
Magid Nauef Láuar
Reprodução/Jornal da Band
Resumo
Uma denúncia de assédio sexual feita por uma advogada contra o desembargador Magid Nauef Lawar foi revelada após a polêmica absolvição de um réu por estupro de vulnerável, motivando a advogada a relatar o caso ocorrido no final dos anos 90, durante seu estágio, e se dispor a depor ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Uma investigação do CNJ reúne quatro denúncias de supostas vítimas, incluindo a advogada, o sobrinho Saulo Lauar, uma ex-funcionária da casa do magistrado e uma denúncia encaminhada pela deputada Duda Salabert, com depoimentos já coletados pela corregedoria em Teófilo Ottoni (MG).
Uma decisão judicial de Lawar que absolveu um homem condenado por estupro de vulnerável ao alegar "vínculo afetivo consensual" com a vítima de 12 anos provocou protestos, levou o Ministério Público de Minas Gerais a anunciar recurso e resultou em pedido de apuração da conduta do magistrado pela Corregedoria Nacional de Justiça.
Uma advogada que acusa o desembargador Magid Nauef Lawar de assédio sexual decidiu quebrar o silêncio por sentir que a polêmica absolvição de um réu por estupro de vulnerável se tratava de "um abusador tentando proteger outro".
Em entrevista exclusiva à âncora da Rádio BandNews FM e do Jornal da Band, Adriana Araújo, a mulher relatou ter sido assediada pelo magistrado no final dos anos 90, quando era sua estagiária. A denúncia dela se soma a outras três que levaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abrir uma investigação contra o desembargador, que também é alvo de apuração pela controversa decisão judicial.
Relato de assédio à BandNews FM
A advogada, que pediu para não ter a identidade revelada, contou que Lawar, seu chefe e professor na faculdade de Direito, a convidou para almoçar. No restaurante, segundo ela, o magistrado a "encurralou", passou as mãos em sua perna e a beijou à força. Ela relata que, em choque, deixou o local, abandonou o estágio e nunca mais exerceu a profissão. Embora o caso já tenha prescrito, a advogada afirma que vai depor ao CNJ se for chamada, pois sentiu que era importante relatar quem é Magid Nauef Lawar.
Investigação no CNJ
Além da advogada, outras três supostas vítimas levaram denúncias ao CNJ. O sobrinho do desembargador, Saulo Lauar, usou as redes sociais para denunciar uma tentativa de abuso sofrida aos 14 anos. Uma ex-funcionária que trabalhou na casa do magistrado também fez acusações. Segundo apuração da Rádio BandNews FM, ambos já foram ouvidos pela corregedoria do órgão em Teófilo Ottoni (MG). Uma quarta denúncia foi encaminhada pela deputada Duda Salabert (PDT-MG).
A absolvição que levantou a atenção
A onda de denúncias começou após a grande repercussão da decisão de Lawar de absolver um homem de 35 anos condenado em primeira instância por estupro de vulnerável. Em seu voto, o desembargador argumentou que havia um "vínculo afetivo consensual" com a vítima, de 12 anos. A decisão gerou protestos, e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) confirmou que vai recorrer, se necessário, até o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corregedoria Nacional de Justiça também instaurou um pedido de providências para apurar a conduta do magistrado no caso.
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