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BC deve cortar juros mesmo com alta da inflação e estímulos do governo

Expectativa do mercado é de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que pode chegar a 14,50% ao ano

Da redação
DA REDAÇÃO

29/04/2026 • 15:56 • Atualizado em 29/04/2026 • 15:56

Banco Central apura falhas na fiscalização

Banco Central apura falhas na fiscalização

Agência Brasil

Resumo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central define o novo patamar da taxa Selic nesta quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano, enquanto o Federal Reserve deve manter a taxa de juros inalterada nos Estados Unidos.

O cenário econômico brasileiro é marcado por endividamento recorde de famílias e empresas, forte pressão inflacionária causada pela guerra no Oriente Médio e eleições nacionais, além de impactos nos combustíveis e expectativa de cortes graduais da Selic até o final do ano.

O governo federal lança pacotes de estímulo, como medidas para o setor imobiliário e o programa Desenrola 2.0, enquanto o Banco Central enfrenta o dilema de equilibrar juros e inflação diante de novos choques de preços, principalmente nos alimentos, e do fenômeno climático El Niño previsto para os próximos meses.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central define nesta quarta-feira (29) o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa do mercado financeiro é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano.

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Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, a decisão ocorre em um cenário desafiador, que combina a necessidade de frear o endividamento recorde de famílias e empresas, somada a uma forte pressão inflacionária devido à guerra no Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, mantenha a taxa de juros inalterada pela terceira vez consecutiva, mesmo com as pressões do presidente Donald Trump.

Cenário de Desafios para a Economia

Apesar de ser considerado pequeno, o corte esperado para a Selic é visto como um passo na direção de aliviar o custo do crédito no país, que possui uma das maiores taxas de juros do mundo. O patamar elevado, mantido por um tempo prolongado, tem gerado um recorde de endividamento, afetando tanto pessoas físicas quanto grandes empresas e gerando preocupação sobre o potencial de problemas na economia.

Por outro lado, o Banco Central enfrenta a difícil tarefa de controlar a alta de preços, que continua sendo pressionada por fatores internos, como as eleições deste ano, e externos, como a guerra no Oriente Médio, que impactou muito o preço nos combustíveis, o que afetou muitos setores brasileiros que depende da matéria-prima.

A pressão inflacionária é alimentada pela alta do petróleo no mercado internacional e o conflito entre Irã, Líbano, Israel e EUA. Em março, o BC brasileiro avaliou que os dados sobre os impactos da guerra eram iniciais, mas a persistência do cenário acendeu um alerta. A previsão é que a Selic encerre o ano em 13%, com cortes graduais.

A grande dúvida do mercado é como a autoridade monetária avalia as expectativas futuras, já que a economia brasileira, por ser muito indexada, ou seja, os preços aumentam conforme a inflação, dificulta a reversão de altas nos preços, que se espalham por meio de reajustes de salários e aluguéis.

Novos Choques de Preços no Radar

Além do cenário atual, novos choques de preços são esperados para os próximos meses, especialmente nos alimentos. A prévia da inflação oficial já mostra o encarecimento de itens como o leite, reflexo, em parte, do custo do frete.

Soma-se a isso a antecipação do fenômeno climático El Niño para o final do segundo trimestre, com previsões de que ele seja mais forte do que o esperado, o que eleva as projeções de inflação para os alimentos.

Estímulos do Governo e o Dilema do BC

Enquanto o Banco Central tenta equilibrar juros e inflação, o governo federal, preocupado com o cenário eleitoral, tem lançado pacotes de estímulo à economia. Entre eles estão medidas para o setor imobiliário e uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0.

O desafio do Banco Central é que, se a queda de juros for muito lenta, o endividamento pode aumentar, indo na contramão dos programas do governo. De acordo com Juliana Rosa, a decisão e, principalmente, o comunicado do Copom de hoje serão cruciais para entender como a autoridade monetária pretende navegar este complexo cenário econômico.