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Estado de São Paulo tem 23 mortes por febre maculosa no primeiro semestre

Professora do curso de Veterinária explica como a doença é transmitida e orienta as sobre como se prevenir

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REDAÇÃO BAND VALE

12/08/2026 • 18:33 • Atualizado em 12/08/2026 • 18:33

Estado de São Paulo tem 23 mortes por febre maculosa

Estado de São Paulo tem 23 mortes por febre maculosa

Reprodução

O Estado de São Paulo contabilizou, no primeiro semestre de 2026, 24 casos confirmados e 23 óbitos por febre maculosa, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). Entre os casos confirmados, estão Campinas, com sete ocorrências; Piracicaba, com seis; Sorocaba, com três; Santo André, com uma; São João da Boa Vista, com uma; e São José dos Campos, com uma. Para os cinco casos restantes, os locais prováveis de infecção seguem em investigação.

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São José dos Campos registrou uma morte por febre maculosa segundo o painel da doença elaborado pelo Ministério da Saúde, atualizado em 3 de julho com dados referente até o mês de junho.

Segundo o painel, São José dos Campos tem 45 casos suspeitos; Guaratinguetá e Cruzeiro têm, cada uma, dois casos notificados; Taubaté e Santa Branca têm 3 casos cada uma; Jacareí, 4 casos notificados; São Sebastião, 5 casos, com um caso confirmado; e Ubatuba tem 6 casos notificados.

Transmissão

A Febre Maculosa Brasileira é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é transmitida por picadas de carrapatos do gênero Amblyomma, conhecido como carrapato estrela. Os carrapatos transmitem a doença durante o período em que ficam aderidos à pele se alimentando de sangue, em diferentes fases do seu ciclo de vida (desde as mais jovens até o estágio adulto).

A Professora Fabia Judice Marques, coordenadora de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, explica que a febre maculosa “pode estar relacionada tanto às pessoas quanto aos animais”.

Os animais, inclusive os cães, podem transportar carrapatos infectados e contribuir para a exposição das pessoas. Porém, a doença não costuma ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra, ou do animal diretamente para a pessoa; o principal risco é a picada do carrapato infectado.

Prevenção

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo desenvolve ações integradas para reduzir a incidência e a letalidade da febre maculosa, com foco na detecção precoce, investigação oportuna e resposta rápida aos casos humanos. A professora Fabia Marques orienta que, para se prevenir, as pessoas evitem áreas com grande presença de carrapatos, principalmente locais de mata e vegetação alta.

Além disso, ela recomenda o uso de roupas claras, calças compridas, meias e calçados fechados em áreas de risco; fazer inspeção frequente no corpo e nos animais após retornar dessas áreas; e controlar a presença de carrapatos nos animais com orientação de um médico-veterinário.

Entre as principais estratégias para prevenção da doença estão a notificação compulsória e investigação epidemiológica de todos os casos suspeitos e óbitos, o monitoramento contínuo, a identificação dos locais prováveis de infecção, o fortalecimento do diagnóstico laboratorial, o treinamento permanente dos profissionais de saúde para reconhecimento precoce da doença e início imediato do tratamento.

Sintomas

O médico Infectologista e Epidemiologista, Leandro Mendes, de Bragança Paulista, explica que a Febre Maculosa Brasileira pode se manifestar de diferentes maneiras. “Nas suas fases iniciais e formas leves, ela pode se parecer muito com outras doenças febris agudas, como a dengue, por exemplo, com febre, dor de cabeça e dores pelo corpo. O nome “febre maculosa” vem de manchas que podem aparecer pelo corpo alguns dias após o início da doença”, diz o médico.

A partir do terceiro dia, podem aparecer manchas avermelhadas na pele, seguidas de pequenas lesões arroxeadas, principalmente nas mãos e nos pés, indicando a evolução para uma fase mais grave da doença. Gangrena nos dedos e orelhas são sintomas mais avançados, assim como uma paralisia que se inicia nas pernas e sobe até os pulmões.

Na sua forma grave, a infecção pode causar disfunção de múltiplos órgãos como fígado, rins, e o sistema nervoso central, inclusive causando falência circulatória e morte. O infectologista alerta que a doença pode progredir rapidamente da fase inicial pra formas graves, por isso o tratamento precoce é essencial.

A Professora Fabia Judice Marques, coordenadora de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, explica que o carrapato deve ser removido o mais rápido possível, usando uma pinça de ponta fina.

Deve-se segurar o carrapato bem próximo à pele e puxá-lo lentamente para cima, com firmeza e sem torcer ou esmagar. Depois, deve-se lavar o local com água e sabão. Não é recomendado colocar álcool, óleo, vaselina, esmalte ou outras substâncias sobre o carrapato, nem queimá-lo.