
Trump e Xi Jinping
REUTERS/Kevin Lamarque
O dólar operou em queda nesta quinta-feira (5), ficando abaixo de R$ 5,60, após a divulgação de uma conversa telefônica entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. O contato, que durou cerca de uma hora e meia, gerou um alívio momentâneo nos mercados, segundo análise da colunista de economia Juliana Rosa, da BandNews FM. A jornalista comentou o tema no programa Entre Nós, destacando que o movimento positivo não reflete estabilidade, mas sim mais um capítulo da constante oscilação que marca as relações comerciais entre as duas potências.
“É o famoso ‘morde e assopra’. Uma hora Trump acena com acordos, na outra volta atrás e impõe tarifas altíssimas. É assim que vamos viver pelos próximos anos: com emoção e imprevisibilidade”, avaliou Juliana.
No mês de maio, a trégua entre os EUA e a China animou os mercados, mas o clima azedou com a retomada das tarifas de importação. Em sua participação, Juliana lembrou que as sobretaxas chegaram a 145% em alguns produtos. O alívio visto nesta quinta-feira, segundo ela, decorre da expectativa gerada após o telefonema entre os líderes — o primeiro desde a última tentativa de trégua, que durou apenas alguns dias.
Para a jornalista, o grande risco global não está apenas nas tarifas em si, mas na incerteza que paralisa decisões de investimento. “Empresários me dizem que o pior não é saber se a tarifa será de 25% ou 50%, e sim acordar no dia seguinte com uma mudança repentina. A insegurança trava o consumo e os investimentos. Isso derruba a economia”, afirmou.
Juliana também relatou preocupações do setor siderúrgico brasileiro. Com o Brasil sendo o segundo maior fornecedor de aço aos EUA, atrás apenas do Canadá, as siderúrgicas esperam sofrer impactos limitados no curto prazo — já que os americanos dependem das chamadas placas de aço brasileiras para fabricar produtos como geladeiras e fogões. No entanto, o temor maior está no avanço da China sobre o mercado interno brasileiro. “Eles produzem mais de 30% de tudo que se consome no mundo. Com tanto excedente, há risco de enxurrada de produtos chineses no Brasil, o que ameaça nossa indústria”, alertou.
Apesar do ambiente conturbado, Juliana vê com bons olhos a postura diplomática do governo brasileiro, que tem evitado confrontos diretos e buscado diálogo. “É briga de cachorro grande. O Brasil está certo em tentar se blindar e negociar com cautela”, afirmou, ao comentar os esforços do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento em proteger setores sensíveis como o do aço.
A queda do dólar, ainda que pontual, foi recebida com um misto de alívio e ceticismo. “Essa cotação de R$ 5,59 reflete mais uma esperança do que uma tendência. Pode mudar a qualquer momento, dependendo de um tweet”, ironizou a colunista, em referência ao estilo imprevisível de comunicação de Trump.
No fim, Juliana Rosa resumiu o sentimento do mercado em uma palavra: incerteza. “O medo, mesmo que nada aconteça de imediato, já causa retração. E isso é suficiente para afetar o crescimento global”, concluiu.
* O texto acima usou Inteligência Artificial para transcrição, mas foi editado por um jornalista
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