
CPI tem relatório final rejeitado
Lula Marques/ Agência Brasil
Resumo
Encerramento da CPI do Crime Organizado no Senado ocorreu sem aprovação de relatório final, após rejeição do parecer do relator Alessandro Vieira por 6 votos a 4, marcando impasse entre o colegiado e o Judiciário devido à proposta de indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República.
Alteração na composição da comissão, com entrada de senadores do PT e mudança de suplentes para titulares, garantiu maioria governista e resultou na rejeição do relatório, destacando influência política nas decisões do colegiado.
Foco do relatório estava no “Caso Master”, envolvendo acusações de fraudes bilionárias e recomendações para endurecimento da legislação e criação de Ministério da Segurança Pública, mas, apesar do encerramento sem documento final, material produzido pode subsidiar investigações futuras pelo Ministério Público.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado encerrou os trabalhos nesta terça-feira (14) sem aprovar um relatório final. No último dia de funcionamento, o parecer do relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado por 6 votos a 4.
O texto previa o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade, ponto que concentrou as críticas e ampliou a tensão entre o colegiado e o Judiciário.
Base governista altera composição e garante maioria
A rejeição foi definida após mudanças na composição da CPI às vésperas da votação. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) deixaram o colegiado e foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), até então suplente, assumiu como titular.
Com a recomposição, votaram contra o relatório os dois substitutos petistas, Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).
Relatório focava no “Caso Master” e propunha mudanças na segurança pública
Com 221 páginas, o parecer de Vieira tinha como eixo o chamado “Caso Master”, que envolve o banco do empresário Daniel Vorcaro, preso desde o início de março de 2026, acusado de liderar um esquema de fraudes bilionárias. O relator sustentava que autoridades do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) teriam adotado condutas passíveis de responsabilização, o que, em tese, poderia embasar pedidos de impeachment.
O texto também trazia um diagnóstico sobre a atuação de cerca de 90 facções criminosas no país e sugeria medidas como o endurecimento de penas e a criação de um Ministério da Segurança Pública.
Mesmo relatório, material da CPI pode subsidiar investigações
Sem a aprovação do parecer, a CPI foi encerrada sem um documento final, o que limita efeitos políticos e institucionais imediatos. Ainda assim, as informações reunidas ao longo dos 120 dias de trabalho podem ser encaminhadas a órgãos como o Ministério Público para uma eventual apuração.
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