
EUA devem classificar PCC e CV como grupos terroristas, afirma NYT
Reprodução: Bloomberg
Resumo
Reportagem do The New York Times informa que os Estados Unidos avaliam classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, decisão motivada por pressões dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do ministro Mauro Vieira, manifesta oposição à medida, alegando violação da legislação nacional e ameaça à soberania, enquanto a Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre a inclusão das facções na lista de terrorismo.
O jornal americano The New York Times informou que os Estados Unidos consideram classificar as duas principais facções criminosas brasileiras, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como grupos terroristas. A notícia foi publicada nesta sexta-feira (27).
Segundo o texto, a decisão ocorreu após os filhos do ex-presidente preso Jair Bolsonaro (PL), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro, pressionarem o governo de Donald Trump. A avaliação da possibilidade de categorizar os grupos criminosos como perigosos para os EUA estaria sendo feita pelo Departamento de Estado, órgão responsável pela política externa e relações internacionais do país.
Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos na última quinta-feira (26), com o intuito de participar da Conferência de Ação Política Conservadora, em Dallas. O evento é um dos maiores da direita conservadora mundial desde 1974, formado por políticos, ativistas e figuras mundiais.
A Casa Branca não se pronunciou até o momento, porém confirmou ao Itamaraty que as duas facções oriundas do Brasil podem entrar para a lista de grupos terroristas. O governo federal se posicionou contra, afirmando que a inclusão do PCC e do CV na categoria ferem a legislação, além de ameaçar a soberania do país.
O governo Trump realiza campanhas para tornar grupos criminosos das Américas como facções terroristas. O republicano fez isso com a Venezuela e, logo depois, ordenou uma operação militar contra o ditador Nicolás Maduro. Cartéis do México também foram classificados como facções que representavam uma ameaça para os Estados Unidos.
Nesta sexta-feira (27), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mantiveram conversas sobre o assunto em encontros bilaterais durante a cúpula dos chanceleres do G7 na França. A expectativa é que Lula e Trump tratem do tema nos próximos meses, em agenda oficial.
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