Jornal da Band

Empresários vão aos EUA dizer que tarifaço encarece produto ao americano

Comitiva do agronegócio e da indústria participa de painéis em Washington e pede lista de exceções para café, mel, pescados, autopeças e móveis

CAIÃ MESSINA

06/07/2026 • 20:21 • Atualizado em 06/07/2026 • 20:23

Uma comitiva de empresários brasileiros tenta convencer o governo americano a desistir de aplicar o tarifaço contra as exportações do Brasil. A estratégia do agronegócio e da indústria tem sido demonstrar que, se a sobretaxa de até 37,5% entrar em vigor, os consumidores americanos também terão de pagar a conta.

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Nos painéis de discussão na representação comercial dos Estados Unidos, iniciados nesta segunda-feira (6), os setores afirmaram que a sobretaxa vai encarecer alimentos, suplementos alimentares, remédios e insumos agrícolas.

O impacto, argumentam, recairia diretamente sobre a população americana, sobre a inflação e sobre as cadeias produtivas do país, já que os Estados Unidos não têm capacidade de atender à própria demanda.

A comitiva já encaminhou uma lista com pedidos de exceção, que inclui café, mel, pescados, autopeças e móveis. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), se o aumento da tarifa entrar em vigor, mais de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas.

Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a presença de representantes de vários setores afetados nos dois dias de audiência busca ponderar tecnicamente sobre o que classificou como um exagero.

"Vários setores impactados estão presentes nesses dois dias para ver se nós conseguimos, técnica e razoavelmente, ponderar sobre esse exagero dos 25% e mais 12,5%. Porque o Brasil continua tendo um déficit comercial crescente com os Estados Unidos", afirmou.

Os painéis integram a audiência pública convocada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão que definiu a proposta de sobretaxa. As sessões acontecem em Washington e reúnem diferentes setores para expor os possíveis efeitos das novas barreiras às exportações brasileiras. Donald Trump decide a partir de 15 de julho se aplica ou não o aumento dos impostos.

A proposta do USTR foi formalizada no início de junho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, e cita práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

A recomendação já previa uma lista de produtos que ficariam fora da sobretaxa, como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, além de minerais e metais. A sanção não é automática e depende do aval da Casa Branca.

Em paralelo aos painéis, autoridades dos dois países mantêm conversas diretas para tentar chegar a um entendimento antes do prazo. O governo brasileiro reforça o argumento de que a taxação prejudica a produção e os consumidores e aumenta os custos nos dois países.