Jornal da Band

Empresas brasileiras que vendem para os EUA vivem incerteza após tarifaço de Trump

O setor da pesca, por exemplo, já começou a sentir os efeitos. A medida pode afetar outros setores e mexer com os preços também aqui no Brasil

Filipe Peixoto
FILIPE PEIXOTO

11/07/2025 • 19:51 • Atualizado em 11/07/2025 • 19:51

Trump dá entrevista após ataque dos EUA ao Irã

Trump dá entrevista após ataque dos EUA ao Irã

Carlos Barria/Reuters

As empresas que vendem para os Estados Unidos vivem um clima de incerteza depois do tarifaço de Donald Trump. O setor da pesca, por exemplo, já começou a sentir os efeitos. A medida pode afetar outros setores e mexer com os preços também aqui no Brasil.

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As medidas já levaram um impacto direto a portos do Nordeste. A exportação de quase 60 containeres carregados de peixe, que estavam prestes a embarcar, foi interrompida. Diante da indefinição sobre as tarifas, os compradores americanos suspenderam, por enquanto, a importação de mil toneladas de pescados.

“Nós já tivemos muitos problemas essa semana, de clientes que tiveram os pedidos cancelados, clientes que tiveram contratos revogados, produtos que foram embarcados, mas só vão chegar depois do dia 1º, então há um risco que sejam tarifados", explicou o consultor em comércio internacional Welber Barral ao Jornal da Band.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China. No primeiro semestre deste ano, os americanos compraram 12% de tudo o que o Brasil exportou, o equivalente a US$ 20 bilhões. Os produtos mais vendidos foram petróleo, aço e ferro, café e carne bovina.

Entrave para o comércio internacional

Para a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne, a nova tarifa é um entrave para o comércio internacional. Se a venda para os Estados Unidos cair, as empresas terão que direcionar os produtos para outros países e até para o mercado financeiro.

“O fato da gente, eventualmente, produzir a venda de carne para a economia americana não significa inundar o mercado com carne brasileira. Deixar de vender esse produto talvez aumente a disponibilidade do produto aqui, mas de uma forma discreta”, disse a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz.

Tarcísio se reúne com encarregado de negócios da embaixada dos EUA

São Paulo é o estado que mais exporta para os Estados Unidos, seguido de Rio de Janeiro e Minas Gerais. O suco de laranja é um dos principais produtos paulistas vendidos para os americanos. O governador do estado, Tarcísio de Freitas, se reuniu, nesta sexta-feira (12), com o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil.

Tarcísio disse que “é preciso negociar” e a “responsabilidade é de quem governa”. No governo federal, o ministro da Agricultura disse que vai focar em outros países.

“Buscar os mercados mais importantes do Oriente Médio, do sul asiático, do sul global, que tem grande potencial consumidor e pode ser uma alternativa para as exportações brasileiras”, disse Carlos Fávaro.

Mas substituir os Estados Unidos não é tão fácil, principalmente no caso de bens industrializados. A China, por exemplo, não quer esses itens. O foco dos chineses é comprar matéria-prima, como minério de ferro e soja.

“Você tem, por exemplo, autopeças que são exportadas pelo Brasil, que são para modelos específicos, com certificação específica, só para aquele comprador. Então não é uma substituição simples, ela leva bastante tempo, quando se consegue fazer”, disse Welber Barral, consultor em comércio internacional.