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William Kondo analisa o impacto silencioso da endometriose

Especialista em cirurgia ginecológica aborda dor, fertilidade e a importância de uma conduta pensada para cada paciente

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28/04/2026 • 09:58 • Atualizado em 28/04/2026 • 09:58

William Kondo analisa o impacto silencioso da endometriose

William Kondo analisa o impacto silencioso da endometriose

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Mesmo com o avanço das discussões sobre saúde da mulher, a endometriose ainda representa um desafio importante na prática médica. Para o cirurgião ginecológico William Kondo, o problema não está apenas na complexidade da doença, mas também na forma como seus sinais seguem sendo relativizados ao longo da vida reprodutiva.

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Na avaliação do especialista, cólicas intensas, dor pélvica, desconforto nas relações sexuais e dificuldade para engravidar ainda costumam ser vistos como queixas isoladas, quando muitas vezes integram um mesmo quadro clínico. “Ainda existe uma cultura de normalização da dor menstrual, como se determinado grau de sofrimento fosse inerente à vida reprodutiva da mulher. Isso contribui para que sintomas importantes sejam minimizados por muito tempo”, afirma.

Ao longo de sua atuação em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, Kondo observa que essa banalização pode atrasar o diagnóstico e interferir não apenas na qualidade de vida da paciente, mas também na forma como a doença evolui e precisa ser conduzida.

Os sintomas nem sempre aparecem da mesma forma

Um dos fatores que, segundo William Kondo, tornam a endometriose mais difícil de reconhecer é o fato de ela não obedecer a um padrão único. Embora a cólica intensa seja um dos sinais mais conhecidos, o quadro pode incluir dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, alterações urinárias e intestinais cíclicas, além de infertilidade.

Para o médico, essa diversidade clínica exige um olhar mais atento e menos automático. “A endometriose pode se apresentar de maneiras muito diferentes. Há pacientes cuja principal queixa é a dor; em outras, o primeiro sinal é a dificuldade para engravidar. Também existem casos silenciosos, o que torna a avaliação ainda mais desafiadora”, diz.

Na prática, isso significa que a investigação não deve se apoiar apenas em um sintoma clássico. A escuta clínica, nesse contexto, é fundamental para entender a recorrência das queixas, seu impacto na rotina e a necessidade de aprofundar a investigação.

A subestimação da doença em diferentes etapas do cuidado

Ao analisar o cenário atual, Kondo entende que a endometriose ainda é subestimada em diferentes níveis de atenção à saúde. Para ele, isso envolve desde questões culturais até lacunas na formação médica e na interpretação dos sinais da doença.

“Trata-se de uma condição frequente, mas que historicamente recebeu menos atenção do que outras doenças crônicas igualmente prevalentes. Esse descompasso ajuda a explicar por que tantas mulheres ainda percorrem um caminho longo até chegar ao diagnóstico”, afirma.

Na visão do especialista, muitas pacientes não esbarram necessariamente na ausência de recursos diagnósticos, mas, sim, na dificuldade de serem encaminhadas com agilidade para uma investigação adequada. Isso faz com que o diagnóstico, embora possível, nem sempre aconteça no momento ideal.

O diagnóstico depende de contexto clínico e exame de imagem

Para William Kondo, uma das interpretações equivocadas mais comuns é imaginar que o diagnóstico da endometriose depende exclusivamente de um exame. Embora a imagem tenha papel relevante, ele sustenta que o contexto clínico continua sendo decisivo para compreender a dimensão do quadro e direcionar a conduta.

“Quando a paciente chega ao profissional certo, com avaliação clínica cuidadosa e exame de imagem bem-indicado, muitas vezes já é possível entender com clareza o que está acontecendo e orientar o melhor caminho”, explica.

Essa leitura é importante porque afasta a ideia de uma conduta automática. A mesma doença pode assumir formas distintas, com repercussões muito diferentes para cada mulher. Por isso, identificar a endometriose é apenas uma etapa; a seguinte é compreender o que aquele diagnóstico representa, de fato, naquela fase da vida.

O tratamento precisa ser individualizado

Na avaliação de Kondo, esse é um dos pontos centrais no cuidado com a endometriose. A presença da doença, por si só, não define uma única estratégia terapêutica, e a cirurgia não deve ser entendida como resposta imediata para todos os casos.

