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Felipe Kieling: países pedem ao Irã a liberação do Estreito de Ormuz

Nações que antes resistiam a um pedido dos EUA agora sinalizam esforço conjunto para garantir o fluxo de navios na rota mais importante de energia do mundo

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 10:06 • Atualizado em 20/03/2026 • 10:06

Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz

REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Resumo

Declaração conjunta de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão anuncia disposição para trabalhar na reabertura do Estreito de Ormuz, atualmente restringido por forças iranianas, após recuo na negativa de apoiar ação militar dos EUA e condenação de ataques iranianos a navios e infraestrutura de energia.

Fechamento do estreito e ataques a campos de gás, como o do Catar, provocam alta recorde do petróleo, danos bilionários à infraestrutura energética e discussões sobre racionamento de combustível na Europa, sendo considerados ameaças graves ao fornecimento global de energia.

Cenário permanece incerto diante de advertências do Irã a países que apoiarem os EUA, pressão americana por solução sem envio de tropas terrestres e alertas de analistas sobre possíveis perdas trilionárias para a economia mundial caso o petróleo suba ainda mais, com impactos diretos em preços e inflação no Brasil.

Em uma mudança de postura diplomática, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão anunciaram em declaração conjunta que estão dispostos a trabalhar pela reabertura do Estreito de Ormuz.

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A rota, por onde escoa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, está com a circulação restrita por forças iranianas, o que elevou o preço do barril do tipo Brent para mais de US$ 100 e acendeu o alerta sobre uma crise energética global.

A decisão representa um recuo em relação à negativa inicial de se juntarem a um esforço militar liderado pelos Estados Unidos na região.

O comunicado, divulgado na quinta-feira (19), condena as ações iranianas, incluindo ataques a navios e a infraestruturas de petróleo e gás, mas não especifica como a reabertura do estreito seria colocada em prática.

A movimentação ocorre em um momento de extrema tensão, após retaliações do Irã a alvos estratégicos de países afetados, como o Catar.

Impacto nos mercados de energia

A escalada do conflito tem consequências diretas e graves para a economia global. O fechamento do Estreito de Ormuz é a principal causa da disparada no preço do petróleo, que se mantém no patamar mais elevado desde 2022.

A situação é agravada por ataques diretos a estruturas de produção, como os ocorridos em um importante campo de exploração de gás no Catar, que sofreu danos extensos.

A estatal QatarEnergy comunicou que o prejuízo pode ser bilionário e que a reconstrução de parte das instalações danificadas pode levar anos.

Essa destruição da infraestrutura é vista por especialistas como um problema ainda mais preocupante do que o bloqueio naval, pois limita a oferta de gás e petróleo a longo prazo, independentemente do preço que o mercado esteja disposto a pagar. Na Europa, já se discute um possível racionamento de combustível de aviação.

Possíveis desdobramentos

O cenário futuro é incerto e depende da disposição dos países em conter a escalada de violência. O Irã já advertiu que qualquer nação que auxilie os EUA na reabertura do Estreito de Ormuz será considerada "cúmplice".

Enquanto isso, os Estados Unidos pressionam por uma solução, mas descartam o envio de tropas terrestres ao território iraniano.

Analistas econômicos alertam que, caso o preço do barril de petróleo atinja valores próximos a US$ 150, a economia mundial pode sofrer uma perda de quase US$ 3 trilhões em um ano, com aumento da inflação e desaceleração do crescimento.

Para o Brasil, a alta do petróleo pressiona diretamente os preços dos combustíveis e dos alimentos, impactando toda a cadeia logística e a inflação.