O âncora do programa O É da Coisa, Reinaldo Azevedo, critica a entrevista do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Folha de S.Paulo em que o parlamentar defende ações contra o STF (Supremo Tribunal Federal) caso a Corte declare como institucional um indulto ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a declaração representa uma “ameaça aberta à democracia” e uma tentativa de preparar o terreno para um golpe de Estado em 2027.
“O senhor Flávio Bolsonaro concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo e defende abertamente um golpe de Estado em 2027, a depender das circunstâncias”, disse Azevedo. “Isso não é uma superinterpretação que eu estou fazendo, não. Foi aquilo que ele falou.”
O jornalista destacou a revelação de um suposto “contrato de gaveta” entre Bolsonaro e pré-candidatos que se comprometeriam a conceder anistia ou indulto ao ex-presidente em troca de apoio político. “Ele está anunciando que existe um contrato de gaveta para dar um golpe”, afirmou. “Os pré-candidatos bolsonaristas teriam feito um contrato de gaveta com Bolsonaro para atropelar o Supremo.”
O trecho mais alarmante, para Reinaldo, é a exigência explícita de que o futuro presidente imponha medidas ao STF, caso o indulto seja declarado ilegal. “Nosso candidato tem de se comprometer com o indulto e com a imposição dele”, ironizou. “Porque ele mesmo admite que se der o indulto, o Supremo vai dizer que não vale. Porque não vale.”
Para o âncora, a lógica do discurso conduz diretamente à ideia de uma intervenção militar. “Quem usaria a força? O presidente? Segundo o artigo 142, teria de ser militar”, apontou, ao criticar a leitura distorcida da Constituição por parte de setores bolsonaristas. “Isso aqui é ameaça de intervenção militar no Supremo.”
Reinaldo reforçou a gravidade do cenário proposto por Flávio ao propor um exercício de inversão de papéis. “Vocês imaginam se um líder do MST fala um troço como esse, o que ia acontecer?”, perguntou. “Ele está falando de luta armada. Está ameaçando o processo político com luta armada.”
Ainda durante o programa, Reinaldo Azevedo comentou o vídeo publicado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com referências bíblicas que foram interpretadas como um gesto político em direção às eleições de 2026.
No material, ele se compara a personagens como Moisés e Abraão, numa mensagem dirigida ao eleitorado cristão conservador. Para o jornalista, trata-se de uma tentativa de marcar distância de Jair Bolsonaro, seu padrinho político.
“Ele está tentando associar o Lula ao faraó. Quando fala 'sai da sua casa, sai da sua parentela, sai da casa do seu pai', está mandando um recado. Quem é o pai político do Tarcísio? É o Bolsonaro”, avaliou Reinaldo. “Isso aqui ele está dizendo: ‘eu vou sair’. Vai? Não sei.”
Reinaldo também ironizou o tom messiânico do governador. “O Tarcísio andou se dizendo uma mistura de Abraão com Moisés. Nada a menos”, comentou. E completou: “Imagine, Arthur, imagine, Lucas, o Tarcísio, tal qual Moisés, levantaria a vara e as águas invadiriam o Supremo. Que águas, Reinaldo? Lá do lago Paranoá?”
Ao tratar das articulações para a candidatura bolsonarista em 2026, Reinaldo lembrou que há no entorno do ex-presidente quem considere Tarcísio o nome ideal. “O Tarcísio seria próprio para o quê? Dar um indulto e ameaçar o Supremo?”, questionou. Ele defendeu que os pré-candidatos ligados ao bolsonarismo sejam cobrados publicamente sobre essas intenções. “A imprensa tem uma obrigação moral, política, profissional, democrática: perguntar aos candidatos do bolsonarismo. O senhor ou a senhora se comprometeu a conceder indulto aos condenados e a dar um golpe caso o Supremo venha considerar o procedimento inconstitucional?”
Azevedo também mencionou a reação de Eduardo Bolsonaro ao movimento de Tarcísio, visto como um recado contrário à sua eventual candidatura. “Parece que o Eduardo não quer o Tarcísio. Foi interpretado o que ele andou escrevendo aí como recado ao Tarcísio”, afirmou.
O texto foi gerado por Inteligência Artificial e revisado pela redação do Band.com.br.
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