
Deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Apesar de Carla Zambelli afirmar ser "intocável" na Itália, a deputada federal pelo PL pode ser extraditada ao Brasil a pedido da Justiça. Na avaliação da professora de direito internacional da USP, Maristela Basso, Zambelli se aprisionou ao sair do Brasil, já que terá dificuldade em transitar livremente por ter um mandado de prisão expedido contra ela.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva da parlamentar nesta quarta-feira (4), após ela deixar o Brasil em meio à condenação a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça.
"Ela se colocou numa situação muito mais difícil, ela no exterior é uma pessoa comum. Ela vai ter uma dificuldade enorme de movimentação. Ela se aprisionou ao sair do Brasil. É difícil que ela saia sem ser deportada. E se sair, ficará sob vigilância. Se ela se movimentar na União Europeia, a situação é a mesma", diz, em entrevista à BandNews FM.
"Caso ela vá para outro país, como os Estados Unidos, ela não é considerada cidadã nata e sim, cidadã derivada da Itália. Ainda que use o passaporte italiano, vai valer a condição de que é um documento de uma pessoa naturalizada, não originária", pontua.
Na avaliação da professora, as chances de Zambelli ser extraditada é grande. "Esse argumento dela ter dupla cidadania é relativo, porque ter o passaporte italiano não significa que ela é cidadã italiana e que tem os mesmos direitos que um cidadão nato", explica.
Zambelli chegou a afirmar que tem cidadania italiana, mas esse fator não mudaria a situação da parlamentar, na visão de Maristela Basso. "Esses passaportes concedidos a descendentes, eles são considerados uma cidadania relativa, adquirem alguns direitos decorrentes do sangue que circula em suas veias, mas não são todos os direitos e cada vez menos têm direitos", diz.
Na decisão de Moraes, o ministro pediu o bloqueio dos passaportes da deputada, como o diplomático e o brasileiro. Maristela afirma que Moraes ainda pode pedir o cancelamento do italiano para autoridades. "Se trata de uma pessoa que descumpre uma decisão judicial e se encontra foragido, com mandado de prisão expedido", afirma.
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