
Lula
REUTERS/Jorge Silva
Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal americano The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que os ataques e a prisão de Nicolás Maduro violam o direito internacional e representam uma ameaça à estabilidade global.
Segundo Lula, a ação dos Estados Unidos, realizada em 3 de janeiro, é “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”. O presidente argumenta que o uso indiscriminado da força enfraquece a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Conselho de Segurança. Para ele, quando a força deixa de ser exceção e passa a ser regra na resolução de disputas, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam em risco.
Lula considera “particularmente preocupante” que esse tipo de prática seja aplicado à América Latina e ao Caribe, regiões que, segundo ele, historicamente buscam a paz com base na igualdade soberana entre as nações, na rejeição ao uso da força e na defesa da autodeterminação dos povos.
O presidente também faz críticas diretas à retórica adotada pelo governo norte-americano. Em resposta à justificativa oficial de Washington, que afirmou que “este é o nosso hemisfério”, Lula intitulou o artigo como “Este hemisfério pertence a todos nós”.
No texto, Lula destaca ainda que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela representa um marco negativo na história. De acordo com o presidente, seria a primeira vez, em mais de 200 anos de independência, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
Sobre a situação venezuelana, Lula reforça que o futuro do país deve permanecer “nas mãos de seu próprio povo”. Ele defende que apenas um processo político inclusivo e conduzido internamente pode levar a uma solução democrática e sustentável. O presidente também afirma que o Brasil continuará cooperando com a Venezuela para garantir a segurança na fronteira e criar condições para o retorno seguro dos venezuelanos deslocados.
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