Resumo
A escalada militar no Oriente Médio, após ataques da Guarda Revolucionária do Irã a bases dos EUA e retaliação do Pentágono, provoca incertezas no mercado brasileiro, especialmente diante do rompimento do cessar-fogo firmado em junho.
A intensificação do conflito no Estreito de Ormuz eleva o preço internacional do petróleo, que volta a superar US$ 80 por barril, gera temores de desabastecimento e pressiona a inflação e a política de juros no Brasil devido ao impacto nos combustíveis.
A confirmação do fim do acordo de paz por Donald Trump, o rompimento do Memorando de Islamabad e a revogação da licença de venda do petróleo iraniano aumentam as tensões, enquanto o Irã exige pedágio e autorização para circulação de navios na principal rota do petróleo global.
A iminente escalada militar no Oriente Médio e o risco de uma nova disparada nos preços dos combustíveis geram uma série de incertezas no mercado brasileiro, após a violação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã nesta quarta-feira (8).
Os próximos desdobramentos do conflito devem focar na intensificação das ações militares no Estreito de Ormuz, o pode gerar uma pressão inflacionária internacional, com impactos diretos no preço da gasolina, do diesel e do querosene de aviação no Brasil.
O novo capítulo no confronto acontece após a Guarda Revolucionária do Irã realizar ataques com mísseis e drones contra bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein.
A ação militar foi uma retaliação aos bombardeios conduzidos pelo Pentágono no território iraniano na terça-feira (7), após acusações de que Teerã estaria bloqueando a passagem de navios cargueiros pela região, por onde escoa 20% do petróleo global.
Aumento no preço do petróleo e impacto no Brasil
A violação da trégua fez com que a cotação do petróleo voltasse a subir rapidamente, que amanheceu na manhã desta quarta na casa dos US$ 80 por barril. A alta gera temores de desabastecimento internacional e pressiona a inflação e a política de juros no Brasil devido à alta nos preços dos combustíveis.
Anteriormente, o preço da matéria-prima vinha registrando uma trajetória de queda, recuando para a casa dos US$ 72 por barril após um longo período de três meses operando acima dos US$ 100 dólares.
Segundo a colunista de economia da BandNewsFM, Juliana Rosa, apesar do cenário ser incerto, a expectativa do mercado brasileiro era de que a trégua fosse duradoura, o que manteria a estabilidade no preço do petróleo.
"A gente já sabia que era um terreno frágil ali, esse cessar-fogo no Oriente Médio, mas a expectativa era que, aos trancos e barrancos, fôssemos ver um petróleo mais comportado daqui para frente", disse a jornalista.
Escalada de Tensões e o Colapso do Acordo de Paz
O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que o acordo provisório de cessar-fogo — assinado em 17 de junho — está encerrado. A declaração foi feita em Ancara, na Turquia, durante a reunião da cúpula da Otan, a maior aliança militar do mundo.
O republicano disse que negociar com o regime de Teerã é uma "perda de tempo", sinalizando que novas e pesadas ações militares americanas podem ocorrer para "eliminar o perigo" na região. O governo dos EUA também revogou a licença que permitia a venda do petróleo iraniano, concedida durante o período de trégua.
As hostilidades haviam diminuído temporariamente após a assinatura do Memorando de Islamabad, acordo mediado pelo Paquistão e pelo Catar, que estabelecia uma trégua de 60 dias.
No entanto, a tensão voltou a subir após ataques a três navios mercantes no Estreito de Ormuz, atribuídos ao Irã. Teerã exige a cobrança de uma espécie de pedágio financeiro e autorização prévia para permitir a circulação de embarcações comerciais na passagem.
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