
A ginecologista Dra. Tamara Paz alerta que cólica intensa, dor na relação e infertilidade podem indicar a doença.
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Durante muitos anos, sentir cólica menstrual intensa foi tratado como algo natural na rotina feminina. Em muitas famílias, esse desconforto ainda é visto como parte esperada do ciclo, algo que a mulher deveria suportar em silêncio. Mas essa ideia, além de equivocada, pode atrasar o diagnóstico de uma doença que afeta diretamente a saúde, a fertilidade e a qualidade de vida: a endometriose.
A ginecologista e obstetra Dra. Tamara Paz, que atua com foco em saúde da mulher e cirurgia ginecológica minimamente invasiva, explica que um dos principais problemas em torno da doença ainda é a normalização da dor.
“A paciente muitas vezes chega desacreditada, duvidando do próprio sintoma, porque já ouviu por muito tempo que aquilo era esperado. E não é. Quando a mulher percebe que está sendo ouvida e que aquela dor não está sendo banalizada, isso muda completamente o rumo da investigação.”
A endometriose é uma doença inflamatória crônica e pode se manifestar de formas diferentes. Em alguns casos, aparece com cólicas menstruais progressivamente mais intensas. Em outros, surge com dor na relação sexual, alterações intestinais no período menstrual, distensão abdominal ou dificuldade para engravidar.
O que é endometriose
A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna do útero, se desenvolve fora dele. Esse tecido pode atingir ovários, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve, provocando inflamação e sintomas que variam em intensidade.
Segundo a Dra. Tamara, um dos pontos mais delicados da doença é justamente o fato de ela nem sempre se apresentar de forma óbvia.
“A endometriose não aparece sempre do mesmo jeito. Tem paciente que chega por dor menstrual, outras chegam por dor na relação, por dor para evacuar, por barriga muito inchada ou porque tentam engravidar e não conseguem. Por isso, a escuta clínica e a investigação correta fazem tanta diferença.”
Cólica intensa não deve ser normalizada
O principal sintoma da endometriose é a dor, especialmente no período menstrual. Ainda assim, muitas mulheres crescem ouvindo que sentir cólica forte é parte inevitável de ser mulher. Para a especialista, esse pensamento precisa ser revisto.
“Não é para ter dor. Essa é uma informação que ainda surpreende muita gente no consultório. Às vezes a paciente diz que é só uma cólica, mas quando a gente aprofunda, ela conta que deixa de sair, falta compromisso, precisa ficar deitada ou usa bolsa de água quente porque não consegue seguir a rotina. Isso já mostra que existe um impacto real na vida dela e que isso precisa ser investigado.”
A dor pode começar ainda na adolescência e piorar com o passar do tempo. Quanto mais cedo a mulher reconhece que há algo fora do esperado, maior a chance de iniciar a investigação de forma adequada.
Quais sintomas podem indicar endometriose
Além da cólica menstrual intensa, outros sinais podem acender o alerta para a doença. Entre os mais comuns estão dor na relação sexual, dor para evacuar, especialmente durante o período menstrual, alterações urinárias, como sangue na urina, ardência ao urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e vontade de urinar mais vezes, sangue nas fezes, distensão abdominal, sensação frequente de inchaço e infertilidade.
De acordo com a médica, um dos erros mais comuns é minimizar sintomas que se repetem mês após mês.
“Dor na relação sexual não é para ter. Dor para evacuar também não é para ter. Muitas pacientes vão somando sintomas, mas acabam aprendendo a conviver com eles como se fossem normais. E esse é um dos motivos pelos quais a endometriose ainda demora tanto para ser diagnosticada.”
Por que o diagnóstico costuma demorar
Na prática, o atraso no diagnóstico da endometriose ainda é uma realidade. Isso acontece por diferentes motivos: a mulher normaliza a dor, a família minimiza os sintomas e, em alguns casos, a investigação médica inicial não aprofunda a hipótese da doença.
“Primeiro a paciente acredita que aquilo é normal. Depois a família reforça essa percepção. E muitas vezes ela chega ao consultório e ouve a mesma coisa. Até encontrar um profissional que saiba ouvir, suspeitar e pedir o exame correto, ela já percorreu um caminho longo demais.”
A Dra. Tamara explica que identificar a doença precocemente faz diferença não apenas no controle dos sintomas, mas também no planejamento reprodutivo e na qualidade de vida da mulher.
