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Brasil tá on: cinema brasileiro vive hype ou atinge um novo patamar?

Série da BandNews FM discute internacionalização da cultura brasileira

Por Redação
REDAÇÃO

13/03/2026 • 14:51 • Atualizado em 13/03/2026 • 14:51

Isabela Mota
Wagner Moura

Wagner Moura

Vibra

O cinema brasileiro vive um momento de prestígio internacional inédito, emplacando indicações consecutivas na categoria de Melhor Filme do Oscar com "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto". A euforia, descrita pela atriz Isadora Ruppert, presente em ambos os longas, como um "sentimento de Copa do Mundo", une o país em torcida. No entanto, por trás da celebração, especialistas apontam para um desafio histórico: transformar o sucesso externo em valorização interna e, assim, consolidar o Brasil como uma verdadeira potência cultural.

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A Percepção Internacional: "Uma Virada de Chave"

A sensação de que algo mudou é nítida para quem está na linha de frente. Isadora Ruppert, que circulou pelos principais festivais de cinema do mundo, sentiu a diferença na prática. "Em Veneza [com 'Ainda Estou Aqui'], eu senti que as pessoas não conheciam muito o que estava acontecendo no Brasil em relação ao cinema de uns 10, 15 anos pra cá", relata. "Depois, eu acho que foi uma virada de chave. Em Cannes, (...) eu senti que as pessoas já estavam um pouco mais ligadas. Estão portas se abrindo cada vez mais para as pessoas olharem para o nosso cinema".

Essa porta também foi aberta por uma identidade única que encanta o público estrangeiro. Leticia Midori Sato, diretora assistente da animação "O Menino e o Mundo", indicada ao Oscar em 2016, explica o fascínio. "Para eles é uma coisa muito diferente, porque sim, as paisagens são diferentes, a luz que nós recebemos é diferente, (...) tudo isso influencia e mostra uma coisa única", descreve. Ela acredita que o momento atual é mais do que uma onda passageira. "Eu entendo que não são somente uma onda, mas é uma elevação de patamar. Acho que a partir de agora, as pessoas que são da área ou que gostam de cinema vão olhar para o cinema brasileiro com olhos mais atentos", aposta.

O Desafio Interno: Vencendo o "Complexo de Vira-Lata"

Apesar do otimismo, o professor doutor Guilherme Bryan faz uma advertência crucial. O maior obstáculo para a consolidação do cinema nacional é a forma como o próprio brasileiro o enxerga. "A gente depende do reconhecimento do outro para que a gente olhe com orgulho para a gente. Isso não precisa acontecer", critica, apontando para o "complexo de vira-lata" histórico do país.

Para Bryan, a valorização interna deveria ser incondicional. "Não é porque 'O Agente Secreto' e 'Ainda Estou Aqui' foram indicados ao Oscar que a gente começa a ver filme brasileiro. E antes disso a gente torcia o nariz para as nossas produções", questiona. Ele cita o célebre crítico Paulo Emílio Salles Gomes para reforçar seu ponto: "Mesmo o pior filme brasileiro nos diz mais sentido do que qualquer filme de outro lugar".

Onda ou Consolidação? O Risco do "Hype" Passageiro

A dúvida que permanece é se o sucesso atual é sustentável. Guilherme Bryan alerta para a fragilidade do momento. "Calma, gente. A gente teve agora dois anos consecutivos de indicações ao Oscar, mas ninguém consegue vislumbrar que isso volte a se repetir nos próximos anos", pondera, defendendo a necessidade de investimentos contínuos.

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