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Brasil não pode cair no jogo de aumento de tarifas dos EUA, avalia especialista

O tarifaço afeta principalmente setores como pescados e aço e já provoca forte reação de empresários e autoridades brasileira

Por Redação
REDAÇÃO

12/07/2025 • 08:45 • Atualizado em 12/07/2025 • 08:45

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo ex-presidente e agora novamente presidente Donald Trump, anunciou nesta semana um aumento de tarifas de importação para produtos brasileiros, com taxas que podem chegar a 50%. O tarifaço afeta principalmente setores como pescados e aço e já provoca forte reação de empresários e autoridades brasileiras.

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Em entrevista à Rádio BandNews FM, o doutor em Relações Internacionais pela USP Sidney Leite explicou que a medida não surpreende, considerando o histórico protecionista de Trump, mas representa um impacto profundo na economia nacional.

“Trump acredita, desde antes de entrar na política, que elevar tarifas é uma forma de combater a desindustrialização americana. No primeiro governo, ele já aplicou tarifas sobre o aço brasileiro, mas agora eleva a política protecionista a patamares nunca vistos”, afirmou Leite.

Segundo o professor, embora as relações entre Brasil e Estados Unidos sejam historicamente positivas – desde o reconhecimento da independência brasileira, passando pela política da boa vizinhança até a construção de Volta Redonda –, o atual cenário político ameaça desgastar essa parceria.

“Não se pode jogar fora um passado tão intenso. Em algum momento, a disputa política precisa sair de campo e entrar os diplomatas, para negociações sérias, sem discursos para redes sociais ou bolhas ideológicas”, disse.

O especialista ressaltou ainda que, apesar de Trump ser conhecido por recuar em declarações polêmicas, a entrada em vigor do tarifaço já está marcada para o dia 1º de agosto, o que exige do Brasil uma resposta firme, mas estratégica.

“O Brasil não pode afinar, precisa ter altivez. Mas não pode cair no jogo de fazer do aumento de tarifas a base de sua política comercial. Esse tipo de confronto vai contra nossa história de cooperação e só prejudica a economia e o emprego de milhares de famílias”, alertou.

Empresários do setor de pescados, por exemplo, já manifestaram preocupação com mercadorias a caminho dos EUA, que podem ter custos inviáveis caso as tarifas sejam mantidas. Estima-se que 25 mil empregos possam ser impactados diretamente, segundo o setor.

Sidney Leite defendeu que, mesmo em um ano eleitoral, com polarização interna e externa, o Brasil precisa priorizar negociações técnicas. Para ele, a relação Brasil-EUA vai além de governos, sendo fundamental para o crescimento econômico de ambos.

“Precisamos tirar as crianças da sala e colocar os adultos para conversar. A história de cooperação não pode ser substituída por decisões estapafúrdias que afetam empresas, empregos e famílias brasileiras”, concluiu.

O governo brasileiro ainda não anunciou oficialmente quais medidas tomará, mas integrantes da diplomacia já discutem possíveis retaliações comerciais, em meio ao temor de escalada na guerra tarifária.