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Brasil classifica captura de Maduro como 'sequestro' na OEA

Embaixador Benoni Belli condena ação militar dos EUA e afirma que episódio é "afronta gravíssima" à soberania venezuelana

Da redação
DA REDAÇÃO

06/01/2026 • 19:14 • Atualizado em 06/01/2026 • 19:14

Representante do Brasil na OEA

Representante do Brasil na OEA

Agência Brasil/© OAS

Resumo

Discurso do embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA, condenou a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e classificou a captura de Nicolás Maduro como sequestro e ameaça à estabilidade internacional.

Críticas à operação norte-americana foram reforçadas durante reunião do Conselho Permanente em Washington, destacando violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, além do risco de colapso da ordem global.

Defesa da diplomacia e de uma solução pacífica foi enfatizada pelo Brasil, rejeitando intervenções externas e afirmando que apenas um processo liderado pelos próprios venezuelanos pode respeitar a vontade do povo.

O representante permanente do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador Benoni Belli, fez um duro discurso nesta terça-feira (6) condenando a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.

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Durante a reunião extraordinária do Conselho Permanente, em Washington, convocada para debater intervenção norte-americana, Belli classificou a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro como um "sequestro" e uma "afronta gravíssima" que ameaça a estabilidade de toda a comunidade internacional.

'Afronta à Soberania e Risco de 'Lei da Selva'

Em seu discurso, o representante brasileiro não poupou críticas à operação norte-americana, afirmando que ela viola de maneira flagrante a Carta das Nações Unidas e o direito internacional.

"Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável", declarou Belli.

Ele alertou que, sem o respeito às instituições multilaterais, o mundo corre o risco de abandonar o uso dos argumentos para ser regido pelo "argumento da força", o que levaria ao colapso da ordem internacional e à instauração da "lei da selva".

Defesa da Diplomacia e Solução Pacífica

Belli reforçou que o Brasil rejeita de forma categórica a intervenção e que não é possível "aceitar o argumento de que os fins justificam os meios".

Segundo o embaixador, esse tipo de raciocínio abre um precedente perigoso, conferindo aos mais fortes o direito de definir o que é justo.

"O Brasil está convencido [...] de que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, livre de ingerências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo", concluiu.