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Lula defende soberania durante visita a SJC: "Não queremos guerra"

Durante visita ao DCTA, em São José dos Campos, presidente afirmou que o Brasil precisa ampliar investimentos para proteger sua soberania e riquezas naturais.

REDAÇÃO BAND VALE
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14/07/2026 • 08:11 • Atualizado em 14/07/2026 • 08:12

Lula cita soberania e defende reforço das Forças Armadas em SJC

Lula cita soberania e defende reforço das Forças Armadas em SJC

Créditos: Eduardo Fernandes/Band Vale

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (13) o fortalecimento das Forças Armadas e o aumento dos investimentos na indústria de Defesa, afirmando que o Brasil precisa estar preparado para proteger sua soberania e suas riquezas naturais. A declaração foi feita durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP).

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Em discurso jornalistas, Lula citou o interesse de grandes potências, como Estados Unidos, China e Rússia, nas reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos, além da necessidade de proteger as fronteiras e os recursos naturais do país.

"A gente não quer Forças Armadas para pagar aposentadoria. A gente quer Forças Armadas para cuidar da soberania deste país, para cuidar da sociedade brasileira. Nós não queremos guerra, mas nós queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania", afirmou o presidente.

Lula também questionou quem protegerá as riquezas brasileiras caso o país não invista em sua própria capacidade de defesa.

"Se a gente não se cuida, quem vai cuidar de nós? Se a gente não tomar conta de nossa fronteira, quem vai tomar conta de nós? [...] Quem vai tomar conta da riqueza que representa as terras raras e os minerais críticos? A gente só vê o mundo falar disso: China, Rússia, EUA. E nós?", declarou.

Durante a cerimônia, o presidente afirmou ainda que o governo pretende ampliar o aproveitamento dos minerais críticos e das terras raras no território nacional. Segundo ele, a exploração desses recursos deverá agregar valor à produção brasileira, evitando a exportação apenas de matéria-prima.

A defesa de maiores investimentos na área de Defesa ocorre poucos dias após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) alertar para o risco de uma eventual ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro, depois que autoridades norte-americanas classificaram o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Tarifaço

Ao deixar o evento no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi questionado por jornalistas sobre a possibilidade de um novo tarifaço envolvendo produtos brasileiros. Em resposta, Lula afirmou que "não terá um tarifaço"

Setores produtivos brasileiros estão em uma corrida contra o tempo nos Estados Unidos para tentar impedir a implementação de novas taxas de exportação que podem encarecer a entrada de produtos nacionais no mercado americano em quase 40%. O prazo final para que um acordo seja selado entre os dois países termina no dia 15 deste mês.

A ofensiva americana ocorre após uma investigação apontar que certas políticas comerciais do Brasil seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos, o que motivou a proposta de uma taxa adicional de 25% como forma de "punição". Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto é massivo: 4.187 produtos podem ser afetados, o que representa cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.

Entre os principais produtos na mira estão o pescado (como a tilápia) e o café. No caso do café, o Brasil possui uma vantagem estratégica, já que o mercado americano é dependente do grão brasileiro; uma taxação excessiva resultaria em aumento de preços para o consumidor dos EUA, tornando o mercado deles vulnerável.

Caso as novas tarifas sejam confirmadas e as exportações diminuam, a tendência é que ocorra uma superoferta desses produtos no mercado interno. Com a falta de escoamento para o exterior, o mercado nacional passará a ser a principal fonte de absorção, o que pode beneficiar o consumidor brasileiro com a queda do preço médio de itens como o peixe e o café.

Representantes brasileiros já iniciaram a participação em audiências públicas nos Estados Unidos para apresentar defesas técnicas. Um dos principais argumentos econômicos é que o Brasil já possui um déficit na balança comercial com os EUA — ou seja, os americanos vendem mais para o Brasil do que compram, o que enfraquece a alegação de que o comércio brasileiro prejudica a economia americana.

Visita de Lula ao DCTA

Durante a agenda, Lula conheceu a UGEE1000BR, a primeira turbina brasileira de geração elétrica com turbina a gás movida 100% a etanol. O projeto representa um avanço tecnológico estratégico ao desenvolver a primeira turbina a gás nacional voltada à geração de energia elétrica utilizando o etanol como combustível.

A tecnologia é desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), unidade vinculada ao DCTA, e faz parte de pesquisas voltadas à inovação e ao desenvolvimento de soluções sustentáveis, contribuindo para a consolidação de alternativas energéticas renováveis no país.

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