
Operação foi controlada em São Paulo e executada em Porto Alegre
Divulgação/Rede Américas
De dentro do hospital Nove de Julho, em São Paulo, o médico urologista Rafael Coelho manipulou um robô que conduziu uma cirurgia num paciente no hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, sob os cuidados do urologista Marcos Tefilli; além dele, uma equipe de profissionais da saúde estava a postos, caso houvesse alguma intercorrência. A conexão entre o controle, na capital paulista, e os braços robóticos, na capital gaúcha, aconteceu via internet. A dinâmica é considerada um marco, por acontecer pela primeira vez fora de ambiente acadêmico.
“Foi um procedimento para tratamento de câncer de próstata. A gente usa esse robô para remover a glândula, que é a próstata, que tinha câncer, e fazer uma reconstrução da parte urinária. E a gente conseguiu fazer isso à distância”, descreveu Coelho. Esse é o procedimento mais eficaz quando o tumor ainda está restrito ao órgão.
A técnica pode ser usada também em outras operações, como as ginecológicas, cardíacas, de cabeça e pescoço e ainda de tórax, por exemplo. Embora seja um avanço tecnológico importante, há ainda desafios a serem superados, diz Rafael Coelho. O reforço nas proteções de cibersegurança, o fortalecimento da estabilidade de sinal de internet e acordos bioéticos são alguns dos refinamentos a serem feitos.
Outro ponto a ser trabalhado, mais técnico, é a chamada latência: o intervalo entre o movimento feito no controle e a resposta do braço robótico. “Idealmente, essa latência tem que ser inferior a 100 milissegundos, para que ela seja imperceptível e a cirurgia, segura. Se eu faço um movimento à distância e demora segundos para ele ser reproduzido, a gente não tem segurança para realizar o procedimento cirúrgico. Na telecirurgia inédita, a latência era de 24 milissegundos, bem abaixo dos 100 milissegundos.
De acordo com o médico Rafael Coelho, o paciente operado via telecirurgia teve alta em 24 horas e passa bem.


