O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, deverá ser ouvido nesta terça-feira (29) no Congresso sobre o escândalo de desvios bilionários do INSS.
A reunião na Comissão de Previdência e Assistência Social da Câmara está marcada para às 14h. Inicialmente, o encontro tinha como objetivo debater as ações da pasta. Agora, a expectativa é que a crise do Instituto seja o principal foco das atenções da sessão.
O alerta sobre as irregularidades havia sido dado pela ex-conselheira do INSS, Tônia Galetti, em junho de 2023. Segundo balanço da Polícia Federal, a quadrilha por trás dos descontos ilegais teria movimentado mais de 40 milhões de reais em bens apreendidos.
A lista inclui 61 veículos de luxo, avaliados em quase 35 milhões de reais e 141 joias estimadas em R$ 700 mil, além de R$ 1 milhão e 200 mil em espécie. Na segunda-feira (28), o ministro da Previdência negou omissão na fraude que desviou mais de R$ 6 bilhões das contas de aposentados e pensionistas.
A declaração foi feita em reunião do Conselho Nacional da Previdência Social. Carlos Lupi disse que as irregularidades são herança de governos anteriores, e que sempre tomou providências para combater fraudes. No encontro no Ministério da Previdência, ele também defendeu punição aos envolvidos no esquema.
Apesar de negar omissão, o ministro está na corda-bamba e pode ser demitido. Auxiliares do presidente Lula defendem que o ministro deveria deixar o cargo para preservar a imagem do governo.
Por outro lado, o PDT, partido de Lupi, alerta que pode deixar de fazer parte da base aliada no Congresso em caso de desligamento do ministro. São 17 senadores e três deputados na bancada da legenda.
A oposição também tenta emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as denúncias envolvendo o INSS. A intenção é protocolar o pedido de CPI depois do feriado prolongado de primeiro de maio. A investigação envolvendo o escândalo do INSS, com o desvio de seis bilhões de reais de contas de aposentados e pensionistas, aponta que o esquema tinha um lobista em Brasília.
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", abordava servidores da Previdência Social para conseguir dados dos aposentados.
Segundo a PF, ele recebeu quase R$ 12 milhões da associação investigada no esquema. Ele passava as informações para a AMBEC, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos, que fica em São Paulo. Em três anos, a arrecadação da entidade passou de R$ 135 reais para R$ 91 milhões.
Segundo o Ministério Público, a AMBEC é ligada ao empresário Maurício Camisotti, que usou parentes como laranjas para desviar o dinheiro. A associação chegou a ter como presidente uma mulher de 63 anos de idade, que trabalhou como faxineira em uma das empresas de Camisotti. A Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos nega irregularidades.
O esquema veio à tona na semana passada e levou à exoneração do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Uma ata da reunião do Conselho Nacional da Previdência mostra que o ministro Carlos Lupi foi alertado sobre o problema em junho de 2023, mas levou quase um ano para tomar providências. O INSS promete apresentar um plano de devolução dos valores roubados.
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