hoje já tem um grande movimento”, explica Rafaela Souza, coordenadora do Projeto no Litoral Norte.
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