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Felipe Goulart: diagnóstico precoce amplia escolhas no câncer de próstata

Urologista explica como idade, risco do tumor e condições clínicas orientam a escolha entre acompanhamento e cirurgia.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

06/08/2026 • 14:21 • Atualizado em 06/08/2026 • 14:21

Felipe Goulart: diagnóstico precoce amplia escolhas no câncer de próstata

Felipe Goulart: diagnóstico precoce amplia escolhas no câncer de próstata

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O medo do câncer de próstata não está relacionado apenas à doença. Para muitos homens, a possibilidade de alterações na função sexual e no controle urinário também influencia a decisão de procurar atendimento médico.

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Esse receio pode provocar o adiamento da avaliação urológica e dificultar a identificação do tumor em uma fase inicial. Segundo o urologista Felipe Goulart Nehrer, informar o paciente sobre os possíveis caminhos de investigação e tratamento é fundamental para reduzir tabus e permitir decisões mais conscientes.

“Alguns pacientes evitam o rastreamento porque associam o tratamento do câncer de próstata à disfunção erétil. O medo das repercussões na vida sexual pode fazer com que prefiram não investigar, mesmo diante do risco de a doença avançar silenciosamente”, explica.

O câncer de próstata não apresenta o mesmo comportamento em todos os pacientes. A idade, o histórico familiar, as condições gerais de saúde e as características do tumor influenciam a escolha da conduta.

Por essa razão, receber o diagnóstico não significa necessariamente que o paciente será submetido de imediato a uma cirurgia, radioterapia ou tratamento medicamentoso. Em determinados casos, o acompanhamento pode ser a opção mais adequada.

Como funciona o rastreamento do câncer de próstata

A avaliação da próstata pode incluir o exame de PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, além do exame clínico e do toque retal. Dependendo dos resultados, o médico também pode solicitar exames de imagem ou biópsia.

O PSA é uma proteína produzida pela próstata. Uma alteração no exame não confirma, isoladamente, a presença de câncer, pois outras condições também podem modificar seus níveis. O resultado deve ser interpretado em conjunto com o histórico e a avaliação clínica do paciente.

O toque retal permite examinar características da próstata que não são identificadas apenas pelo PSA, como consistência, formato e presença de possíveis alterações. A indicação de cada exame deve ser discutida individualmente.

“O toque retal ainda provoca insegurança em alguns homens por uma questão cultural. Quando o procedimento é explicado com clareza, o paciente compreende que se trata de uma avaliação médica, realizada em benefício da própria saúde e sem qualquer relação com sua identidade ou sexualidade”, afirma Felipe.

Quando o acompanhamento deve começar

A idade indicada para iniciar a avaliação depende do perfil de risco. De acordo com Felipe, homens sem fatores de risco conhecidos costumam começar essa conversa com o urologista a partir dos 50 anos.

A avaliação pode ser antecipada para os 45 anos em pessoas negras e em homens com histórico de câncer de próstata entre familiares próximos. Alterações genéticas específicas também podem aumentar o risco e exigir acompanhamento individualizado.

“A definição do momento de começar o rastreamento não deve considerar apenas a idade. Histórico familiar, ancestralidade e predisposição genética ajudam a identificar quem pode precisar de uma avaliação mais precoce e de um acompanhamento mais atento”, esclarece o urologista.

Essas referências não substituem uma análise individual. O estado geral de saúde, a expectativa de vida e os possíveis benefícios e riscos da investigação devem ser considerados na decisão compartilhada entre médico e paciente.

Diagnóstico precoce pode evitar tratamentos mais intensos

Quando o câncer de próstata é identificado em uma fase inicial, o médico pode avaliar diferentes estratégias. A escolha depende do grau de agressividade, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente.

Tumores localizados e com características de baixo risco podem, em situações selecionadas, ser acompanhados por meio da vigilância ativa. Nessa abordagem, não há início imediato de cirurgia ou radioterapia.

O paciente permanece sob controle médico regular, com exames laboratoriais, avaliações clínicas, exames de imagem e, quando necessário, novas biópsias. Caso sejam identificados sinais de progressão, a estratégia pode ser revista.

“Vigilância ativa não significa dar alta nem ignorar o tumor. É um acompanhamento oncológico estruturado, que permite observar a evolução da doença e iniciar o tratamento no momento adequado, caso isso se torne necessário”, destaca Felipe.

O objetivo é evitar intervenções e possíveis efeitos adversos enquanto o tumor permanecer com baixo risco de progressão. Essa possibilidade, contudo, não se aplica a todos os diagnósticos.

“Em pacientes criteriosamente selecionados, é possível preservar a qualidade de vida e adiar um tratamento invasivo sem comprometer o controle oncológico. A segurança dessa conduta depende de acompanhamento rigoroso e adesão aos exames programados”, acrescenta.

Cirurgia robótica não é realizada de forma autônoma

Quando a cirurgia é indicada, a técnica robótica pode ser considerada entre as possibilidades de tratamento. Apesar da denominação, o equipamento não toma decisões nem executa o procedimento de maneira independente.

O cirurgião permanece no controle de todos os movimentos por meio de um console. Os instrumentos reproduzem os comandos realizados pelo profissional, enquanto outros integrantes da equipe acompanham o paciente junto à mesa cirúrgica.