“Quando a gente consegue diagnosticar cedo, principalmente em pacientes mais jovens, isso muda muito a trajetória daquela mulher. Muitas pacientes só descobrem a endometriose quando querem engravidar e não conseguem. O ideal é não chegar nesse ponto sem investigação.”
Quais exames ajudam a investigar a endometriose
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que uma ultrassonografia ginecológica de rotina sempre será suficiente para detectar a doença. Em muitos casos, isso não acontece, especialmente quando se trata de endometriose profunda.
“A paciente às vezes fala: ‘Mas eu faço ultrassom todo ano e nunca apareceu nada’. Só que não é qualquer exame que vai mostrar a endometriose. Em muitos casos, a gente precisa de uma ultrassonografia transvaginal com preparo para mapeamento de endometriose ou de uma ressonância feita com esse objetivo. É uma investigação direcionada.”
Segundo a médica, quando a doença aparece com clareza em um exame habitual, muitas vezes o quadro já está mais avançado.
“Quando a endometriose aparece numa ultrassonografia de rotina, muitas vezes ela já está mais evidente, mais avançada. O ideal é investigar antes, com o exame certo, quando os sintomas mostram que existe alguma coisa fora do padrão.”
Endometriose pode causar infertilidade?
A relação entre endometriose e fertilidade ainda gera muitas dúvidas e medo entre as pacientes. A especialista reforça que o diagnóstico não deve ser encarado como sinônimo de infertilidade, embora a doença possa, sim, estar associada a dificuldades para engravidar em alguns casos.
“Uma das primeiras perguntas da paciente é se ela vai conseguir ter filhos. E o que a gente precisa deixar claro é que endometriose não é sinônimo de infertilidade. Ela pode afetar a fertilidade, mas isso não acontece em todos os casos. O mais importante é fazer o diagnóstico cedo e conduzir essa paciente da forma correta.”
O acompanhamento precoce permite avaliar melhor o quadro, reduzir o processo inflamatório e organizar o tratamento conforme o momento de vida da paciente.
“Quando a mulher descobre a doença mais cedo, a gente consegue cuidar melhor da inflamação, orientar tratamento e acompanhar essa paciente de forma mais estratégica para o futuro reprodutivo dela.”
Nem todo caso de endometriose precisa de cirurgia
Embora muitas mulheres associam o diagnóstico de endometriose imediatamente à cirurgia, a médica afirma que nem toda paciente precisará passar por procedimento cirúrgico. O tratamento depende do quadro clínico, da intensidade dos sintomas, da resposta ao tratamento clínico, do desejo de engravidar e do comprometimento de órgãos.
“Nem toda endometriose precisa ser operada. Existem pacientes que vão ser acompanhadas clinicamente, com bloqueio hormonal, controle da inflamação, mudança de hábitos e acompanhamento multidisciplinar. A cirurgia entra quando existe uma indicação real.”
Entre as situações em que a cirurgia pode ser considerada estão dor persistente mesmo com tratamento clínico, infertilidade relacionada à doença e quadros em que a endometriose compromete a função de estruturas nobres, como intestino e aparelho urinário. Outra indicação ocorre quando a doença acomete locais específicos do intestino, como o apêndice e cecocal.
Quando a cirurgia é indicada
Para a Dra. Tamara, um dos pontos mais importantes é que a cirurgia, quando necessária, seja feita com planejamento e por equipe preparada.
“A gente não quer operar a paciente para descobrir o que tem e depois operar de novo. O objetivo é fazer uma cirurgia única, resolutiva, com planejamento, com mapeamento da doença e com uma equipe preparada para o que vai encontrar.”
Ela explica que, antes da cirurgia, é fundamental entender a extensão da endometriose e quais estruturas estão envolvidas. Isso aumenta a segurança do procedimento e ajuda a definir a melhor estratégia para cada caso.
Como é a cirurgia da endometriose
Nos casos em que a cirurgia é indicada, a abordagem mais utilizada é a laparoscopia, técnica minimamente invasiva feita com pequenas incisões no abdome. Por esses acessos, são introduzidos câmera e instrumentos delicados que permitem tratar a doença com maior precisão.
“A laparoscopia é uma cirurgia minimamente invasiva. A câmera entra pelo umbigo, e os outros acessos são muito pequenos, menores que um centímetro. Isso permite tratar a doença com mais precisão, menos trauma cirúrgico e uma recuperação muito melhor para a paciente.”
