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Fernando Schüler: Lula nunca conseguiu construir a coalizão

Apesar de medidas pontuais, como a isenção do Imposto de Renda, governo teve papel secundário na reforma tributária

Da redação
DA REDAÇÃO

30/04/2026 • 10:02 • Atualizado em 30/04/2026 • 10:02

Lula durante entrevista aos portais Brasil247, DCM e Revista Fórum

Lula durante entrevista aos portais Brasil247, DCM e Revista Fórum

Ricardo Stuckert/PR

Resumo

Fragilidade da base de apoio do governo Lula dificulta controle sobre pautas estratégicas no Congresso, exemplificada pela condução parlamentar da reforma tributária e geração de incertezas em decisões como a sucessão no Senado.

Análise do cientista político Fernando Schüler destaca cenário adverso para o Executivo, apesar de vitórias pontuais como a aprovação da isenção do Imposto de Renda, indicando desafios persistentes na articulação política.

Influência de lobbies e valorização das alianças elevam a importância do futuro presidente do Senado, que terá poder de indicar ministros ao STF e definir novo equilíbrio de forças na corte, com destaque para o papel de Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado, desde o início, uma dificuldade crônica para consolidar uma base de apoio sólida no Congresso Nacional. Essa fragilidade no chamado "presidencialismo de coalizão" resultou na perda de controle sobre pautas estratégicas, como a reforma tributária, e gera incertezas em momentos decisivos, como a sucessão na presidência do Senado.

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Segundo o cientista político e colunista da BandNews FM, Fernando Schüler, mesmo com vitórias importantes do governo no Legislativo, como a aprovação da isenção do Imposto de Renda para uma nova faixa de contribuintes, o cenário para o Executivo é adverso.

A grande reforma da atual gestão, a tributária, exemplifica a perda de comando do governo no Congresso. A tramitação foi majoritariamente conduzida pelos parlamentares, com forte influência de lobbies de diversos setores. O resultado foi a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) considerado um dos mais altos do mundo para quem não se enquadra em regimes especiais.

O xadrez da sucessão no Senado e o valor do futuro presidente

De acordo com o colunista, o cenário político atual elevou o valor de mercado das alianças para o futuro presidente do Senado. A recente derrota do governo para o senador Davi Alcolumbre (União-AP) torna improvável um apoio irrestrito ao nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apadrinhado por Alcolumbre, ao STF. A análise é que, embora o Executivo não possa se indispor com Alcolumbre, ceder totalmente aos desejos dele seria um sinal de fraqueza excessiva.

O cientista político pondera que próximo presidente terá o poder de indicar pelo menos três ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode redefinir o equilíbrio de forças na mais alta corte do país.