
Visita ao INPE: Lula comparece à divulgação de dados sobre desmatamento
Adonias Araújo - cinegrafista TV BAND VALE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda nesta sexta-feira (7) no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. A visita ocorre durante as comemorações pelos 65 anos da instituição e inclui a participação na divulgação dos dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), referentes a julho de 2026 e ao encerramento do ano de apuração 2025-2026.
Esta é a terceira vez que o presidente vem ao Vale do Paraíba em menos de 60 dias. Em 13 de julho, Lula esteve no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), para conferir a UGEE1000BR, primeira turbina brasileira de geração elétrica com turbina a gás movida 100% a etanol. Já no dia 24 de julho, o presidente compareceu à reabertura da fábrica da AVIBRAS, em Jacareí, após 5 anos de fechamento.
Durante o evento, o presidente entregou o primeiro título de Doutor Honoris Causa da instituição ao pesquisador Ricardo Cartaxo e recebeu, como presente, uma maquete em miniatura do satélite Amazônia, primeiro satélite de observação da Terra projetado, integrado, testado e operado exclusivamente pelo INPE.
O presidente Lula, durante a coletiva, agradeceu o INPE pela sua excelência e pelas informações corretas que fornece sobre o combate ao desmatamento. Ele afirmou que tem vontade de “tirar uma fotografia dos dados para mostrar ao presidente Trump (Donald Trump, dos Estados Unidos)", para provar que o Brasil tem combatido a destruição do meio ambiente. Ainda sobre o presidente americano, afirmou que “somos dois homens de 80 anos e temos que passar ao mundo a responsabilidade das duas maiores democracias, temos que passar ao mundo harmonia”, em referência às tarifas comerciais e aos desentendimentos diplomáticos da última semana.
Sobre a queda do desmatamento, Lula disse que “precisamos fazer com que a administração municipal seja nossa aliada no cumprimento do que é correto para combater o desmatamento […] através de contribuição financeira para prefeituras”. Ele afirmou também que, com os recursos necessário, é possível chegar ao desmatamento zero até 2030.
Sobre a exploração de terras raras, “uma coisa mais chique”, o presidente afirmou que não tem nenhum veto aos EUA nem preferência pela China ou França, “que o Brasil quer trabalhar com todos com igualdade. Quem quiser investir, construir fábricas, explorar minerais e trazer tecnologia, nós estaremos no aeroporto para receber de braços abertos”.
Não queremos que o Brasil vire um mero exportador de uma riqueza que pertence ao povo.
Além de Lula, o evento contou com a presença do Vice-presidente Dr. Geraldo Alckmin e sua esposa; a primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva; o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias; da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o diretor do INPE, Antonio Miguel Vieira Monteiro; o presidente do Ibama, Jair Schmitt; o secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Rodolfo de Lima; o coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), Claudio Almeida; o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires; o ex-diretor e ex-deputado federal, Ricardo Galvão; e o pesquisador homenageado e primeiro Doutor Honoris Causa da instituição, Ricardo Cartaxo.
Redução do desmatamento
Claudio Almeida, coordenador do BiomasBR, apresentou os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento referentes a 2025 e 2026. Segundo ele, todos os biomas brasileiros (cerrado, mata atlântica, Amazônia, caatinga, pampa e pantanal) apresentaram redução do desmatamento no último ano. A redução do desmatamento foi de 20% em relação ao ano anterior, menor dado de toda a série histórica do PRODES, Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite.
O destaque foi para a região amazônica, que teve redução de 36,9% - menor valor da série histórica desde 2016 - com 2.874 km² desmatados. O cerrado teve redução de 7,8%, com 5.119 km² desmatados. Em 2025, o PRODES já havia divulgado os dados dos biomas pampa, com redução de 41% em relação ao ano anterior (2024), caatinga, com redução de 34%, e mata atlântica, com queda de 15% no desmatamento.
André Lima, Secretário de Controle de Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, ressaltou que a queda do desmatamento só foi possível devido a uma série de ações governamentais, em parceira com os estados, prefeituras e instituições de pesquisa e fiscalização, que investiram em pesquisa e políticas públicas para o combate ao desmatamento.
O secretário destacou a retomada dos investimentos nos planos de ação para controle do desmatamento, nos projetos de restauração ambiental e fomento da Bioeconomia, além do fortalecimento da fiscalização ambiental junto ao IBAMA, ao ICMBio e à Polícia Federal. André Lima afirmou que a redução da área desmatada só foi possível graças a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e do Comitê Nacional de Manejo Integrado de Fogo.
Tecnologia e excelência
Já os ministros João Paulo Capobianco, de Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovações, ressaltaram, em seus discursos, a credibilidade e excelência dos dados levantados pelo INPE, produzidos com “responsabilidade, rigor técnico e, acima de tudo, verdadeiros, doa a quem doer”, afirmou o ministro Capobianco.
A ministra Luciana parabenizou a instituição pelos seus 65 anos marcados pela produção científica, pela produção de conhecimento e pelo desenvolvimento de tecnologia estratégica. Ela afirmou que o INPE e os dados apresentados demonstram “como a capacidade tecnológica nacional permite que o país, através da soberania tecnológica, exerça sua soberania territorial para cuidar do meio ambiente”.
Desenvolvimento econômico
O Vice-presidente Geraldo Alckmin, natural de Pindamonhangaba, afirmou que é possível fazer desenvolvimento social, econômico e sustentável ao mesmo tempo que se investe em políticas públicas para proteger o meio ambiente. “Tivemos o menor desmatamento da década e a maior produção de alimentos do pais, é possível produzir mais sem precisar desmatar”, afirmou o vice.
Ele recordou que, no ano passado, o Brasil exportou US$ 349 bilhões, demonstrando crescimento econômico, e também citou dados da balança comercial brasileira, que registrou superávit comercial de US$ 7,067 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O valor foi alcançado com exportações de US$ 34,119 bilhões e importações de US$ 27,052 bilhões.
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