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O que muda na menopausa? Márcia Giacobe responde sem tabus

Ginecologista e obstetra aborda sintomas físicos e emocionais e explica por que o tratamento deve ser individualizado.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

06/08/2026 • 14:27 • Atualizado em 06/08/2026 • 14:27

O que muda na menopausa? Márcia Giacobe responde sem tabus

O que muda na menopausa? Márcia Giacobe responde sem tabus

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A menopausa é definida após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa para essa ausência. Os sintomas relacionados à transição hormonal, no entanto, podem surgir antes desse marco, durante o climatério, e já exigir avaliação e tratamento individualizado.

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Ondas de calor, alterações no sono e ressecamento vaginal estão entre as manifestações mais conhecidas. Algumas mulheres também relatam irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e dores articulares.

Durante o climatério, os níveis hormonais podem oscilar. Por isso, uma dosagem realizada isoladamente pode não demonstrar alterações significativas, mesmo quando a mulher apresenta sintomas que interferem no descanso, no trabalho, nas relações pessoais e na qualidade de vida.

“Os exames precisam ser interpretados em conjunto com os sintomas e com a história clínica. Uma paciente pode estar no climatério, apresentar queixas importantes e ainda ter dosagens hormonais dentro dos valores de referência. A ausência de alteração em um exame isolado não deve invalidar o sofrimento relatado nem impedir uma avaliação cuidadosa sobre a necessidade de tratamento.”

A intensidade e a combinação dessas manifestações variam de uma paciente para outra. Por isso, a investigação não deve considerar apenas a idade ou as oscilações hormonais. Alimentação, prática de atividade física, estresse, consumo de álcool, tabagismo e qualidade do sono também precisam ser avaliados.

“Não se deve atribuir todos os sintomas exclusivamente aos hormônios. É necessário compreender como está a vida dessa mulher, observar seus hábitos e identificar outros fatores que possam contribuir para o quadro. A avaliação precisa considerar a paciente em seu contexto geral.”

Ondas de calor podem comprometer o descanso e a rotina

Os fogachos são episódios repentinos de calor, frequentemente acompanhados de suor e desconforto. Quando acontecem durante a noite, podem interromper o sono repetidas vezes e provocar cansaço no dia seguinte.

No ambiente profissional, os episódios também podem gerar constrangimento. Algumas mulheres precisam interromper reuniões ou atividades por causa da intensidade do calor e da transpiração.

A fragmentação do sono pode repercutir no humor, na disposição e na capacidade de concentração. Com o passar do tempo, os sintomas podem formar um ciclo no qual o descanso inadequado amplia o desgaste físico e emocional.

“Os calorões podem acordar a mulher várias vezes durante a noite. Com o sono interrompido, ela passa o dia mais cansada, impaciente e com menor disposição. Isso pode afetar a produtividade e transformar sintomas aparentemente isolados em uma sequência de dificuldades.”

Névoa mental não deve ser analisada de forma isolada

Esquecimentos cotidianos, dificuldade de concentração e sensação de desorganização dos pensamentos são manifestações frequentemente descritas como névoa mental.

Essas alterações podem aparecer durante o climatério, mas não devem ser automaticamente associadas à menopausa. Estresse, privação de sono, ansiedade, sintomas depressivos, rotina sobrecarregada e outras condições de saúde podem produzir sinais semelhantes.

Durante a avaliação, é importante observar quando a dificuldade começou, com que frequência aparece e de que maneira interfere nas atividades pessoais e profissionais.

“A perda de memória costuma ser angustiante. A mulher pode entrar em um cômodo e esquecer o que pretendia fazer ou perceber que tarefas antes simples exigem um esforço maior. É uma queixa que merece acolhimento e investigação, sem conclusões apressadas.”

Alterações íntimas podem afetar a qualidade de vida

A redução dos níveis hormonais pode provocar mudanças nos tecidos da região genital e do sistema urinário. Esse conjunto de manifestações é denominado síndrome geniturinária da menopausa.

Entre os sintomas possíveis estão ressecamento vaginal, ardência, desconforto durante as relações sexuais e infecções urinárias recorrentes. A presença de dor também pode afetar o desejo sexual, a autoestima e a vida afetiva.

Embora sejam frequentes, essas queixas ainda podem ser silenciadas por vergonha ou pela crença de que fazem parte do envelhecimento e precisam ser suportadas.

