Um novo plano de paz elaborado por Estados Unidos e Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia provocou forte reação de Kiev e de diplomatas europeus. O documento, que reúne 28 pontos, foi revelado na quarta-feira (19) com anuência da Casa Branca. Mas o documento não foi discutido com a Ucrânia, que rejeita as negociações.
Na Europa, o correspondente da BandNews FM Felipe Kieling acompanha a reação das autoridades europeias ao plano.
O governo ucraniano reiterou que qualquer acordo precisa envolver diretamente o país, parte envolvida no conflito. Representantes da União Europeia também criticaram o processo e afirmaram que a Europa deve participar de qualquer mesa de negociações. Para chancelarias europeias, não é possível que Washington e Moscou avancem em tratativas sem a anuência de Kiev.
Entre os itens mais sensíveis do documento estão a redução pela metade do efetivo do Exército ucraniano e a devolução de armas de longo alcance, especialmente mísseis. Como o material foi obtido por meio de vazamentos, ainda não está claro se a referência é ao contingente atual de cerca de 900 mil soldados ou ao número pré-guerra, de aproximadamente 200 mil.
Propostas favorecem Moscou, dizem analistas
Além das exigências militares, o plano prevê concessões territoriais amplas, incluindo a cessão de toda a região de Donbass. Atualmente, a Rússia não controla a totalidade da área, o que obrigaria a Ucrânia a abrir mão de cerca de 15% do território que ainda mantém sob domínio. Regiões como Zaporizhia e Kherson teriam a linha de frente congelada para negociações futuras.
As propostas seguem na direção dos interesses históricos do Kremlin. A avaliação é de que Moscou não está disposta a negociar fora de seus próprios termos e, caso Kiev rejeite as demandas, continuará com a ofensiva militar, que já se arrasta há quase quatro anos. Apesar de avanços graduais, a Rússia tem conseguido ampliar áreas ocupadas e pressiona a Ucrânia a aceitar condições consideradas desfavoráveis.
O cenário político em Kiev também gera preocupação. Um aliado do presidente Volodymyr Zelensky foi acusado de desviar 100 milhões de dólares, mais um escândalo que afeta a imagem do governo. Para ingressar na União Europeia, a Ucrânia precisa demonstrar avanços no combate à corrupção, o que se torna ainda mais difícil diante de episódios recorrentes. A instabilidade interna reduz a capacidade do país de manter apoio externo e mobilizar recursos.
Conflito em Gaza continua sem avanços
Felipe Kieling também destacou a situação no Oriente Médio. Apesar de um acordo de cessar-fogo firmado em 10 de outubro e já em vigor há seis semanas, ataques continuam na Faixa de Gaza. Segundo autoridades locais ligadas ao Hamas, cerca de 300 palestinos morreram em bombardeios israelenses desde então. Israel afirma responder a ataques do Hamas contra tropas israelenses.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou o avanço para a segunda fase do acordo, prevendo uma força internacional de segurança e uma transição política, mas Hamas rejeitou o modelo por considerá-lo um mecanismo de desarmamento do grupo. O plano apoiado pelos Estados Unidos inclui participação de países árabes e uma reorganização da Autoridade Palestina antes que ela reassuma o controle da região.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência tanto de lideranças palestinas quanto de setores do governo israelense. Políticos palestinos afirmam que Israel sabota o processo ao manter bombardeios, enquanto Israel acusa o Hamas de violar o cessar-fogo.
Sem consenso, a expectativa de uma solução duradoura permanece distante. O cenário continua instável em Gaza e incerto na Ucrânia, onde o impasse diplomático e militar impede qualquer avanço imediato.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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