Resumo
A missão Artemis II representa um marco no retorno da humanidade à Lua, validando sistemas para futuras alunissagens e reacendendo a disputa espacial, agora entre Estados Unidos e China, após décadas de foco em outros projetos como o ônibus espacial e a Estação Espacial Internacional.
A competição atual envolve os Estados Unidos, que planejam um pouso tripulado em 2028, e a China, com missões como a Chang'e 7 em 2026 e objetivo de levar astronautas à superfície lunar em 2030, destacando a nova corrida espacial pelo protagonismo lunar.
A validação de equipamentos, especialmente sistemas de suporte à vida, é o principal objetivo da Artemis II, enquanto acordos internacionais estabelecem que a Lua é um bem comum da humanidade, embora a instalação de bases permanentes possa criar áreas reservadas sem permitir posse total do satélite.
A missão Artemis II, que nesta semana sobrevoa a Lua, marca um passo fundamental para o retorno da humanidade à superfície lunar após mais de 50 anos. Em entrevista à BandNews FM, o tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Petrônio Noronha de Souza explicou que, embora a espaçonave Orion não pouse desta vez, a operação é crucial para validar os novos sistemas que permitirão futuras alunissagens. Ele também analisou o hiato desde a última missão Apolo e o cenário de uma nova corrida espacial, desta vez entre Estados Unidos e China.
A principal questão levantada, e que ecoa a curiosidade de muitos, é: se o homem pisou na Lua em 1969, por que a demora para voltar? Segundo o especialista, a resposta está no contexto histórico e na mudança de prioridades.
"O que ocorreu é que, no contexto do final dos anos 50 até o início dos anos 70, ocorreu aquilo que eles chamaram de corrida espacial, a disputa entre os Estados Unidos e a então União Soviética", contextualiza.
Com a vitória americana no objetivo de chegar primeiro à Lua, não havia mais razões estratégicas, econômicas ou científicas que justificassem os altos custos e riscos de prolongar o programa Apolo.
"Depois da Apolo 17, ela foi encerrada. O programa espacial americano começou a buscar outros objetivos", detalha Petrônio.
Esses novos focos foram o desenvolvimento do ônibus espacial e, posteriormente, a construção da Estação Espacial Internacional (ISS), projetos que consumiram décadas de investimentos e esforços.
A nova corrida espacial com a China
O cenário atual, no entanto, é diferente e reacendeu a competição pela hegemonia lunar. O protagonismo agora não é mais da Rússia, mas da China, que tem investido massivamente em seu programa espacial.
"A disputa hoje não é mais com a antiga União Soviética, mas com a China, e já não é recente", afirma o tecnologista do INPE.
A âncora da BandNews FM Carla Bigatto pontuou que os chineses já planejam para 2026 a missão não-tripulada Chang'e 7, que buscará gelo em crateras lunares, e têm como meta um pouso tripulado em 2030. Os americanos, por sua vez, miram 2028 para levar seus astronautas de volta à superfície. "Nós estamos vivenciando uma nova corrida espacial. Não há dúvida quanto a isso e vamos ver quem conseguirá repetir esse feito primeiro", avalia Petrônio.
O objetivo é testar os equipamentos
Diferente das missões Apolo, que tinham um forte componente de exploração científica da Lua, o objetivo principal da Artemis II é outro.
"O que se busca nessa missão é, principalmente, a validação do funcionamento dos sistemas todos que foram desenvolvidos", explica o especialista.
Ele ressalta que, embora a cápsula e o foguete sejam semelhantes aos da era Apolo em conceito, são equipamentos inteiramente novos.
A segurança e o desempenho de cada componente, especialmente os sistemas de suporte à vida que garantem a sobrevivência dos astronautas, precisam ser comprovados em condições reais antes de uma tentativa de pouso. Esta missão dá sequência à Artemis I (não tripulada) e será sucedida pela Artemis III, que testará a capacidade de acoplamento em órbita entre a nave principal e o módulo que, no futuro, descerá na superfície. Só depois dessa etapa será tentado o pouso que repetirá o feito histórico de 1969.
Quem é o dono da Lua?
Outra dúvida comum é sobre a "propriedade" do satélite natural. Petrônio Noronha de Souza esclarece que, segundo acordos internacionais mediados pela ONU, o espaço é considerado um bem para o benefício de toda a humanidade. "Não há um sentido de propriedade de quem chegou primeiro", diz ele.
Contudo, com o avanço da exploração comercial, essa discussão se torna inevitável. Embora nenhuma nação possa reivindicar a posse da Lua como um todo, a instalação de uma base permanente por um país, como Estados Unidos ou China, criaria uma "área reservada". "Aquela nação não poderá chegar e tomar posse e retirá-los de lá. Mas a posse da Lua como um todo, obviamente, não é possível", conclui.