“Em muitos casos, a diminuição da libido acontece porque a mulher sente dor, ardência ou ressecamento. Ela passa a evitar a relação pelo desconforto. Identificar essa causa é essencial para discutir formas de cuidado e melhorar sua qualidade de vida.”

Terapia hormonal exige indicação individualizada

A terapia hormonal pode ser considerada quando os sintomas comprometem de maneira significativa o bem-estar da mulher. A indicação, entretanto, não é automática nem adequada a todas as pacientes.

O histórico clínico, os sintomas predominantes, a fase da transição menopausal e a presença de possíveis contraindicações devem ser analisados antes da escolha da conduta.

Em alguns casos, o tratamento pode contribuir para o controle dos fogachos e das alterações geniturinárias. Também pode apresentar benefícios para a saúde óssea, conforme as condições clínicas e os fatores de risco da paciente.

“Quando a terapia hormonal é bem indicada, pode haver uma mudança importante na qualidade de vida. Isso não significa que todas as mulheres devam utilizá-la. É necessário avaliar os benefícios, os riscos e as características individuais antes de tomar qualquer decisão.”

Quando o tratamento hormonal não é indicado ou não corresponde à escolha da paciente, outras possibilidades podem ser consideradas de acordo com os sintomas e o quadro clínico.

Reposição hormonal não deve ser apresentada como rejuvenescimento

Conteúdos sobre terapia hormonal ganharam espaço nas redes sociais, muitas vezes acompanhados de discursos extremos. Enquanto algumas publicações tratam qualquer uso de hormônios como perigoso, outras apresentam promessas relacionadas ao rejuvenescimento, à estética ou ao desempenho.

Essas abordagens podem produzir medo ou criar expectativas que não correspondem à finalidade do tratamento. Informações gerais não substituem a avaliação médica, especialmente porque mulheres da mesma idade podem apresentar condições de saúde e necessidades diferentes.

“Ter acesso a muitas informações não significa compreender corretamente cada uma delas. O papel do médico é esclarecer o que possui fundamento, traduzir o conteúdo para a realidade da paciente e ajudá-la a entender o que pode ou não ser aplicado ao seu caso.”

A terapia hormonal não deve ser tratada como tendência ou fórmula universal. A conduta precisa ser definida com base em critérios clínicos e em uma decisão compartilhada entre a paciente e o profissional responsável pelo acompanhamento.

Quando procurar avaliação ginecológica

Ondas de calor intensas, alterações persistentes no sono, ressecamento vaginal, dor durante as relações, infecções urinárias recorrentes e mudanças emocionais que interfiram na rotina merecem investigação.

A menopausa é uma etapa natural da vida, mas isso não significa que o sofrimento provocado pelos sintomas deva ser normalizado. O acompanhamento permite avaliar outras possíveis causas e discutir estratégias de cuidado compatíveis com a saúde e as escolhas da mulher.

“Tudo o que provoca sofrimento físico ou emocional precisa ser observado. A mulher não deve considerar inevitável viver com dor, desconforto ou perda de qualidade de vida. Buscar informação e acolhimento profissional é parte do cuidado com a própria saúde.”

Quem é Márcia Giacobe

Natural de Caxias do Sul, Márcia Teresinha Giacobe foi a primeira médica de sua família. Estudou em escola pública e começou a trabalhar aos 16 anos. Depois de conciliar o emprego com as primeiras tentativas de ingresso na universidade, dedicou um ano integralmente à preparação para o vestibular e foi aprovada em Medicina na Universidade Federal de Pelotas.

Durante a graduação, contou com bolsa de alimentação, utilizou livros da biblioteca e cópias dos materiais acadêmicos para manter os estudos. Inicialmente interessada pela psiquiatria, encontrou na Ginecologia e Obstetrícia a possibilidade de unir escuta, acompanhamento clínico e procedimentos.

Após a formação, realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia em Porto Alegre. Possui especialização em patologia do trato genital inferior e atualmente atua em consultório e em ambiente hospitalar. Também é preceptora de residência médica na instituição onde realizou sua própria formação na especialidade.

Seu trabalho acompanha diferentes fases da saúde feminina, da adolescência ao climatério e à menopausa. No atendimento, procura adaptar a linguagem às necessidades de cada paciente e transformar informações médicas em orientações compreensíveis, sem perder o contato visual, a escuta e o cuidado individualizado.

CRM-RS 25.268 | RQE 16.116 | TEGO 0432/2003

Instagram: @dramarciagiacobe

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