A principal vantagem da técnica é possibilitar um tratamento cirúrgico mais eficaz e menos agressivo em comparação com as cirurgias abertas, já que a laparoscopia permite melhor visualização das estruturas pélvicas em detalhes. Isso favorece uma abordagem mais precisa, com menor risco de aderências no pós-operatório, o que também contribui para uma melhora dos sintomas da paciente
“Hoje, quando a cirurgia está indicada, a abordagem minimamente invasiva mudou completamente a experiência da paciente. A recuperação é mais rápida, o tempo de internação é menor e as incisões são pequenas.”
Como costuma ser o pós-operatório
Uma das dúvidas mais frequentes entre as pacientes é sobre a recuperação após a cirurgia. Segundo a médica, a laparoscopia trouxe avanços importantes também nesse aspecto.
“Em muitos casos, a paciente opera de manhã e tem alta no mesmo dia, ou no dia seguinte pela manhã. Ela consegue levantar mais cedo, se alimentar mais cedo, andar mais cedo. Isso ajuda na recuperação e reduz complicações.”
Além da recuperação funcional mais rápida, a técnica também tende a deixar cicatrizes menores.
“As incisões são pequenas, e isso também torna o pós-operatório mais confortável. Mas o mais importante não é só a estética. É o fato de ser uma cirurgia menos agressiva, com recuperação geralmente mais rápida e melhor experiência para a paciente.”
O tratamento vai além da cirurgia
Mesmo quando não há indicação cirúrgica, ou mesmo depois do procedimento, a endometriose exige acompanhamento contínuo. Por ser uma doença inflamatória crônica, o tratamento costuma envolver diferentes frentes.
“A endometriose é uma doença crônica. Então, muitas vezes, a paciente precisa de bloqueio hormonal, alimentação anti-inflamatória, atividade física, fisioterapia pélvica e acompanhamento próximo. Não é um cuidado isolado, é um cuidado contínuo e individualizado.”
A médica destaca que compreender a doença é parte importante do tratamento. Quando a paciente entende o quadro e participa ativamente do processo, a adesão costuma ser melhor.
“Quando a mulher entende o que tem e por que precisa tratar, o resultado costuma ser muito melhor. Muitas vezes ela sai de um cenário de dor constante para uma vida muito mais estável e com muito mais qualidade.”
É possível prevenir a endometriose?
Não existe uma forma absoluta de prevenir a endometriose. Ainda assim, alguns cuidados podem ajudar na atenção à saúde ginecológica, no controle da inflamação e na identificação precoce de sinais de alerta.
“A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Então a paciente precisa entender que estilo de vida importa. Alimentação adequada, atividade física, sono e acompanhamento fazem parte do tratamento e também ajudam essa mulher a perceber mais cedo quando algo não vai bem.”
A Dra. Tamara reforça que hábitos saudáveis são aliados importantes, mas não substituem a investigação médica quando há sintomas.
“Mesmo uma mulher com hábitos saudáveis pode ter endometriose. Por isso, além do cuidado com a rotina, é fundamental não normalizar sintomas como dor menstrual intensa, dor na relação e alterações intestinais no período menstrual.”
Acolhimento também faz diferença
A ginecologista ressalta que a escuta cuidadosa continua sendo um ponto central no atendimento de mulheres com suspeita ou diagnóstico de endometriose.
“Eu não quero começar a consulta olhando o exame. Primeiro eu quero ouvir. Quero entender por que ela chegou ali, o que ela sente, o que já ouviu antes e como aquilo interfere na vida dela. Muitas vezes a paciente nunca teve esse espaço.”
Para a especialista, acolher não significa reduzir o peso técnico da medicina, mas fortalecer a qualidade da investigação e do cuidado.
“A mulher já chega cansada, às vezes com vergonha, às vezes com medo. Se ela não encontra escuta, ela não consegue contar a história dela inteira. E, na endometriose, essa história faz muita diferença.”
Quem é a Dra. Tamara Paz
A Dra. Tamara Paz é ginecologista e obstetra, com atuação voltada à saúde da mulher, endometriose, cirurgia ginecológica minimamente invasiva, histeroscopia e laparoscopia. Em sua prática clínica, trabalha com investigação cuidadosa, tratamento individualizado e acompanhamento próximo das pacientes.
A médica atende na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com foco em condições que impactam a saúde feminina em diferentes fases da vida.
CRM: 5291802-4/RJGinecologia e Obstetrícia - RQE: 36008Laparoscopia e Histeroscopia - RQE: 36009
Instagram: @dratamarapazSite: https://www.tamarapazginecologista.com

Fotógrafa: Gabriela Coelho Naccari
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