Exportações de veículos caem 23%, enquanto chineses avançam, diz Anfavea
Importações cresceram 30,4%, e modelos chineses já têm 11,3% do mercado nacional

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Divulgação
As exportações brasileiras de veículos caíram 23% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, enquanto os modelos chineses ampliaram sua presença no mercado nacional e nos países da América do Sul. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Brasil exportou 334 mil veículos no período, enquanto as importações avançaram 30,4%, para 463,9 mil unidades. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (7) pela entidade.
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Os veículos chineses já representam 55% das importações e respondem por 11,3% do mercado brasileiro, segundo a entidade. O avanço das marcas chinesas também aparece entre os fatores que explicam a perda de espaço dos veículos brasileiros em mercados sul-americanos.
A queda das exportações ocorre principalmente em razão da retração do mercado argentino e da perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos. A Argentina responde por boa parte da redução: os embarques para o país diminuíram em quase 100 mil unidades no acumulado do ano.
O movimento ocorre em um cenário de forte crescimento do mercado brasileiro. Enquanto as exportações recuam, as vendas internas avançam e levaram a Anfavea a revisar novamente para cima sua projeção para o ano. A entidade agora estima 3,1 milhões de veículos emplacados em 2026, alta de 15,2% sobre 2025.
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Os embarques também mostram uma sequência de meses fracos. O volume mensal de exportações está abaixo de 40 mil unidades há seis meses, segundo a Anfavea. Para o ano inteiro, a entidade projeta queda de 17,7% nas exportações.
Ao mesmo tempo, as importações seguem em trajetória oposta. De janeiro a setembro deste ano, foram 463,9 mil veículos importados, alta de 30,4% na comparação com o mesmo período de 2025. A participação dos chineses nesse movimento ajuda a explicar a mudança no equilíbrio do comércio exterior do setor.
O aumento das importações e a retração dos embarques fizeram a indústria automotiva brasileira registrar um déficit comercial significativo, depois de anos de superávit, segundo a Anfavea.
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A entidade também chama atenção para o impacto desse cenário sobre a produção nacional. A fabricação de veículos deve crescer 6,7% em 2026, para mais de 2,8 milhões de unidades, mas parte relevante desse avanço está ligada à montagem de veículos que chegam ao país desmontados.
De janeiro a setembro, a produção acumulou 2,166 milhões de veículos, alta de 8,7%. Das 173 mil unidades adicionais produzidas em relação ao mesmo período de 2025, apenas 50 mil foram de produção local plena. Outras 123 mil unidades foram montadas pelos sistemas CKD e SKD.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o resultado do mercado interno é positivo para a produção e para os empregos, mas alertou para o aumento das importações e a queda das exportações.
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Segundo Calvet, boa parte do crescimento da produção ocorre com veículos totalmente desmontados, especialmente no sistema SKD, vindos da China. Esse tipo de montagem utiliza menos componentes da indústria de autopeças brasileira e reduz a participação de mão de obra local, de acordo com o presidente da entidade.
O avanço dos veículos chineses, portanto, ocorre simultaneamente em duas frentes: no mercado brasileiro, onde eles já representam 11,3% das vendas, e nos mercados sul-americanos, nos quais passaram a disputar espaço com os veículos produzidos no Brasil.
O cenário externo contrasta com o desempenho das vendas domésticas. Setembro registrou 281,4 mil emplacamentos, o maior volume mensal desde dezembro de 2014, contribuindo para a nova revisão da projeção anual da Anfavea.
