Resumo
A contestação da defesa do adolescente indiciado no caso do Cão Orelha em Santa Catarina baseia-se em novas imagens que sugerem erro na conclusão do inquérito da Polícia Civil, questionando o horário e a autoria da agressão, e atribuindo contradições do menor a confusões nos depoimentos.
A colaboração da família, a negação da agressão pelo adolescente e a entrega de dispositivos eletrônicos são destacadas pela defesa, que também rebate acusações de ocultação de vestuário e de coação de testemunhas, ressaltando que não houve ameaça ao porteiro do condomínio.
A pressão da opinião pública é apontada como fator para a rapidez do indiciamento, enquanto inconsistências no laudo veterinário e a falta de perícia oficial são enfatizadas pela defesa, que pede reavaliação do caso pelo Ministério Público e Judiciário, afirmando não haver provas para responsabilizar o adolescente.
A defesa do adolescente indiciado no caso do Cão Orelha na Praia Brava, em Santa Catarina, contesta veementemente a conclusão do inquérito da Polícia Civil, que pediu a apreensão do menor. Novas imagens, supostamente do cachorro caminhando calmamente mais de uma hora e meia após o horário da alegada agressão levantam dúvidas sobre a versão oficial. O advogado Alexandre Kale, que representa o adolescente, atribui as contradições do menor a confusões em depoimentos e acusa a polícia de pressa na conclusão do caso devido à pressão da opinião pública.
Imagens Inéditas e a Contradição Horária
Uma imagem, encaminhada pela defesa à Band e datada de 4 de janeiro às 7h06, mostra um cão "muito parecido com o Orelha" próximo ao local do suposto incidente. Essa gravação é posterior às 5h30, horário em que a Polícia Civil alega que o menor agrediu o animal. A defesa aponta que, se a imagem for realmente do Cão Orelha, isso pode indicar um erro grave no inquérito.
O advogado Alexandre Cale reforça a relevância do registro: "Essa imagem nos leva a crer, indubitavelmente, que o Cão Orelha depois do horário alegado pela autoridade policial na conclusão do auto de apuração de adolescente infrator não condiz com a realidade". Ele informa que essa imagem, e outras, foram anexadas pela polícia ao inquérito dos adultos, mas que a defesa não teve acesso completo ao material, pois está em perícia no Instituto Geral de Perícias para obedecer à cadeia de custódia.
Defesa do Adolescente: Negação, Confusão e Colaboração
O adolescente nega "veementemente" ter praticado o ato de agressão. A defesa explica que as supostas contradições no depoimento do jovem — que inicialmente disse não ter saído do condomínio, apesar de imagens mostrarem sua saída às 5h25 e retorno às 5h58 do dia 4 de janeiro — foram resultado de confusão.
"Ele foi questionado diversos momentos, diversos dias e não lembrava de tudo", justificou o advogado.
A defesa argumenta que a confusão do adolescente, que pensava estar apenas na piscina com uma amiga, não significa que ele tenha sido o agressor.
Alexandre Kale também contesta as acusações de ocultação de vestuário. O boné rosa levado pela mãe em São Paulo teria sido uma medida de precaução contra possíveis agressões do público, tendo sido guardado na Polícia Federal. Segundo o advogado, o moletom preto visto nas imagens era o que ele havia levado do Brasil, enquanto um segundo moletom, comprado nos Estados Unidos, estava na mala. A defesa enfatiza que a família está colaborando, fornecendo senhas de telefones e de dispositivos eletrônicos para auxiliar na investigação.
Inconsistências no Laudo Veterinário e Coação a Testemunhas
A defesa contesta a alegação da polícia de que o veterinário que atendeu o Cão Orelha tenha descartado a hipótese de atropelamento. Segundo Alexandre Kale, o veterinário não tem competência para emitir um laudo pericial, e o dano poderia ter sido causado por um carro manobrando debaixo do veículo onde o cachorro costumava se abrigar.
"O laudo tem que ser por um perito oficial do Instituto Geral de Perícia ou por determinação judicial, o que não houve", pontua o advogado.
Sobre as acusações de coação de testemunhas (o porteiro do condomínio), a defesa nega a intimidação. Os pais do adolescente procuraram o porteiro em 12 de janeiro para conversar sobre a animosidade e o fato de ele ter viralizado fotos, e não para ameaçar. Naquela data, não havia nenhum procedimento policial ou judicial instaurado, o que, segundo o advogado, inviabilizaria a acusação de "coação no curso do processo". O porteiro, por sua vez, relatou no inquérito que um familiar chegou "batendo a mão no peito dele".
Pressão Pública e Dano Irreparável
O advogado Alexandre Kale afirma que a polícia se apressou em indiciar o menor devido à pressão da opinião pública. Ele descreve como a versão se transformou em um "rastilho de pólvora" nas redes sociais, com informações iniciais equivocadas sobre como o cão teria sido agredido.
"O dano colateral é irretratável, o adolescente já está preso, ele não pode sair de casa mais", lamentou Kale, referindo-se ao fato de o jovem estar impedido de sair de casa.
A defesa afirma esperar que o Ministério Público e o Judiciário catarinense reavaliem o caso, porque considera que não é possível imputar o ato ao adolescente.
"Nós também temos interesse em saber quem matou a orelha", concluiu o advogado.
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