
Afeganistão
REUTERS/Hannah McKay
Resumo
Confrontos na fronteira entre Paquistão e Afeganistão mantêm fechada a passagem de Chaman, afetando o comércio e deixando caminhoneiros e famílias afegãs presas sem recursos básicos.
Impacto humanitário e econômico é severo, com refugiados e comerciantes enfrentando condições adversas e prejuízos financeiros devido à interrupção do tráfego de mercadorias essenciais.
Crise diplomática e logística persiste sem previsão de abertura da fronteira, enquanto autoridades e organizações humanitárias alertam para o agravamento da situação na região.
A fronteira de Chaman, que liga o Paquistão ao Afeganistão, permanece fechada neste domingo (12) após novos confrontos armados entre forças dos dois países. A escalada de violência deixou centenas de caminhões comerciais e dezenas de famílias afegãs presas na região, sem acesso a comida, água ou abrigo adequado.
Imagens obtidas pela Reuters mostram soldados paquistaneses patrulhando a passagem fronteiriça, com as bandeiras dos dois países visíveis ao fundo, enquanto longas filas de caminhões carregados com mercadorias permanecem paradas à espera da reabertura do posto de fronteira.
Caminhoneiros e famílias presas em meio ao conflito
A rota de Chaman-Spin Boldak é um dos principais pontos de comércio entre os dois países, por onde circulam diariamente alimentos, combustível e produtos industriais. Desde a intensificação dos ataques na região, os comboios foram obrigados a interromper as viagens, e motoristas aguardam há dias a liberação da passagem.
Entre os afetados estão refugiados afegãos que tentam retornar ao país de origem, levando seus pertences em caminhões e tratores. Famílias inteiras têm buscado abrigo improvisado sob os veículos, em meio ao calor intenso e à escassez de recursos.
“Estamos presos aqui por causa da guerra. Dizem que há combates na fronteira. As crianças, mulheres e idosos estão doentes, não há água nem comida. Não temos dinheiro para sobreviver nem por alguns dias. Eles deveriam resolver isso com diálogo. Na guerra, os dois países perdem. Ninguém ganha”, contou Mohammad Nabi, refugiado afegão, em entrevista à Reuters.
Outro refugiado, Wazir Mohammad, relatou que os bombardeios começaram pouco depois de sua chegada.
“Chegamos pela manhã e começaram os bombardeios. Que tipo de Islã é esse? Estamos presos, sem dinheiro, sem saída. Dizem que somos irmãos muçulmanos, mas nos atacam. Seria melhor nos matarem. É isso que chamam de fraternidade?”, questionou.
Comércio paralisado e crise humanitária
A interrupção da fronteira de Chaman tem impacto direto sobre o abastecimento de produtos básicos no sul do Afeganistão e no sudoeste do Paquistão. Além dos refugiados, motoristas e comerciantes relatam graves prejuízos financeiros devido à paralisação do tráfego de cargas.
A tensão na região tem aumentado desde o início do mês, quando o governo paquistanês anunciou uma ofensiva contra grupos armados afegãos que atuam na fronteira. As autoridades locais ainda não informaram quando o posto de Chaman será reaberto, e organizações humanitárias alertam para o risco de agravamento da crise caso o bloqueio se prolongue.
A passagem é considerada um dos principais corredores logísticos entre os dois países e uma rota essencial para o transporte de mantimentos destinados a regiões isoladas do Afeganistão.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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