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Juliana Rosa: BC sob pressão no Copom e o risco de 'frango' no caso Master

Decisão sobre Selic ocorre em meio a questionamentos sobre falha na fiscalização do banco liquidado; entenda o cenário e as expectativas para a economia.

Por Redação
REDAÇÃO

26/01/2026 • 16:53 • Atualizado em 26/01/2026 • 16:53

Juliana Rosa
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Resumo

Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acontece sob pressão de escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e expectativa de manutenção da taxa Selic, com foco do mercado em possíveis sinais de início do ciclo de cortes a partir de março.

Inflação encerra 2025 abaixo da meta devido à desvalorização do dólar, mas preços de serviços permanecem elevados por fatores internos, o que exige cautela do Banco Central diante de um cenário de volatilidade causado por eleições e insegurança institucional.

Liquidação do Banco Master em novembro de 2025 expõe falhas na fiscalização do sistema financeiro, atribuídas à fraude sofisticada, falta de recursos de supervisão e receio institucional, tornando indispensável investigação para restaurar a confiança do mercado.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta semana para a primeira decisão do ano sobre a taxa básica de juros, a Selic, em um cenário econômico complexo e sob a sombra de um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro. A chamada "Super Quarta", que coincide com a decisão de juros nos Estados Unidos, encontra a autoridade monetária brasileira pressionada por questionamentos sobre sua atuação no caso do Banco Master.

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Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, a expectativa unânime do mercado é de que a taxa Selic seja mantida no patamar atual. Contudo, a atenção se volta para o comunicado que será divulgado após a reunião, em busca de uma sinalização clara de que o ciclo de cortes pode começar em março.

Apesar de a inflação ter encerrado 2025 abaixo da meta, um resultado considerado surpreendente, a análise mostra que essa queda foi majoritariamente influenciada por fatores externos.

"A inflação caiu basicamente por conta do dólar", explicou Juliana Rosa.

A desvalorização da moeda americana, impulsionada pela fraqueza da economia dos EUA sob a política de Donald Trump, ajudou a aliviar os preços de produtos importados e alimentos no Brasil.

No entanto, a inflação de serviços – que inclui itens como alimentação fora de casa, mensalidades escolares e planos de saúde – continua elevada e cede de forma lenta.

“É aquela inflação que depende mais das nossas questões internas”, ressaltou a jornalista.

Esse é um dos principais pontos de cautela para o Banco Central.

Cenário de incertezas e riscos

A economia brasileira, embora em desaceleração, perde força em um ritmo bastante gradual. As projeções indicam um crescimento menor para este ano, mas não uma queda abrupta, o que permite ao Banco Central uma postura mais cautelosa.

O cenário internacional, com a provável continuidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve, tende a manter o dólar enfraquecido, o que beneficia o Brasil. Esse movimento atrai capital estrangeiro, como visto nos recordes da Bolsa de Valores.

Contudo, o ambiente doméstico adiciona uma camada de complexidade.

"A gente tem eleições. A questão das eleições mexe muito com o mercado financeiro. Então, é um ano de muita volatilidade", avalia Juliana Rosa.

Soma-se a isso a "insegurança institucional e jurídica", um fator fundamental para investimentos e que é diretamente impactado pelo caso do Banco Master.

Falha na fiscalização? O caso Banco Master

A liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 por grave crise de liquidez e violações normativas, levantou sérias dúvidas sobre a eficácia da supervisão do sistema.

Juliana Rosa concorda que houve falhas no processo e que o episódio representa um "frango" tomado pelos técnicos do BC. Ela aponta para uma combinação de fatores que podem explicar o ocorrido: a sofisticação da fraude, a precarização de recursos humanos e tecnológicos nos órgãos de fiscalização e um receio institucional de tomar decisões por medo de retaliações futuras.

"Eles demoram a tomar as decisões para ter absoluta certeza, sabe quando você faz a conta dez vezes para ter certeza que não errou nem uma vírgula, porque isso depois vai se voltar contra você", analisou.

A jornalista diferenciou o caso do escândalo da Americanas, que pegou o mercado de surpresa. Sobre o Master, segundo ela, já se ouvia há tempos que a instituição tinha uma "gestão temerária" e um modelo de negócios "arriscado".

A investigação e a reflexão sobre os erros são vistas como cruciais para fechar as brechas no sistema e restaurar a confiança.

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