Band News FM
BandNews FM

Juliana Rosa: endividamento das famílias bate recorde, aponta Banco Central

Governo prepara pacote de renegociação, que deve ser anunciado no Dia do Trabalhador

Da redação
DA REDAÇÃO

27/04/2026 • 11:10 • Atualizado em 27/04/2026 • 11:10

endividamento

endividamento

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Resumo

O endividamento das famílias brasileiras alcançou novo recorde histórico em fevereiro, com dívidas chegando a 49,9% da renda e comprometimento mensal das parcelas atingindo 29,7%, segundo dados do Banco Central; a maior parte das dívidas é para despesas básicas como aluguel, saúde e educação.

O governo federal prepara o lançamento do programa Desenrola 2.0, que deve ser anunciado no Dia do Trabalhador, com foco em pessoas de até cinco salários mínimos, oferecendo descontos de até 90% nas dívidas, garantia do Tesouro Nacional e possibilidade de uso do FGTS para quitar débitos, além de medidas para evitar reendividamento como restrição do CPF em sites de apostas.

Especialistas e membros do governo alertam para o caráter pontual do Desenrola 2.0 e criticam a falta de soluções para causas estruturais do endividamento, destacando os juros altos do cartão de crédito (428,3% ao ano), a Selic elevada (14,75% ao ano) e pressões externas como o preço internacional do petróleo, fatores que dificultam a saída das famílias do ciclo de dívidas.

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde histórico, com as dívidas subindo para 49,9% da renda em fevereiro, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005.

Compartilhar

Diante do cenário, o governo federal prepara o lançamento do programa Desenrola 2.0, uma nova rodada de renegociação de débitos que pode oferecer descontos de até 90%. A medida deve ser anunciada no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador.

O comprometimento da renda mensal apenas com o pagamento das parcelas também é o mais alto já registrado, chegando a 29,7%. Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, os números, divulgados pelo Banco Central, refletem a dificuldade crescente dos brasileiros para fechar as contas.

Segundo levantamentos, a maior parte das dívidas não é para consumo supérfluo, mas sim para cobrir despesas básicas como aluguel, saúde e educação, o que agrava o alerta sobre a situação financeira da população.

Como Vai Funcionar o Desenrola 2.0?

O principal objetivo do Desenrola 2.0 é oferecer um alívio para os cidadãos com o nome sujo. A proposta é que os bancos participantes do programa ofereçam descontos agressivos, que podem chegar a 90% do valor devido.

Para incentivar a adesão das instituições financeiras, o governo entrará como garantidor da operação por meio do Tesouro Nacional e do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Ou seja, se o cidadão renegociar a dívida, o governo cobrirá o prejuízo do banco.

O programa será focado em pessoas com renda de até cinco salários mínimos.

Além disso, o governo estuda permitir o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação total dos débitos.

Como contrapartida para evitar o reendividamento, uma das medidas em análise é impedir que o CPF de quem aderir ao programa seja utilizado em sites de apostas online, as chamadas "bets", por um determinado período.

Cenário de Juros Altos e Desafios Estruturais

Apesar da iniciativa, especialistas e membros do próprio governo se preocupam com o caráter pontual do programa.

Conforme apontado por Juliana, a crítica é que, assim como na primeira versão, o Desenrola pode não atacar as causas estruturais do endividamento, como os juros exorbitantes do cartão de crédito, que em março estavam em 428,3% ao ano.

A alta taxa de juros básica, a Selic, também é um fator de pressão.

A expectativa é que, na reunião desta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano.

Embora a expectativa seja de um corte, a colunista afirma que a taxa continuará em um patamar extremamente elevado, dificultando o acesso ao crédito mais barato e a capacidade das famílias de saírem do ciclo de endividamento.

O cenário internacional, com o preço do petróleo Brent acima dos US$ 100, também adiciona pressão sobre a inflação e a política de juros.