Segundo ele, a condução precisa considerar sintomas, extensão da doença, resposta a tratamentos prévios, desejo reprodutivo e momento de vida da paciente. “A endometriose exige uma abordagem individualizada. Dois casos aparentemente semelhantes podem demandar decisões completamente diferentes, porque a conduta depende não apenas do exame, mas da história, dos sintomas e dos projetos daquela paciente”, afirma.

Esse entendimento reposiciona o papel do especialista: mais do que decidir entre operar ou não operar, cabe ao médico construir uma estratégia coerente com o presente e com as perspectivas futuras da paciente.

A cronificação da dor é uma das maiores preocupações

Entre os efeitos mais delicados da demora diagnóstica, William Kondo destaca o risco de cronificação da dor. Nessa situação, a paciente deixa de apresentar sintomas apenas em períodos cíclicos e passa a conviver com dor persistente, muitas vezes de manejo mais difícil.

Ao explicar esse processo, o especialista chama atenção para a sensibilização central da dor. “Quando a dor se mantém por muito tempo, o sistema nervoso pode ficar mais sensível e passar a amplificar os sinais dolorosos. Nessa fase, o tratamento pode se tornar mais complexo, porque a dor já não depende apenas da lesão de endometriose, mas também de um quadro de dor crônica instalado”, diz.

A observação reforça que a endometriose não deve ser compreendida apenas sob o ponto de vista anatômico. O impacto funcional e emocional da dor também precisa ser considerado na condução do caso.

Fertilidade precisa entrar cedo na conversa

Outro ponto que Kondo considera central é o planejamento reprodutivo. Embora nem toda mulher com endometriose enfrente infertilidade, o tema deve ser abordado com antecedência, sobretudo quando há comprometimento ovariano ou quando a paciente deseja engravidar no futuro.

“Sempre que o diagnóstico é feito, especialmente em mulheres mais jovens, é importante discutir fertilidade de forma responsável e estratégica. Em alguns casos, esse planejamento precisa começar antes mesmo de uma tentativa de gestação”, afirma.

Na leitura do médico, esse cuidado não significa antecipar intervenções sem necessidade, mas construir um acompanhamento capaz de considerar os possíveis impactos da doença ao longo do tempo. É justamente essa visão de médio e longo prazo que diferencia uma conduta apressada de uma abordagem bem estruturada.

O acompanhamento ao longo do tempo faz parte do cuidado

Por se tratar de uma doença inflamatória crônica, a endometriose não costuma se encerrar em um único momento terapêutico. Mesmo quando há melhora importante dos sintomas, o seguimento continua sendo parte relevante da assistência.

Kondo ressalta que a lógica do cuidado precisa ser longitudinal. “A endometriose não se resolve, necessariamente, com uma medida isolada. Em muitos casos, ela exige acompanhamento contínuo, revisão de prioridades e reavaliação da conduta ao longo do tempo”, afirma.

É nesse ponto que surge, de forma discreta, a dimensão mais humana da assistência: compreender o tempo da paciente, seus medos, suas escolhas e as mudanças que cada fase da vida impõe ao tratamento.

A abordagem multidisciplinar pode ampliar as possibilidades de cuidado

Na experiência do Dr. William Kondo, o cuidado com a endometriose também pode demandar suporte para além da ginecologia. Na maioria dos casos, a condução pode envolver fisioterapia pélvica, medicina da dor, nutrição, atividade física e acompanhamento psicológico.

Esse modelo não substitui a decisão médica central, mas amplia as possibilidades de assistência, sobretudo em casos mais complexos. Para o especialista, a doença precisa ser compreendida de forma ampla, já que suas repercussões não se limitam ao exame ou ao centro cirúrgico.

Quem é William Kondo

William Kondo é médico formado pela Universidade Federal do Paraná, com trajetória construída inicialmente na cirurgia geral e, mais tarde, consolidada na ginecologia e obstetrícia. Ao longo da formação, buscou aperfeiçoamento em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, incluindo experiência na França, e passou a concentrar sua atuação em procedimentos como laparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica, com atenção especial aos casos de endometriose e infertilidade. Em paralelo à prática assistencial, também participa da formação de outros médicos por meio de cursos e treinamentos na área. Em sua linha de cuidado, a precisão técnica aparece associada à defesa de uma condução individualizada, em que escuta, contexto clínico e acompanhamento ao longo do tempo fazem parte da assistência à paciente.

CRM: 20056/PR | RQE Nº: 13448 | RQE Nº: 16029

Instagram: @drwilliamkondo Site: https://wmsaudedamulher.com.br/ e https://endoscopiaginecologica.med.br/