
Por que o superendividamento virou epidemia entre os brasileiros?
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O superendividamento é, atualmente, reconhecido como uma das maiores dores financeiras enfrentadas pelos brasileiros. Dados recentes ilustram a dimensão epidêmica do problema, apontando que 73% da população convive com dívidas que consomem uma parte significativa da renda mensal. Saiba o que fazer se estiver superendividado e quais são seus direitos.
Embora o problema afete especialmente a faixa etária de 30 a 43 anos, que é o grupo que mais busca crédito no país, a situação se agrava criticamente entre aposentados, pensionistas e servidores públicos. Mesmo tendo uma renda fixa, esses grupos acabam comprometendo severamente o orçamento devido a empréstimos e cartões.
As causas do acúmulo de dívidas
O superendividamento resulta de uma combinação de fatores, incluindo a facilidade de acesso a diversos tipos de crédito e um sistema financeiro que, muitas vezes, carece de transparência e regulamentação. A lei permite renegociar dívidas em até 60x e pagar só após 180 dias.
A dívida que leva ao superendividamento frequentemente se origina em diversos instrumentos financeiros que o consumidor reúne. Em média, o consumidor superendividado mantém débitos com três instituições financeiras diferentes. Entre os tipos de crédito que podem levar a essa situação estão:
- Empréstimo consignado
- Empréstimo pessoal
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Boletos e carnês
O crédito consignado é particularmente sensível para aposentados e pensionistas, que se tornam alvo de ofertas agressivas. O consignado, que pode parecer inicialmente vantajoso, torna-se um "peso difícil de carregar" quando é somado a outros empréstimos.
Fatores sistêmicos e abusos
A advogada Carleane Lopes, especialista em direito do consumidor, destaca que o superendividamento não deve ser visto como um fracasso pessoal, mas, sim, como um reflexo de um sistema de crédito pouco transparente e mal regulado. Entre as práticas que contribuem para o ciclo de dívidas impagáveis estão:
- Juros Excessivos: A legislação busca evitar que o consumidor fique preso em um ciclo de dívidas impagáveis e permite que o juiz exija dos bancos propostas equilibradas, sem juros excessivos ou cobranças indevidas.
- Cobranças Sem Transparência: O valor total da dívida muitas vezes inclui seguros prestamistas e outros encargos que são cobrados sem transparência.
- Ofertas Agressivas: Os grupos vulneráveis, como aposentados e pensionistas, são frequentemente alvo de ofertas agressivas de crédito e acabam assinando contratos sem compreender plenamente as consequências.
Para combater esse cenário e proteger a dignidade do consumidor, a Lei nº 14.182/2021 (Lei do Superendividamento) foi criada, permitindo a repactuação de todas as dívidas bancárias sem garantia real em até 60 parcelas, com carência de 180 dias para o primeiro pagamento, visando a um recomeço com consciência.
