
Darren Beatti, assessor dos EUA para política em relação ao Brasil
Divulgação
Pessoas próximas ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, avaliam que o pedido de visita apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que Darren Beattie, conselheiro sênior do governo de Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, o encontre na Penitenciária da Papudinha é uma tentativa de provocação e busca interferir nas negociações para um encontro entre Lula e o republicano em Washington.
Segundo esses interlocutores, o requerimento apresentado à Justiça para que o assessor de Trump visite Bolsonaro parte de figuras ligadas ao movimento MAGA (sigla de Make America Great Again), e tem caráter político, mais do que jurídico.
A percepção no Itamaraty é que aliados do ex-presidente pretendem criar novo foco de tensão e prejudicar, mais uma vez, a relação entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação ocorre em meio à viagem do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, aos Estados Unidos, onde ele deve se encontrar com o deputado Eduardo Bolsonaro.
Temor de desgaste diplomático
Na visão de diplomatas ouvidos pela reportagem, o foco dessa articulação é atrapalhar o processo em curso para viabilizar uma reunião entre o presidente Lula e Donald Trump na capital americana. A leitura é que o episódio pode gerar ruído antes mesmo de o encontro ser confirmado.
Para integrantes do governo, a eventual visita de um conselheiro de Trump a Bolsonaro na Papudinha, em cenário de forte polarização política nos dois países, tende a ser explorada por apoiadores do movimento MAGA e por opositores de Lula, com potencial de desgaste na relação bilateral.
Itamaraty aguarda decisão de Moraes
Apesar da inquietação, o Ministério das Relações Exteriores não deve tomar, por ora, qualquer atitude prática em relação ao pedido da defesa do ex-presidente. O Itamaraty aguarda uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre a autorização para a visita.
Somente após o posicionamento do magistrado, a diplomacia brasileira pretende avaliar se o caso pode, de fato, afetar a agenda entre Lula e Trump e se será necessária alguma manifestação oficial ou contato reservado com autoridades norte-americanas.
Negociações para encontro seguem em curso
Enquanto acompanha o desenrolar do episódio, o governo brasileiro mantém as conversas com representantes ligados a Trump para construir as condições de uma reunião em Washington. De acordo com fontes diplomáticas, as duas partes continuam a discutir datas, formato e pautas do possível encontro entre os presidentes.
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