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Observatório declara fim da fome em Gaza, mas crise humanitária continua

Relatório da IPC aponta que melhora no acesso à ajuda humanitária após cessar-fogo reverteu o quadro mais grave, mas alerta que situação é 'frágil' e pode se agravar

Por Redação
REDAÇÃO

21/12/2025 • 17:37 • Atualizado em 21/12/2025 • 17:37

Gaza

Gaza

REUTERS/Ramadan Abed

Resumo

Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC) apontou que a Faixa de Gaza não está mais tecnicamente em situação de fome, graças ao aumento da entrada de ajuda humanitária após o cessar-fogo entre Israel e Hamas, mas alertou que a situação permanece crítica e instável, com grande parte da população ainda em emergência alimentar.

A análise da IPC, apoiada pela ONU e agências humanitárias, destacou que cerca de 100 mil pessoas seguem em condições catastróficas e quase todos os habitantes de Gaza continuam em níveis graves de insegurança alimentar, dependendo fortemente da continuidade do acesso a alimentos e suprimentos externos para evitar uma nova piora.

A trégua permitiu a entrada diária de centenas de caminhões com suprimentos, segundo Israel, mas as conclusões do relatório foram questionadas pelo governo israelense, enquanto o Hamas contestou os números da ajuda; o documento enfatizou que qualquer reversão no cessar-fogo ou no fluxo de ajuda pode levar Gaza de volta ao risco de fome, tornando essencial a manutenção e ampliação do apoio humanitário e a reconstrução da infraestrutura local.

Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), principal autoridade global no monitoramento da fome, apontou que a Faixa de Gaza não se enquadra mais tecnicamente na classificação de fome. A melhora no cenário é resultado direto do aumento na entrada de ajuda humanitária desde o início do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em 10 de outubro. Apesar do avanço, o documento alerta que a situação no enclave continua crítica e altamente frágil.

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A nova avaliação surge quatro meses após o mesmo observatório ter declarado, em agosto, um estado de fome em partes de Gaza, quando mais de 514 mil pessoas — quase um quarto da população — enfrentavam o nível mais catastrófico de insegurança alimentar. A declaração atual representa uma reversão do quadro mais agudo, mas o relatório sublinha que a crise está longe de terminar, com a grande maioria dos palestinos ainda em situação de emergência alimentar.

O que diz o relatório?

A análise da IPC, apoiada pela ONU e diversas agências humanitárias, esclarece que, embora nenhuma área esteja mais classificada como fome, cerca de 100 mil pessoas ainda vivem em "condições catastróficas" e quase toda a população de Gaza permanece em fases de "crise" (terceiro nível mais grave em uma escala que vai de um a cinco) ou "emergência" (na quarta etapa). A melhora foi possível graças à entrada de um volume maior de alimentos e suprimentos, mas o progresso é considerado instável.

O documento é enfático ao afirmar que "no pior cenário possível, que incluiria a retomada das hostilidades e a interrupção dos fluxos humanitários e comerciais, toda a Faixa de Gaza corre o risco de passar fome até meados de abril de 2026". A declaração ressalta a dependência contínua da ajuda externa para a sobrevivência da população.

O papel do cessar-fogo e a posição de Israel

A trégua, que começou em 10 de outubro após meses de conflito intenso, foi o fator determinante para a melhora no acesso humanitário. Israel, que controla todas as fronteiras do enclave, afirma ter aumentado significativamente a permissão de entrada de suprimentos. O Cogat, órgão militar israelense que coordena a ajuda, declarou que desde o início do cessar-fogo, entre 600 e 800 caminhões com alimentos e outros itens entraram diariamente em Gaza.

No entanto, o governo israelense rejeitou as conclusões do relatório da IPC, afirmando que ele se baseia em dados falhos e que "induz a comunidade internacional ao erro". O Hamas, por sua vez, contesta os números de Israel, alegando que a quantidade de ajuda que efetivamente chega à população é muito menor.

Próximos Passos e o Alerta para o Futuro

O principal alerta do relatório da IPC e das agências da ONU é que qualquer ganho obtido é reversível. A continuidade do cessar-fogo e a garantia de um acesso humanitário seguro e sem impedimentos são cruciais para evitar um retrocesso. A reconstrução da infraestrutura local, como terras cultiváveis e sistemas de água, destruída durante o conflito, é vista como fundamental para uma solução de longo prazo.

A comunidade internacional mantém a pressão para que o fluxo de ajuda não apenas continue, mas seja ampliado. A preocupação agora se volta para a sustentabilidade dessa melhora e os riscos que uma nova escalada do conflito representaria para milhões de vidas que ainda dependem de ajuda para sobreviver.