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Juliana Rosa: Inflação desacelera, mas juros altos sufocam economia

Colunista de economia afirma que prévia de 0,20% surpreende, mas o Banco Central mantém cautela com serviços, intensificando o debate sobre a taxa Selic e seu impacto no juro real

Por Redação
REDAÇÃO

27/01/2026 • 21:51 • Atualizado em 27/01/2026 • 21:51

Juliana Rosa
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Copom começa nesta terça (20) reunião que vai decidir taxa básica de juros

Copom começa nesta terça (20) reunião que vai decidir taxa básica de juros

Foto: Marcelo Casall Jr/Agência Brasil

Resumo

Inflação registra desaceleração em janeiro, com alta de 0,20%, abaixo das expectativas do mercado financeiro; índice acumulado em 12 meses chega a 4,5%, no limite da meta do governo, enquanto o Banco Central mantém cautela sobre redução da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.

Banco Central adota postura conservadora devido à persistência da inflação de serviços, influenciada por baixo desemprego e valorização da mão de obra, além da volatilidade cambial que pode pressionar preços em momentos de instabilidade econômica e política.

Manutenção da Selic elevada resulta em juro real acima de 10% ao ano, considerado excessivo para o crescimento econômico; alimentos como tomate e batata registram os maiores aumentos, enquanto leite, arroz e café apresentam quedas, reforçando o debate sobre impactos da política monetária e expectativa por sinalizações futuras do Copom.

A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, afirma que a prévia da inflação surpreendeu, ao registrar um aumento de 0,20% em janeiro, abaixo das expectativas dos analistas do mercado financeiro. O resultado aponta para uma desaceleração em relação ao mês anterior.

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Apesar da notícia positiva, ela ressalta a cautela do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, com preocupações focadas na inflação de serviços e no impacto do alto juro real na economia.

A reunião que vai definir se haverá corte de juros começou nesta terça-feira (27) e será concluída nesta quarta (28). A tendência é que a Selic permaneça no atual valor.

Selic no Limite da Tolerância da Inflação

Ao analisar o acumulado da inflação em 12 meses, o índice atual atinge 4,5%. Este patamar se encontra exatamente no limite da tolerância da meta do governo, estabelecida em 3%, com uma margem que permite oscilar até 4,5%.

Para analistas do mercado financeiro, surge o questionamento se uma taxa Selic de 15% não seria excessiva para uma inflação que, embora em desaceleração, se mantém dentro da margem de tolerância. Juliana Rosa pontua que, em dezembro, diversos economistas já antecipavam um corte na Selic para a reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Entretanto, dados econômicos recentes indicam um cenário mais robusto do que o previsto, o que tem influenciado a postura conservadora do Banco Central em relação à manutenção da Selic.

Cautela do Banco Central e Influência nos Serviços

O Banco Central tem emitido sinais claros de cautela antes de iniciar um ciclo de cortes na Selic. A principal justificativa para essa postura, segundo Juliana Rosa, reside na persistência da inflação no setor de serviços.

A inflação geral do país tem apresentado queda, impulsionada em grande parte pela valorização do real frente ao dólar. Esse movimento cambial impacta positivamente os preços de alimentos e produtos industrializados, que dependem de insumos importados.

Por outro lado, a inflação de serviços, intrinsecamente ligada à dinâmica econômica interna e à oferta de mão de obra, demonstra maior resistência. Juliana Rosa destaca que os chamados serviços subjacentes, monitorados de perto pelo Banco Central, são intensivos em mão de obra.

Em um contexto de baixo desemprego e valorização da mão de obra – cenário positivo para os trabalhadores –, a inflação nesse segmento tende a ser mais elevada e persistente. Embora a inflação de serviços comece a ceder, saindo de patamares acima dos 6% para algo um pouco inferior, ainda está bem acima da meta de 3%.

A preocupação do Banco Central também se estende à volatilidade do câmbio. Em períodos de incertezas geopolíticas ou de intensa movimentação eleitoral, o dólar pode se valorizar, gerando novas pressões inflacionárias. Por essa razão, a autoridade monetária opta por uma abordagem mais prudente na gestão da Selic.

Juro Real e a Selic: Remédio Excessivo?

A manutenção de uma Selic alta resulta em um juro real – o juro descontado da inflação – que supera os 10% ao ano. Para Adri, um juro real nesse patamar tem o potencial de "sufocar qualquer economia".

Juliana Rosa corrobora essa visão, afirmando que uma taxa de juro real igual ou superior a 10% torna inviável a realização de novos investimentos e impõe severas dificuldades financeiras tanto para empresas quanto para consumidores.

O debate atual foca no ponto de equilíbrio: até que momento sustentar uma Selic alta se torna contraproducente para o crescimento econômico, mesmo com a inflação apresentando sinais de arrefecimento?

Apesar dos indicadores positivos na inflação geral, não há previsão de corte na Selic para a reunião do Copom desta semana. A expectativa é que o Banco Central possa, no máximo, sinalizar um possível corte para a próxima reunião, programada para março, mantendo sua postura de cautela.

Flutuações de Preços em Janeiro

Entre os itens que registraram os maiores aumentos na prévia da inflação de janeiro, destacam-se alguns produtos alimentícios. O tomate apresentou uma elevação de 16%, e a batata inglesa teve um aumento de quase 13% (12,7%). Carnes e frutas também registraram altas de 1,32% e 1,65%, respectivamente. Esses aumentos são frequentemente associados a fatores sazonais, como condições climáticas que impactam a produção agrícola.

Em contrapartida, alguns produtos demonstraram quedas, oferecendo um alívio para o bolso do consumidor. O leite longa-vida teve uma redução de quase 8% (7,9%). O arroz ficou 2% mais acessível, e o café moído apresentou uma diminuição de 1,22%. A estabilização do preço do café, após um período de altas, foi um ponto positivo, conforme observado pelas jornalistas.

Ainda que a inflação de janeiro tenha desacelerado, o debate sobre a política monetária do Banco Central e as consequências da taxa Selic alta na economia permanece relevante, aguardando futuras sinalizações da autoridade monetária.

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