Resumo
O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do STF Kassio Nunes Marques, acumulou R$ 27,7 milhões em fundos de investimento em dois anos de carreira, conforme documentos enviados pela CVM à CPI do Crime Organizado do Senado.
O fenômeno de enriquecimento rápido de familiares de magistrados superiores foi classificado como “familismo” pelo jornalista Carlos Andreazza, que destacou a recorrência de relações profissionais entre parentes no judiciário brasileiro.
O advogado Kevin Marques recebeu repasses de R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, consultoria que também recebeu R$ 18 milhões da JBS e do Banco Master, enquanto seu pai era relator de disputa envolvendo a Eldorado Celulose no STF; a defesa sustenta que todos os recursos foram declarados e não têm relação com julgamentos do ministro.
O advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, acumulou R$ 27,7 milhões em fundos de investimento com apenas dois anos de atuação profissional, segundo documentos enviados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) à CPI do Crime Organizado do Senado e publicados pela Folha de S. Paulo.
O rápido enriquecimento de familiares de magistrados de cortes superiores foi classificado como “familismo” pelo colunista político da BandNews FM e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza. Segundo o jornalista, as relações entre familiares no judiciário se tornaram algo comum no Brasil.
A ascensão profissional e a influência em tribunais
Kevin Marques foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024 e, seis meses depois, abriu seu próprio escritório de advocacia. Desde então, passou a representar grandes companhias de diversos setores. Segundo informações da CVM, o jovem aplicou R$ 22,4 milhões adicionais em um fundo de renda fixado Banco do Brasil no fim de 2025, totalizando R$ 27,7 milhões aplicados na instituição.
Embora a assessoria de Kevin ressalte que ele não atua diretamente em processos em tramitação no STF, sua atuação se concentra especialmente no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e na Justiça do Piauí, berço de sua família. O ministro Kassio Nunes Marques, pai do advogado, foi desembargador federal influente no TRF-1 até assumir a vaga no Supremo em 2020.
"Há um fenômeno brasileiro que faz com que o talento jurídico seja congênito, mas ele só se manifesta quando o patriarca atinge o cume da carreira", ironizou Andreazza.
A conexão com JBS, Banco Master e o caso Eldorado
Dados obtidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que Kevin Marques recebeu repasses no valor de R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária entre 2024 e 2025. Essa mesma consultoria, sediada no Piauí, recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS no mesmo intervalo de tempo.
Existe a suspeita de que esses repasses à consultoria subcontratada tenham ocorrido enquanto o ministro Nunes Marques atuava como relator da disputa bilionária envolvendo a JBS pelo controle da Eldorado Celulose no STF. O jornalista pontuou que os contratos de prestação de serviços ocorreram paralelamente às decisões, consideradas cruciais pelo colunista, que corriam sob análise do ministro.
A defesa do advogado Kevin Marques sustenta que todos os recursos financeiros foram devidamente declarados à Receita Federal e que sua atuação está restrita ao âmbito da advocacia fiscal administrativa regular, sem relação com os julgamentos de seu pai.


