
Dr. Marley Filho explica sinais da escoliose em crianças
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Com a chegada de junho, a escoliose ganha mais visibilidade por meio do Junho Verde, campanha mundial de conscientização que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado da condição. A mobilização chama atenção para um problema de saúde que, segundo estimativas atribuídas à Organização Mundial da Saúde, pode atingir entre 2% e 4% da população mundial, com impacto especialmente relevante entre crianças e adolescentes em fase de crescimento.
Ao longo do mês, sociedades médicas ligadas à coluna no Brasil e em outros países ampliam a divulgação de informações sobre sinais, prevenção e possibilidades de tratamento. A proposta é aproximar o tema das famílias e estimular um olhar mais atento para alterações corporais que, quando identificadas cedo, podem ser acompanhadas com mais precisão.
Alterações na postura durante a infância e a adolescência podem passar despercebidas no dia a dia. Ombros em alturas diferentes, escápulas assimétricas, cintura ou quadril desalinhados, inclinação do corpo para um lado ao ficar de pé, giba costal (protuberância nas costelas) ao inclinar pra frente são sinais que merecem atenção dos pais, especialmente durante a fase de crescimento.
A escoliose é uma deformidade da coluna que pode ter diferentes causas: congênita, de início precoce, sindrômica, neuromuscular, idiopática - sendo esta a forma mais comum e que geralmente se desenvolve na adolescência.
Cerca de 8 milhões de brasileiros vivem com escoliose, uma condição que merece atenção, diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.
Assim como em muitas outras doenças, quanto antes a escoliose é identificada, maiores são as chances de conduzir o tratamento no momento certo, muitas vezes de forma conservadora, evitando a progressão da curvatura.
No Brasil, porém, ainda enfrentamos um grande desafio: o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Em muitos casos, mesmo quando o diagnóstico é realizado no tempo correto, o paciente demora anos para iniciar o tratamento. Um estudo da Sociedade Brasileira de Coluna aponta que esse intervalo pode chegar a cerca de 4 anos.
Esse atraso é preocupante porque pode fazer com que curvaturas que poderiam ser tratadas com observação, fisioterapia específica ou uso de colete evoluam para casos cirúrgicos.
A boa notícia é que, quando o paciente recebe o acompanhamento correto no momento adequado, é possível levar uma vida absolutamente normal.
Para Marley Filho, ortopedista especialista em coluna vertebral, o mais importante é observar sem alarme, mas também sem negligência. O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de acompanhamento e ajudar a família a compreender melhor o quadro.
O que pode indicar escoliose
A escoliose pode se manifestar por alterações sutis. Em casa, os pais podem perceber um ombro mais alto que o outro, diferença no alinhamento dos quadris, uma escápula mais evidente, mudança na simetria da cintura, uma saliência nas costas ao curvar o corpo para frente ou inclinação do tronco para um dos lados.
No consultório, a investigação começa pelo exame físico. Dr. Marley Filho cita que inspeção estática do paciente é fundamental e ajudam a levantar suspeitas : assimetria dos ombros (um mais elevado que o outro quando o paciente visto de frente) e a manobra de Adams, em que o paciente inclina o tronco para frente e então observamos o paciente de costas e também de frente buscando se há a presença da gibosidade (uma saliência na região das costelas principalmente) e também a descompensação da linha de prumo do paciente, são os principais.
“Na manobra de Adams, pedimos que o paciente incline o tronco para frente, com braços e joelhos estendidos. E o observamos de costas e de frente. Essa posição permite observar gibosidades, devido a rotação da coluna causada pela escoliose, as costelas ficam em uma posição anômala e que podem não aparecer quando a criança está apenas em pé. Também existe a assimetria do triângulo de talhe, conhecida como medida do alfaiate, em que avaliamos assimetrias entre a região medial do braço e o tronco; quando um lado está diferente do outro, isso pode sugerir escoliose. O exame físico começa a contar a história do paciente antes mesmo do raio X.”
A confirmação do diagnóstico, porém, depende de avaliação médica especializada e exames de imagem.
Outros achados também podem orientar a investigação, como descompensação da linha de prumo do paciente, ombros (um mais elevado que o outro quando o paciente é visto de frente), alterações de pele que, em situações específicas, podem sugerir doenças associadas.
Por que o crescimento exige atenção
Uma das apresentações mais conhecidas é a escoliose idiopática do adolescente. O termo é usado quando não há uma causa única claramente definida para a alteração. Nesses casos, a fase de crescimento é decisiva, porque a curva pode evoluir enquanto o corpo ainda está em desenvolvimento.
Em meninas, a data da primeira menstruação pode ajudar o especialista a estimar o período de crescimento restante. Essa informação, somada à idade, à angulação da curva e aos exames, contribui para definir se o caso pede apenas acompanhamento, uso de colete, fisioterapia ou cirurgia em situações específicas.
“A escoliose idiopática do adolescente é uma das formas mais frequentes. Quando avaliamos esse paciente, não olhamos apenas para a radiografia. A idade, a fase de crescimento, a angulação da curva e a evolução da curva nos últimos meses ajudam a definir o melhor caminho de tratamento.”
Diagnóstico não significa cirurgia
Receber o diagnóstico de escoliose costuma provocar medo. Muitas famílias associam imediatamente o problema à necessidade de operação, mas a indicação cirúrgica não é automática. A conduta depende da angulação da curva, da idade, da maturidade óssea, da causa da escoliose, da presença de sintomas e do risco de progressão.
