
Hérnia de disco: quando a dor na coluna exige investigação
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Dor na coluna não deve ser tratada como algo automaticamente normal, sobretudo quando se torna frequente, limita movimentos ou passa a irradiar para pernas e braços. Entre os quadros mais comuns por trás desse tipo de sintoma está a hérnia de disco, tema recorrente na prática do ortopedista Artur Guerra, especialista em coluna.
De forma acessível, o especialista explica que a hérnia de disco acontece quando parte do conteúdo do disco intervertebral sai do seu espaço original e vai para o compartimento do canal vertebral, causando compressão das estruturas neurológicas. É isso que ajuda a explicar por que, muitas vezes, o problema não se resume a uma dor localizada na coluna.
“Hérnia é quando um conteúdo que deveria estar em um compartimento do organismo passa para outro. Na coluna, isso acontece quando o conteúdo do disco vai para o canal vertebral e pode comprimir estruturas nervosas. Quando o problema está na coluna lombar, a dor pode irradiar para coxas, pernas e pés. Quando está na cervical, pode atingir braços, antebraços e mãos”, explica.
Quais são os sinais de alerta da hérnia de disco
Segundo o médico, a lombalgia está entre as queixas mais frequentes da prática clínica, mas ela nem sempre aparece sozinha. Em boa parte dos casos, vem acompanhada de sinais como formigamento, sensação de fisgada, perda de sensibilidade e redução de força muscular. O problema, afirma, é que muitos pacientes tentam conviver com esses sintomas por tempo demais.
“Viver com dor não é normal. Muitas pessoas dizem que já se acostumaram, mas esse costume pode mascarar um problema que merece avaliação. Quando a dor passa a interferir na rotina, no sono, no humor ou na mobilidade, ela já deixou de ser um sintoma pequeno”, diz.
Um dos pontos mais enfatizados por Artur Guerra é que a investigação não deve se apoiar apenas no exame de imagem. Para ele, a definição do diagnóstico depende da combinação entre o relato do paciente, o exame físico e os achados complementares.
“Eu não trato o exame, eu trato o paciente. Para uma conduta bem feita, é preciso reunir história clínica, exame físico e exame de imagem. Quando uma dessas partes é ignorada, o risco de interpretação errada aumenta”, afirma.
Nem toda hérnia de disco precisa de cirurgia
Essa avaliação individualizada também é determinante na escolha do tratamento. Embora a hérnia de disco seja frequentemente associada à cirurgia, o ortopedista reforça que essa não é a regra. Em muitos casos, o manejo inicial pode ser conservador, com estratégias que incluem medicação, fisioterapia, fortalecimento muscular, pilates e outras abordagens indicadas de acordo com o quadro clínico.
“Nem toda hérnia precisa de cirurgia. Em muitos pacientes, o tratamento não cirúrgico traz controle da dor e melhora funcional. A indicação depende do conjunto da avaliação, da intensidade dos sintomas e do impacto que aquilo está causando na vida da pessoa”, explica.
Entre as medidas que, segundo ele, costumam ter papel importante no cuidado com a coluna, o fortalecimento muscular aparece como destaque. O especialista observa que, muitas vezes, a discussão sobre dor lombar fica restrita ao peso corporal, quando o problema pode estar mais relacionado à falta de condicionamento e sustentação muscular.
“O fortalecimento muscular é uma das chaves no tratamento da coluna. Muitos pacientes associam a dor apenas ao excesso de peso, sendo que o fator principal é a ausência de preparo muscular adequado para proteger essa região no dia a dia”, afirma.
Quando a dor na coluna deixa de ser normal
A cirurgia, por sua vez, costuma entrar em cena em situações específicas, como nos casos em que há perda de força, comprometimento neurológico ou dor intensa e persistente, sem resposta satisfatória às tentativas conservadoras. Ainda assim, o médico ressalta que a decisão precisa ser individualizada e discutida com clareza.
“Existem casos em que a cirurgia é necessária, podendo ser resumida em uma tríade: lesão neurológica, perda da funcionalidade do membro ou dor intratável mesmo com medicações analgésicas potentes. Para definir o melhor tratamento cirúrgico, deve-se sempre alinhar a expectativa do paciente em relação ao procedimento proposto, pois cada paciente possui aspectos diferentes e, por isso, exige tratamento individualizado”, diz.
Outro aspecto frequente entre os pacientes é o medo da cirurgia. A cirurgia da coluna ainda desperta insegurança em muitos pacientes, em parte por causa de relatos antigos ou experiências de terceiros. Para Artur Guerra, esse imaginário permanece forte, mesmo com a evolução das técnicas e do pós-operatório em parte dos procedimentos.
“A cirurgia da coluna ainda carrega um estigma grande. Muitos pacientes chegam com referências de cirurgias mais antigas e com medo do que ouviram de outras pessoas. Hoje existem técnicas menos invasivas, que revolucionaram a cirurgia da coluna ao permitir abordagens com menor agressão e reabilitação mais precoce. Em muitos casos, o paciente pode ter alta no mesmo dia e sair do hospital andando”, afirma.
Na avaliação do especialista, um dos erros mais comuns é normalizar sinais persistentes e adiar uma investigação que poderia evitar a piora do quadro. Para ele, o paciente não precisa esperar uma limitação severa para procurar ajuda.
“Quando a dor começa a se repetir, quando há irradiação, formigamento, travamentos ou necessidade frequente de medicação, já vale procurar avaliação. A dor não pode se tornar algo do cotidiano e ser normalizada, porque, com isso, o paciente, sem perceber, acaba se restringindo e comprometendo a qualidade de vida, a autonomia e até a saúde emocional”, conclui.
Quem é Artur Guerra
Artur Guerra é médico ortopedista com atuação voltada à cirurgia da coluna. É formado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), fez residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital Universitário de Taubaté e formação em cirurgia da coluna no Instituto de Patologia da Coluna (IPC), em São Paulo. Em sua prática, alia formação técnica a uma abordagem centrada na escuta, na avaliação clínica cuidadosa e no impacto da dor sobre a qualidade de vida do paciente. Artur Guerra é casado com Marcela Lima Guerra, e juntos formam uma família baseada em princípios e na crença cristã. Ele também se define como médico voluntário no movimento Legendários e afirma que a espiritualidade faz parte de sua forma de enxergar o cuidado, a escuta e a relação com o paciente.
CRM: 175727/SP | RQE Nº: 103296
Instagram: @drarturguerraSite: https://drarturguerracoluna.com.br

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