
Mauro Cid depõe ao STF
Ton Molina/STF
O tenente-coronel do Exército Mauro Cid confirmou, nesta segunda-feira (9), que Jair Bolsonaro pressionou, em 2022, o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira em relação a um relatório sobre a lisura do processo eletrônico de votação, como uma das etapas da tentativa de golpe no mesmo ano.
A declaração de Cid é feita durante depoimento prestado nesta segunda (9) ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações da trama golpista. Nesta fase, ocorre o processo penal contra o chamado "núcleo crucial".
De acordo com o ex-ajudante de Bolsonaro, o ex-presidente queria um documento "duro" contra as urnas eletrônicas para comprovar as declarações feitas desde 2021 sobre a falta de credibilidade das urnas. As Forças Armadas indicaram representantes para participar de uma comissão de fiscalização das eleições, organizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas o relatório entregue pelos militares não apontou fraudes no sistema.
Cid confirmou que foram realizadas pelo menos duas reuniões em que Felipe Martins, o ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro, levou ao ex-presidente um documento com a proposta para reverter o resultado das eleições de 2022. "Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles", declarou.
O STF ainda vai interrogar mais seis réus integrantes do chamado "núcleo crucial" da ação penal, entre eles Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, deputado e ex-chefe da Abin, e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice do ex-presidente.
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