Em quadros mais leves, pode haver apenas observação periódica. Em outros, o tratamento conservador pode envolver fisioterapia, exercícios específicos e colete. A cirurgia fica reservada para situações selecionadas, após análise individual do caso.
“Muitas famílias chegam angustiadas, imaginando que escoliose significa cirurgia. Procuro explicar que a decisão depende de vários fatores, especialmente da angulação na radiografia – medida pelo ângulo de Cobb e da fase de crescimento. Quando o tratamento é conservador, também é importante mostrar que o diagnóstico não deve ser visto como um estigma.”
Essa orientação ajuda a reduzir o peso emocional do diagnóstico. A criança ou o adolescente precisa compreender o tratamento sem se sentir limitado pela condição.
O papel do colete no tratamento
O colete é uma das possibilidades de tratamento conservador em determinados casos de escoliose. A indicação depende da avaliação médica, e a adesão costuma ser um dos maiores desafios, sobretudo na adolescência.
Modelos antigos, mais rígidos e visíveis, frequentemente geravam constrangimento. Hoje, segundo Dr. Marley Filho, há opções moldadas ao corpo do paciente que podem reduzir o impacto social do uso.
“Durante muito tempo, alguns coletes eram grandes, desconfortáveis e muito visíveis, o que dificultava a adesão. Atualmente, existem modelos moldados para o paciente, como o colete em 3D, ou de Rigo Chêneau que podem ficar menos perceptíveis sob a roupa e facilitar a adaptação. Ainda assim, o tratamento exige orientação clara, acompanhamento regular e participação da família.”
A participação familiar é decisiva. Cobrança excessiva pode gerar resistência, mas a falta de acompanhamento também compromete o processo. O equilíbrio está em apoiar o adolescente, esclarecer dúvidas e manter o seguimento médico.
Quando a cirurgia entra em discussão
Em casos específicos, a cirurgia é o tratamento. Isso ocorre principalmente quando há progressão importante da curva, maior risco de deformidade ou prejuízo funcional, como compressão do pulmão por exemplo. A decisão exige planejamento e deve ser tomada a partir de critérios clínicos e radiológicos.
Na escoliose, o tratamento cirúrgico tem características próprias. Diferentemente de algumas doenças da coluna em adultos, como determinados casos de hérnia de disco, a cirurgia para deformidade exige osteotomias, costoplastia, passagem de parafusos para corrigir essa deformidade.
“Na escoliose, a cirurgia endoscópica não se aplica da mesma forma que em outras patologias da coluna. A correção das deformidades exige um grande domínio de técnicas avançadas, como osteotomias, colocação de parafusos em vértebras muito rodadas, para corrigir. A tecnologia auxilia no planejamento e na segurança, mas a indicação precisa respeitar a causa da escoliose, o grau da curva e as condições de cada paciente.”
O avanço das técnicas também aconteceu no tratamento de escoliose, Dr. Marley Filho cita uma técnica que pode ser considerada menos invasiva que a artrodese longa, a técnica bipolar, de um francês Dr. Miladi, uma técnica nova que quebra alguns paradigmas, onde realizamos duas pequenas incisões na parte proximal e distal de aproximadamente 8 cm, trazendo menor sangramento, menor tempo de cirurgia e que pode trazer uma correção tão boa quanto a tradicional artrodese longa. e é um dos recursos cirúrgicos pode contribuir para melhores resultados, mas não elimina a necessidade de avaliação caso a caso. Em saúde, a tecnologia não deve substituir o raciocínio clínico. ” Não é o paciente que deve ser adaptar a técnica, é a técnica que deve servir ao paciente”
Movimento, força e qualidade de vida
A escoliose não deve ser tratada apenas como uma alteração da coluna observada em exames. O impacto na rotina, na autoestima, na prática de atividades físicas e na relação da família com o diagnóstico também precisa ser considerado.
Para o Dr. Marley Filho, o cuidado com a coluna passa por manter o corpo ativo, fortalecer a musculatura e preservar a mobilidade. Essa lógica vale tanto para pacientes em acompanhamento conservador quanto para aqueles que passam por tratamento cirúrgico, sempre respeitando as orientações médicas.
“A coluna precisa, ao longo da vida, de músculos fortes e articulações móveis. Isso vale para a escoliose e para outros problemas da coluna. O tratamento deve olhar para a estrutura, mas também para a função, a rotina e a qualidade de vida do paciente, coluna é estrutura, movimento é vida”
A mensagem para os pais é direta: observar alterações persistentes, procurar avaliação quando houver dúvida e evitar conclusões precipitadas. Nem toda assimetria indica um problema grave, mas sinais progressivos durante o crescimento merecem atenção.
Quem é Dr. Marley Filho
Marley Soares de Souza Filho é médico ortopedista com atuação em cirurgia da coluna. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Coluna, construiu sua formação entre o Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro, onde realizou residência médica em Ortopedia e Traumatologia, e a Santa Casa de Misericórdia de Vitória, onde realizou sua formação em cirurgia da coluna ao lado do cirurgião Charbel Jacob.
Também fez pós-graduação em cirurgia endoscópica da coluna pela USP de Ribeirão Preto, área que integra à sua prática atual ao lado do atendimento a casos de hérnia de disco, estenose, fraturas, tumores, deformidades e coluna pediátrica. Em sua atuação, defende uma medicina baseada em ética, atualização constante e escuta do paciente, com atenção não apenas ao exame de imagem, mas ao impacto da dor e das limitações na rotina, na família e na qualidade de vida.
CRM/ES: 14870 | RQE: 13056 | TEOT 18766
Instagram: @marleyfilho_
Site: https://www.drmarleyfilho.com

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