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Fernanda Rios fala sobre ninfoplastia, laser e saúde íntima

Ginecologista explica quando a ginecologia regenerativa pode estar ligada a dor, desconforto, função e autoestima feminina

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12/05/2026 • 15:39 • Atualizado em 12/05/2026 • 15:39

Fernanda Rios fala sobre ninfoplastia, laser e saúde íntima

Fernanda Rios fala sobre ninfoplastia, laser e saúde íntima

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Dor durante a relação sexual, ressecamento vaginal, escapes urinários leves, incômodo com roupas apertadas e insegurança com a aparência íntima ainda são queixas silenciadas por muitas mulheres. Em alguns casos, esses sinais são vistos como consequência natural do envelhecimento, da maternidade ou da menopausa. Em outros, a vergonha impede que o assunto chegue ao consultório.

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A ginecologia regenerativa surge nesse cenário como uma área voltada ao cuidado da saúde íntima feminina de forma funcional e, quando necessário, estética. Segundo a médica Fernanda Rios, o objetivo não é criar padrões para o corpo da mulher, mas avaliar sintomas, desconfortos e impactos na qualidade de vida.

“A ginecologia regenerativa, como o nome sugere, busca regenerar tecidos que podem estar empobrecidos por diferentes fatores. Isso pode envolver atrofias genitais, ressecamento vaginal relacionado à queda de estrogênio, alterações após tratamentos oncológicos e até perdas urinárias leves a moderadas, quando ainda não há indicação cirúrgica. Cada caso precisa ser analisado com critério, porque a queixa da paciente é o ponto de partida para qualquer conduta”, explica Fernanda.

O que é ginecologia regenerativa

A ginecologia regenerativa reúne procedimentos e tecnologias que podem ser indicados para melhorar a qualidade dos tecidos da região íntima, a lubrificação, a elasticidade, o conforto e a autoestima da paciente. Entre os recursos mencionados por Fernanda estão o laser íntimo, os bioestimuladores, os preenchimentos e as cirurgias íntimas, como a ninfoplastia.

As indicações variam conforme o quadro clínico. Entre as queixas mais frequentes estão dor na relação sexual, fissuras, ressecamento, flacidez íntima, perda de volume vulvar, alterações decorrentes da menopausa e incômodos relacionados aos pequenos lábios.

A especialista reforça que o atendimento deve partir de escuta cuidadosa e avaliação individual. O que incomoda uma mulher pode não incomodar outra, e a conduta médica não deve ser guiada por comparação ou padronização estética.

“Cada mulher tem sua anatomia, sua história e sua percepção sobre o próprio corpo. A região íntima não pode ser tratada como uma receita única. Quando a paciente relata um incômodo real, avaliamos o que pode ser feito com segurança. Mas também é papel do médico não criar inseguranças onde não existe uma queixa da mulher”, afirma.

Dor na relação não deve ser normalizada

Um dos pontos centrais da ginecologia regenerativa é investigar sintomas íntimos que afetam a vida sexual. Muitas pacientes chegam relatando perda de desejo, mas, em uma análise mais detalhada, o problema pode estar associado à dor, ardência, fissuras ou ressecamento vaginal.

Para Fernanda, esse vínculo entre sexo e desconforto precisa ser levado a sério. Quando a relação sexual passa a ser associada à dor, a libido pode diminuir e a intimidade do casal também pode ser impactada.

“Muitas mulheres dizem que perderam o desejo, mas, na verdade, já associam a relação sexual a dor, ardência ou sofrimento. Algumas apresentam fissuras na entrada da vagina, outras têm ressecamento importante. Quando o contato íntimo machuca, o corpo passa a evitar aquela experiência. Por isso, tratar a causa física também pode ajudar a mulher a se reconectar com a própria sexualidade”, explica.

Laser íntimo pode ser indicado em alguns casos

O laser íntimo é uma das tecnologias utilizadas dentro da ginecologia regenerativa. Segundo Fernanda, o laser de CO₂ pode contribuir para estimular colágeno e melhorar a qualidade do tecido vaginal, especialmente em situações como atrofia, ressecamento e algumas perdas urinárias leves a moderadas.

A indicação, porém, depende de avaliação médica. O procedimento não deve ser tratado como solução universal nem substituir a investigação adequada dos sintomas.

