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'Careca do INSS' recebeu R$ 53 milhões de entidades envolvidas em descontos ilegais, diz PF

Outra envolvida no esquema é Cecília Rodrigues Mota, que teria movimentado R$ 14 milhões e atuado como 'presidente de fachada' de duas associações entre 2017 e 2020

Da redação
DA REDAÇÃO

30/04/2025 • 07:30 • Atualizado em 30/04/2025 • 07:30

Novas informações da investigação feita pela Polícia Federal (PF) apontam que o “careca do INSS” recebeu R$ 53 milhões de entidades associativas envolvidas nos descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

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Os pagamentos ocorreram por meio de empresas mantidas por Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como “epicentro da corrupção ativa” no esquema.

O lobista ainda teria repassado R$ 9,3 milhões a servidores e empresas ligadas à cúpula do INSS, incluindo o ex-procurador do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e os ex-diretores André Felix Fidelis e Alexandre Guimarães.

Segundo a PF, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, representava a Ambec, a Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, nas fraudes.

Outra envolvida no esquema é Cecília Rodrigues Mota, que teria movimentado R$ 14 milhões e atuado como “presidente de fachada” de duas associações entre 2017 e 2020, a AAPEN, Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional, e a AAPB, Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil.

Em apenas um ano, Cecília Rodrigues Mota fez 33 viagens, visitando destinos como Dubai, Paris e Lisboa.

Ela foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão cumpridos durante a operação Sem Desconto. Só no primeiro semestre do ano passado, mais de 700 mil aposentados reclamaram dos descontos sem autorização em aposentadorias e pensões.

Uma delas foi a Neide Martins, que desconfiou da situação: “Fui pesquisar o que era a associação e vi que era de BH, eu estou no Rio de Janeiro. Como vou me beneficiar de algo que está em outro estado”, relatou à BandNews FM.

De acordo com a investigação da PF, ex-servidores do alto escalão do INSS receberam mais de R$ 17 milhões de intermediários das associações investigadas.

A PF também deu detalhes de como funcionava o pagamento de “propina” aos envolvidos no esquema.

Os servidores do INSS recebiam dinheiro de lobistas para facilitar o acesso aos dados de beneficiários do INSS.

Em um dos episódios, um mesmo aposentado foi cadastrado em mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia idênticos.

A aposentada Neide Martins fala sobre a sensação de insegurança com as informações dela: “Não consigo entender como as pessoas conseguem ter esse poder com os dados dos aposentados”.

Repasses do INSS à entidade que tem irmão de Lula como vice-presidente cresceram

Ainda segundo as investigações da PF, os repasses do INSS à entidade que tem o irmão de Lula – Frei Chico – como vice-presidente cresceram 564% em quatro anos.

O dinheiro foi obtido pelo Sindinapi, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, por meio dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Os valores transferidos a partir de mensalidades passaram de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões no ano passado. Os dados são do Portal da Transparência.

Em nota, o Sindinapi disse que o crescimento dos repasses tem relação direta com o “aumento do número de sócios” e que qualquer “ilação” envolvendo Frei Chico é “absurda e não se confirma”.

Diz ainda que a entidade teve mais sucesso exatamente nos anos de Jair Bolsonaro (PL) na Presidência da República, entre 2020 e 2022.

Na Câmara, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, admitiu ter demorado para agir ao saber das fraudes do INSS, mas voltou a negar omissão no caso.