Um vídeo mostra o tenente-coronel deixando o imóvel acompanhado por policiais civis e sendo conduzido até a viatura, sem oferecer resistência. Após a prisão, ele deverá ser transferido para a Corregedoria da Polícia Militar, na capital São Paulo, onde permanecerá à disposição da Justiça enquanto as investigações sobre o caso seguem em andamento.
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, após a Polícia Civil solicitar sua prisão preventiva no âmbito das investigações sobre a morte da soldado Gisele Alves.
A decisão ocorre após a análise de novos laudos periciais, incluindo resultados da exumação do corpo, que apontaram inconsistências entre o depoimento do oficial e as evidências encontradas no apartamento onde o caso ocorreu, no Brás, região central de São Paulo.
A versão apresentada pelo tenente-coronel, de que a esposa teria tirado a própria vida após uma discussão sobre separação, passou a ser questionada diante de contradições técnicas e testemunhais. Um dos pontos centrais é o intervalo de quase 30 minutos entre o barulho ouvido por uma vizinha e o acionamento do socorro, além da avaliação pericial de que o disparo de arma de fogo seria facilmente identificável no ambiente. A polícia agora aprofunda a análise de provas como laudos de balística, imagens e reconstituição da cena para esclarecer se houve homicídio e se o local do crime foi alterado.
Pedido de prisão
A polícia de São Paulo pediu a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, suspeito de matar a policial militar Gisele Alves. A informação, em primeira mão, é do apresentador Joel Datena, do Brasil Urgente e do Bora Brasil, da Rádio Bandeirantes.
A decisão das autoridades de solicitar a detenção ocorre após a análise de novos laudos periciais, incluindo os dados obtidos na exumação do corpo da policial, que apontaram inconsistências severas entre o depoimento do oficial e as evidências físicas encontradas no apartamento. A polícia trabalha agora com a hipótese de feminicídio e fraude processual, suspeitando que a cena do crime possa ter sido alterada.
O caso
A morte da soldado da Polícia Militar Gisele ocorreu em um cenário de suspeita de feminicídio envolvendo seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. O episódio ganhou repercussão após a perícia encontrar contradições entre a cena do crime e os depoimentos iniciais, levando a defesa da família da soldado a acusar o oficial de execução.
Por outro lado, o tenente-coronel sustenta que a esposa teria atentado contra a própria vida após ele sugerir a separação do casal naquela manhã. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da corporação, com foco em laudos de balística, imagens de câmeras corporais e na reconstituição dos fatos para determinar se houve homicídio ou suicídio.

Tenente-Coronel Geraldo Neto e Soldado Gisele (foto: Redes sociais/Reprodução)
A cronologia dos fatos na manhã do incidente apresenta uma lacuna de quase 30 minutos que o oficial tenta justificar. Uma vizinha relatou ter ouvido um estrondo significativo às 07:28, enquanto o pedido de socorro feito pelo coronel só ocorreu às 07:57. O suspeito defende que o ruído ouvido pela testemunha foi o som da porta do quarto sendo batida com força por Gisele, e não o tiro.
No entanto, a perícia ressalta que o som de um disparo de calibre .40 é extremamente potente e dificilmente seria confundido ou passaria despercebido num ambiente residencial, o que coloca em dúvida a versão de que o oficial estaria no banho sem perceber o ocorrido imediatamente.
Vestígios de sangue ocultos e exame residuográfico
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a utilização de luminol, um reagente químico que detectou vestígios de sangue no box do banheiro, local distante de onde o corpo foi encontrado. Segundo a perícia, o sangue não era visível a olho nu, pois o local havia sido lavado, possivelmente pela água do chuveiro.
Além disso, o exame residuográfico - que busca vestígios de pólvora e metais nas mãos - apresentou resultado negativo tanto para Gisele quanto para o marido dela, um tenente-coronel da Polícia Militar. No entanto, especialistas apontam que o resultado negativo na mão da soldado é atípico: se ela tivesse de fato efetuado o disparo contra si mesma, como sustenta a versão do marido, os resquícios de pólvora deveriam estar presentes, já que seu corpo não foi lavado ou mexido após a queda.
Contradições na versão do marido
A defesa do marido afirma que ele estava tomando banho no momento do disparo e que, ao ouvir o barulho, saiu para socorrer a esposa, momento em que teria tido contato com o sangue dela. Contudo, a polícia observa que, antes de realizar o exame residuográfico, o oficial tomou banho, foi à delegacia e utilizou o banheiro diversas vezes, o que pode ter eliminado vestígios de pólvora de suas mãos.
Para a polícia, embora o exame residuográfico seja considerado tecnicamente inconclusivo devido aos "falsos negativos", a ausência de pólvora nas mãos da vítima torna a tese de suicídio pouco provável. Os peritos agora cruzam as imagens do apartamento com os laudos laboratoriais para determinar se a cena foi alterada antes da chegada da equipe oficial de investigação.
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