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Juliana Rosa: Bolsa recorde contrasta com crise institucional no país

Em meio a cenário externo favorável, com dólar em queda, Ibovespa atinge 177 mil pontos; debate sobre solidez de órgãos reguladores no Brasil domina análise

Por Redação
REDAÇÃO

22/01/2026 • 22:23 • Atualizado em 22/01/2026 • 22:23

Juliana Rosa
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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Bolsa de Valores brasileira, a B3, atingiu um novo recorde histórico nesta semana, alcançando a marca de 177 mil pontos pelo terceiro pregão consecutivo, em um movimento impulsionado principalmente pela instabilidade nos Estados Unidos. Segundo a colunista de economia da Rádio BandNews FM, Juliana Rosa, o Brasil se beneficia de uma rotação de investimentos global, mas o otimismo do mercado contrasta com uma profunda crise de confiança nas instituições do país.

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Segundo ela, o bom desempenho do mercado de capitais brasileiro é reflexo direto de um cenário internacional volátil. A imprevisibilidade da presidência de Donald Trump nos EUA leva investidores a buscarem mercados alternativos para diluir riscos.

Com isso, o capital estrangeiro flui para países emergentes, e o Brasil, nesse contexto, tem se destacado. A consequência imediata foi também a queda do dólar, cotado abaixo de R$ 5,30.

Para Juliana Rosa, o Brasil se beneficia do fato de que, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Ela explica que, apesar das incertezas políticas internas, o país atraiu um volume recorde de investimento estrangeiro direto no fim do ano passado, destinado a projetos de longo prazo, como infraestrutura e indústria, o que sinaliza confiança na economia real.

Crise de confiança institucional

Apesar dos números positivos na economia, o debate central na análise de Juliana Rosa é a fragilidade das instituições brasileiras. O recente escândalo financeiro envolvendo o Grupo Master, descrito como uma "sonegação sofisticadíssima", acendeu um alerta sobre a capacidade de fiscalização de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Embora Juliana Rosa tenha assegurado que não há risco de uma crise sistêmica no setor bancário brasileiro, ela apontou para um problema mais profundo: a tentativa de enfraquecer as agências reguladoras. A jornalista criticou a sugestão do ministro da Fazenda de transferir as atribuições da CVM para o Banco Central, classificando a medida como inadequada e prejudicial à confiança do mercado.

Na avaliação da colunista, em vez de discutir mudanças estruturais em um momento de crise, a prioridade deveria ser o fortalecimento das instituições existentes.

O dever de casa e o potencial perdido

A discussão evidencia um sentimento de frustração com a forma como o poder público lida com o potencial econômico do país. Segundo Juliana Rosa, se o Brasil fizesse o "mínimo do dever de casa" no que diz respeito à segurança jurídica e institucional, o potencial de crescimento seria explosivo.

A colunista destacou que a falta de recursos e a influência política em órgãos como a CVM e até mesmo no Banco Central minam a credibilidade do Brasil. Ela mencionou a percepção de que houve uma "infiltração tamanha nas instituições" que leva a propostas drásticas, como a de "jogar [a responsabilidade] para o Banco Central, que é uma instituição que tem uma força ainda".

O contraponto, segundo os analistas, é que o governo parece priorizar o investimento em órgãos arrecadadores, como a Receita Federal, em detrimento de agências reguladoras essenciais para a estabilidade e a confiança do investidor. A conclusão é que o escândalo do Banco Master, embora pequeno em escala, joga luz sobre a necessidade urgente de fortalecer o Estado regulador, garantindo que o cidadão comum possa investir suas economias com segurança e sem dúvidas sobre a solidez do sistema.

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