“Quando falamos em estímulo de colágeno, falamos em melhora da qualidade do tecido. Em quadros de atrofia vaginal, por exemplo, o objetivo pode ser favorecer lubrificação e conforto. Em algumas pacientes com perdas urinárias leves ou moderadas, também é possível avaliar essa tecnologia. Mas a indicação precisa considerar histórico, exame físico e expectativa realista de resultado”, diz.

Ninfoplastia: estética, função e indicação correta

A ninfoplastia, cirurgia para redução dos pequenos lábios, é um dos procedimentos mais discutidos dentro da estética íntima. Embora costume ser associada à aparência, a médica explica que muitas pacientes procuram ajuda por desconfortos funcionais.

Entre as queixas citadas estão incômodo com roupas justas, dor ao usar determinadas peças íntimas, atrito durante atividades físicas, desconforto ao andar de bicicleta ou correr, além de dor durante a relação sexual.

“A queixa pode aparecer no uso de uma roupa mais justa, de uma peça íntima específica, durante a prática de esportes ou na relação sexual, quando os pequenos lábios causam atrito e dor. Também existe a vergonha estética, que pode interferir na autoestima e na intimidade. A avaliação precisa diferenciar o que é incômodo funcional, o que é desejo da paciente e o que pode ser influência de padrões irreais”, afirma Fernanda.

A especialista destaca que nem toda paciente que deseja a cirurgia tem indicação. A conversa deve incluir limites anatômicos, cicatrização, sensibilidade, cuidados pós-operatórios e expectativas possíveis.

“Não se pode tratar a ninfoplastia como uma remoção sem critério. Existe anatomia, existe função e existe limite. A paciente precisa compreender o que pode ser feito, o que não deve ser feito e por que, em alguns casos, a melhor conduta é não operar”, reforça.

Menopausa pode intensificar sintomas íntimos

A menopausa e o período que a antecede também aparecem entre os contextos em que a saúde íntima exige atenção. A queda hormonal pode estar relacionada a alterações de humor, insônia, ressecamento vaginal, dor na relação, baixa libido e perda de qualidade de vida.

Fernanda explica que a transição menopausal pode começar anos antes da última menstruação, muitas vezes com sintomas que não são imediatamente associados às mudanças hormonais. Quando esses sinais não são reconhecidos, a mulher pode se sentir culpada, incompreendida e distante da própria vida íntima.

“Antes da menopausa propriamente dita, muitas mulheres já apresentam mudanças importantes. Podem surgir alteração de humor, melancolia, queda da libido, insônia, ressecamento e sensação de não se reconhecer. Quando esse processo não é identificado, a mulher tende a achar que o problema está nela, e isso pode afetar a autoestima, o relacionamento e a qualidade de vida”, observa.

Informação ajuda a reduzir vergonha e atrasos no cuidado

Para a médica, a principal mudança necessária é fazer com que as mulheres falem sobre sintomas íntimos sem medo de julgamento. Dor, ardência, ressecamento, escapes urinários e incômodo com a anatomia íntima devem ser avaliados, especialmente quando interferem na rotina, na sexualidade ou no bem-estar emocional.

A ginecologia regenerativa, segundo Fernanda, deve ser compreendida como uma área de cuidado individualizado, e não como uma tendência estética. A tecnologia pode ser aliada, mas não substitui escuta, diagnóstico e indicação responsável.

“Muitas mulheres carregam vergonha de falar sobre a própria região íntima. Mas, quando existe dor, desconforto ou sofrimento, é importante procurar ajuda. O cuidado precisa ser feito sem julgamento, com responsabilidade e com a compreensão de que saúde íntima também faz parte da qualidade de vida”, conclui.

Quem é Fernanda Rios

Fernanda Rios Bastos Luna é médica ginecologista e obstetra, formada em Medicina em Porto Velho, Rondônia, em 2012. Antes de seguir para a residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola de Saúde Pública, no Ceará, também atuou na medicina do trabalho, experiência que ampliou seu olhar sobre prevenção, rotina e qualidade de vida.

Desde 2016, direciona sua atuação à ginecologia regenerativa e à estética íntima, com foco em saúde íntima feminina, menopausa, tecnologias ginecológicas e ninfoplastia. Sua prática é marcada por uma escuta cuidadosa e por um cuidado humanizado, voltado a acolher mulheres que convivem com dores, desconfortos, inseguranças e tabus relacionados ao próprio corpo.

CRM CE: 14327 | RQE: 9591

Instagram: @drafernandarios

Fotos: Luana Soares dos Santos