“A plataforma robótica é uma ferramenta controlada integralmente pelo médico. Ela amplia a visualização do campo operatório e permite movimentos precisos, mas a estratégia, as decisões e a execução da cirurgia continuam sob responsabilidade da equipe”, explica o urologista.

A visão ampliada e a precisão dos instrumentos podem favorecer a atuação em uma região anatômica delicada. Como o procedimento é realizado por pequenas incisões, pode haver menor perda de sangue, redução do período de internação e retorno mais rápido a algumas atividades, em comparação com a cirurgia aberta.

Esses benefícios não representam garantia de resultado. A recuperação e o risco de complicações dependem de fatores como estágio do tumor, anatomia, idade, condições clínicas, experiência da equipe e resposta individual.

Função sexual e continência exigem orientação individual

A possibilidade de disfunção erétil e incontinência urinária está entre as principais preocupações dos pacientes submetidos ao tratamento do câncer de próstata.

O impacto sobre essas funções varia de acordo com a extensão da doença, a técnica empregada, as condições anteriores do paciente e a necessidade de terapias complementares.

A cirurgia robótica pode favorecer a preservação de estruturas próximas à próstata em alguns casos, mas não elimina o risco de alterações temporárias ou permanentes.

“A conversa sobre função erétil e incontinência urinária precisa ocorrer antes do tratamento. O paciente deve conhecer os riscos, as possibilidades de recuperação e os recursos de reabilitação, para que participe da decisão com expectativas realistas”, orienta Felipe.

O acompanhamento após o procedimento pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico, medidas de reabilitação sexual e avaliações periódicas. A indicação de cada recurso depende da evolução clínica.

PSA também é usado após o tratamento

O PSA é uma proteína produzida principalmente pela próstata e medida por meio de um exame de sangue. Antes do diagnóstico, esse marcador pode ajudar na investigação de possíveis alterações na glândula, embora seu resultado, isoladamente, não seja suficiente para confirmar a presença de câncer.

Após a cirurgia para retirada da próstata, o exame continua sendo utilizado para acompanhar a resposta ao tratamento. Como grande parte do tecido responsável pela produção do PSA foi removida, espera-se que seus níveis fiquem muito baixos. Por isso, mudanças observadas ao longo do tempo podem indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada.

O resultado do exame anatomopatológico, realizado no tecido retirado durante a cirurgia, também ajuda a definir a frequência das consultas e a eventual necessidade de exames ou tratamentos complementares.

“O PSA permanece como uma ferramenta importante depois da cirurgia. Mais do que observar um resultado isolado, acompanhamos o comportamento desse marcador ao longo do tempo e relacionamos essa evolução às características identificadas na análise do tumor”, explica Felipe.

Os intervalos entre os exames variam conforme o quadro clínico e os achados de cada paciente. Caso o PSA apresente uma alteração considerada relevante, o médico pode solicitar exames de imagem ou outras investigações para compreender a causa.

Informação ajuda a reduzir o medo da consulta

Vergonha, receio do toque retal e preocupação com a sexualidade ainda afastam alguns homens do consultório. Para Felipe, a criação de um vínculo de confiança ajuda o paciente a conversar sobre sintomas que, muitas vezes, nunca compartilhou com familiares ou amigos.

A circulação de informações sobre saúde também contribuiu para uma mudança gradual nesse comportamento. Ainda assim, conteúdos publicados nas redes sociais não substituem a avaliação médica nem devem ser utilizados para definir exames ou tratamentos.

A investigação do câncer de próstata deve considerar o perfil de risco e as condições clínicas de cada pessoa. Sintomas urinários, histórico familiar ou dúvidas sobre rastreamento justificam uma conversa individualizada com um profissional.

“Muitos homens guardam suas dúvidas por vergonha e chegam ao consultório falando pela primeira vez sobre sexualidade, dificuldade para urinar ou medo do câncer. O acolhimento é importante para que eles compreendam o problema e participem ativamente do cuidado”, conclui o urologista.

Quem é Felipe Goulart Nehrer

Felipe Goulart Nehrer formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde teve contato com uma formação voltada à ética, à escuta e à compreensão do paciente para além do diagnóstico. Após deixar o Rio de Janeiro e estabelecer-se em São Paulo, especializou-se em Cirurgia Geral no Hospital Municipal do Campo Limpo e em Urologia no Hospital do Servidor Público Municipal.

Sua trajetória também inclui experiência no ensino médico e participação na produção de conteúdos acadêmicos em Urologia, com capítulos elaborados para publicações da Sociedade Brasileira de Urologia e atuação docente na Universidade Nove de Julho. Para Felipe, ensinar contribuiu para tornar a comunicação médica mais clara e próxima da realidade de quem chega ao consultório sem familiaridade com termos técnicos.

Atualmente, atua no atendimento urológico, na oncologia urológica, em cirurgias minimamente invasivas e robóticas e no transplante renal. Também coordena a área de Urologia no Dr. Consulta e integra atividades assistenciais na Beneficência Portuguesa, incluindo o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde.

Em sua prática, procura associar conhecimento técnico, clareza na orientação e acolhimento. A proposta é oferecer ao paciente condições para compreender o diagnóstico, participar das decisões e atravessar o tratamento com segurança, confiança e acompanhamento individualizado.

CRM: 165304/SP RQE Nº: 88196Instagram: @dr_felipe_goulart_urologia

Site: https://www.drfelipegoulart.com.br/

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