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Itamaraty vê provocação em pedido de visita de aliado de Trump a Bolsonaro

Chanceler aguarda decisão de Moraes antes de reagir a articulação de defesa de Bolsonaro para encontro na Papuda com conselheiro de Trump

AUGUSTO VALLE

10/03/2026 • 18:30 • Atualizado em 10/03/2026 • 18:30

Darren Beatti, assessor dos EUA para política em relação ao Brasil

Darren Beatti, assessor dos EUA para política em relação ao Brasil

Divulgação

Pessoas próximas ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, avaliam que o pedido de visita apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que Darren Beattie, conselheiro sênior do governo de Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, o encontre na Penitenciária da Papudinha é uma tentativa de provocação e busca interferir nas negociações para um encontro entre Lula e o republicano em Washington.

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Segundo esses interlocutores, o requerimento apresentado à Justiça para que o assessor de Trump visite Bolsonaro parte de figuras ligadas ao movimento MAGA (sigla de Make America Great Again), e tem caráter político, mais do que jurídico.

A percepção no Itamaraty é que aliados do ex-presidente pretendem criar novo foco de tensão e prejudicar, mais uma vez, a relação entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação ocorre em meio à viagem do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, aos Estados Unidos, onde ele deve se encontrar com o deputado Eduardo Bolsonaro.

Temor de desgaste diplomático

Na visão de diplomatas ouvidos pela reportagem, o foco dessa articulação é atrapalhar o processo em curso para viabilizar uma reunião entre o presidente Lula e Donald Trump na capital americana. A leitura é que o episódio pode gerar ruído antes mesmo de o encontro ser confirmado.

Para integrantes do governo, a eventual visita de um conselheiro de Trump a Bolsonaro na Papudinha, em cenário de forte polarização política nos dois países, tende a ser explorada por apoiadores do movimento MAGA e por opositores de Lula, com potencial de desgaste na relação bilateral.

Itamaraty aguarda decisão de Moraes

Apesar da inquietação, o Ministério das Relações Exteriores não deve tomar, por ora, qualquer atitude prática em relação ao pedido da defesa do ex-presidente. O Itamaraty aguarda uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre a autorização para a visita.

Somente após o posicionamento do magistrado, a diplomacia brasileira pretende avaliar se o caso pode, de fato, afetar a agenda entre Lula e Trump e se será necessária alguma manifestação oficial ou contato reservado com autoridades norte-americanas.

Negociações para encontro seguem em curso

Enquanto acompanha o desenrolar do episódio, o governo brasileiro mantém as conversas com representantes ligados a Trump para construir as condições de uma reunião em Washington. De acordo com fontes diplomáticas, as duas partes continuam a discutir datas, formato e pautas do possível encontro entre os presidentes.