
Rock e Country: a estrada que une os dois gêneros mais influentes da música
Divulgação
Para muita gente, rock e country parecem universos completamente diferentes.
De um lado, guitarras distorcidas, rebeldia e estádios lotados. Do outro, estradas cheias de poeira, histórias do interior americano e canções sobre trabalho, família e liberdade.
Mas a verdade é que os dois gêneros nasceram muito mais próximos do que a maioria imagina.
Antes de se tornarem movimentos culturais próprios, tanto o rock quanto o country beberam das mesmas fontes: o blues, o folk e a música rural norte-americana. Durante décadas, artistas cruzaram e descruzavam essas fronteiras naturalmente, criando um diálogo que ajudou a moldar parte importante da música do século XX.
Bandas que marcaram os anos 70 ajudaram a consolidar essa mistura. O resultado era uma sonoridade que combinava a energia do rock clássico com a narrativa e os elementos instrumentais do country. Solos de guitarra, harmonias vocais, letras sobre estrada, liberdade e experiências humanas comuns criaram um terreno fértil para uma geração inteira de músicos.
Talvez por isso tantos artistas acabem retornando a essa encruzilhada musical depois de décadas de carreira.
Quando a experiência substitui a ansiedade de seguir tendências, muitos músicos passam a tocar aquilo que realmente faz sentido para suas histórias, e em paralelo, acabam por narrar a história de muita gente que viveu esse ápice.
Foi exatamente desse encontro entre trajetória, amizade e identidade musical que nasceu a Tequila Shot Band.
A origem do grupo não está em um plano de negócios, em uma estratégia de mercado ou na tentativa de ocupar um nicho específico. A banda surgiu da amizade de dois músicos que compartilhavam décadas de estrada e decidiram criar algo que pudessem olhar para sua arte e se identificar.
Um dos responsáveis por essa direção musical foi o guitarrista Afonso Carisio. Ainda nos anos 1980, durante uma temporada em Manaus, ele mergulhou no universo do country americano através dos discos que chegavam pela Zona Franca. A influência permaneceu viva ao longo dos anos e acabou encontrando o momento certo para ganhar forma.
Ao seu lado estava Walterson "Tutucho", baterista com ampla experiência em diferentes projetos musicais e uma trajetória marcada por apresentações ao lado de grandes nomes da cena brasileira. Quando a proposta surgiu, a conexão foi imediata.
A formação ganhou força com a chegada do pianista Lito Figueroa, músico com mais de três décadas de carreira ao lado de artistas consagrados da música popular brasileira, e do cantor e ator Diogo Branko, que retornava ao Brasil trazendo na bagagem experiências recentes no universo da música country.
Quatro trajetórias diferentes convergiram para um mesmo ponto.
O resultado não é uma tentativa de reproduzir fórmulas prontas nem de replicar fielmente clássicos conhecidos. A proposta da banda parte da ideia de releitura.
Cada música precisa carregar algum significado pessoal para seus integrantes, e então o repertório nasce dessa memória afetiva, da vivência e da liberdade criativa, que no fim vem como um tiro certeiro no coração do público, que também ansiava por músicas dessa profundidade, dada à superficialidade de músicas baseadas em refrões de TikTok.
Essa mesma liberdade aparece nas composições autorais que o grupo vem lançando nas plataformas digitais. Entre elas está "Proud Work Man", que contou com a participação especial do multi-instrumentista Milton Guedes, adicionando sua marca registrada à gravação.
A recepção positiva do público reforçou a percepção de que existe espaço para propostas que transitam entre diferentes influências sem abrir mão da identidade própria.
A estreia da banda aconteceu em um dos espaços mais emblemáticos da música brasiliense, o Clube do Choro de Brasília. Depois vieram apresentações em eventos de grande visibilidade, como o Capital Moto Week, ampliando o alcance do projeto e conectando a banda a novos públicos.
A estrada continua se abrindo. Entre os compromissos já confirmados para 2026 está a participação da banda na Festa do Peão de Barretos, considerada a mais tradicional e uma das mais importantes celebrações da cultura country e sertaneja da América Latina. Para um grupo que nasceu da paixão pela música de raiz norte-americana, o convite representa mais um marco em uma trajetória que segue ganhando novos capítulos.
Mais do que representar um gênero específico, a Tequila Shot Band parece representar algo cada vez mais raro na música contemporânea: artistas experientes que decidiram seguir a própria estrada.
Porque, no fim das contas, a história do rock e do country sempre foi essa. A de músicos que encontraram liberdade justamente quando deixaram de se preocupar com rótulos.
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